segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Inconstantes

sumo-se,
ao sumo do ser.

entrevado no poente crisado, ceifado pelo amarelo'talhe desfazendo-se em laranja. o celeste pardo e vivo entre nuvens pesadas amortizam-se nos seios de quem detém a friagem... e o sol ponderá até o amanhecer proxímo por outras. que serão únicas. imagina-se sim. assim. que se vive também.

quer,
travar,
à linguá?

disseste,
que,
peguei,
uma,
faca,
pra,
capá,
papacapin.

(repete bem rápido),
só pra ver o riso correr,
como as ante'lágrimas passadas.

pois o tempo é de rir,
da vida,
do tempo,
sem momento...
inconstante.

tanto prova-se,
como se esquece de comer,
e o que apetece o silêncio alimenta.

revês,
de pessoas,
que saibamos,
onde está sempre,
os vossos olhos.

ele é parte da carne,
da alma,
e mostra ao coração nossa cegueira.

funestas,
fustigas,
reparte-te em seis, em dez mil mulheres...

pois castelo nenhum tenho,
te reinará ao menos,
todas promessas sem valor.

desconjurado?
exibido e subalterno?
eis que é lei de órbita grave.

o que caí na terra vai aos céus,
toda matéria queima a exílio,
de algo, de alguma coisa, algum momento...


Humberto Fonseca

domingo, 18 de dezembro de 2011

Poesia - Humberto Fonsêca - (Série - Riscos) - Traços Encontrados ao Perdido

 
(Série Riscos) -Traços Encontrados ao Perdido




Há tumultos atrás,
Me achei entre os presentes,
Com todos perdidos...


Nos seus olhos,
Nos meus olhos,
Se escondemos.

Olho'adentro,
Olho'a'olho,
Na suspensa bola brilhante...

Onde o guerreiro adorna a espada,
No rapisódio da caça,
Sovando a doma dos dragões.

Eis que os lábios repartem,
A preguiça ao meio,
Talha o conselho,
Desfeito ante'voz,
De um mudo'silêncio louvável.

 Tu me pesa o suscitar, e me pedis o falar oculto, queres que a toalha nova enxugue... é improvável meus descaídos no tropar da vida, no fazer do dito, e no inculto desse prazer semelhante que semeia diante de vós à mim. como esquecer? como... se eu comesse.. esses versos e palavras, esses sambas, essa tabuada de significados expressivos fartaria toda minha desventura.

De pernas abertas ao mundo,
Entreicherada sobre as espeluncas,
Quinquilhando seu ardor febril...

 Saboreio o tardar com antecedência, in'frenesi... anemie ao labor em sol e louvares. tomba de minha língua as apoteoses esburacadas... ontem pensei que tinha visto a ti, mas em seguida perdi, permite-me em algum momento de um só olhar e silêncio. no muro do sono, com a barreira fina e intacta que se cria pela memória me vem o sabor... talvez a imagem duas xícaras, na filosofia de risco, e nada mais que olhares com cheiro de café bem passado... eu já ouvi das torturas, eu já sofri o silêncio... emudecido, vivo, louco, meio anormal aos tons sóbrio da vida que nos permite rodear sem tocar as pálpebras extinguidas.

Mentes tão bem que me tens.
Me mentes sobre a mente,
Me mentes sobre o real.

Fala musa,
Fala deusa,
Fala trausente.

Todos ouvidos e olhos são teus,
Tu o tiraste,
Para ver o que sabe.


            És tão alta,
                           Poesia ondulante,
         Rígida em carnes maciça.

 Ruminou, preferível, anestésica, em mercúrio e deliberados instintos, "frasea-te à mim" antes que a prosa acabe. retornemos aos meios dos fins... quem quer fama no fundo deseja o esquecimento. por isso a missão dos novos tempos no homem em fazê-lo herói de cada momento, dito e chamado de pássaro livre pela incoveniência do registro e liberdade assistida. que se assiste e não se liberta. tristeza miserável e fiel a maturidade.

        Se minhas penas pintassem,
        O que minhas pernas trançou,
        Da embalada da morte,
        Numa embosca,
        Sabendo a redobra dos labirintos.

                               Saída nenhuma tinha,
                       Além das tripas coração,


                      Te reparto em minha fome,
                               E do pão de cada dia,
                               Me dai hoje.

Agora traceje,
A fortuna do sono,
A esperança da paz,
A fé que já me faz viver em rosários...

 Todavia, na esperança dos martírios a vida des'revolta-se, apraz'chega-se, desnegando-se, entre'meio'colado, presente és, de calor, estância de ares puros, galgando para ser mutilada, "às'arroubas de meus olhos, as lacunas de meu vão'peito"... devora-me oferenda de voz doce... celere'opressa, dona da voz de meu mudo, poesia náufraga sem média de mares, sem margens na terra, fluindo essas minhas artérias remanescestes de fulgor, desespera-me? e porque tais objeções? "se toda beleza que propõe é exterior de uma porta que está sempre aberta", além da luz desse meu escuro o que mais quer ver? como espera entrar e sair de um segredo que é chave de um cofre aberto que não sabemos por onde começar. será o caminho uma noite inesquecível? no tombadilho do acaso entre'flores de espinhos...

Espedaça minha fronte,
Esconde'minh'alma,
Escuro horizonte.

Esses bilhetes de carta,
Versando um sobre o outro,
Num prazer...

Toma o envolto,
Onde a rápida crueldade,
Se torna infinita.







Humberto Fonseca