domingo, 24 de março de 2013

Poesia - Humberto Fonseca: Saudade (III)


"Algo rarefeito significa pouco denso, que se rarefaz, provém do latim rarefactu. Geralmente o termo é utilizado para demonstrar que algo é passageiro, transparente. Uma atmosfera rarefeita significa uma atmosfera tênue com baixa pressão atmosférica e com pouca concentração e variedade de gases. Encontrado em grandes altitudes. Ao nível do mar, o ar é pesado, com uma massa estável de 1 kg por metro cúbico. À medida que subimos, a pressão do ar vai diminuindo. Assim, numa altitude de 3 km, a pressão do ar é de somente 700 g por metro cúbico, causando dificuldade de respiração."

Praia da Vila
Imbituba/SC
Foto: Humberto Fonseca

    Seria assim mais,
                       Ou menos,
                              Se soubesse.
                                   O ar que me tem,
                                                     Te sustém?
                                                      Em algum sentido,
                                                                  Opaco, alvo, ou sustenido?
                                                                                           Meus impactos,
                                                                                                      Sem resoluções,
                                                                                                                Tomam formas.

 O corpo impulsiona, faz-se seu movimento, com o poder da mente, do que sente, do que faz, ou por querer dormir, ainda assim se movimenta.

 Onde foram meu sentimentos? Pergunto-me pois, aonde foram mesmo? Tanta reflexão sem nenhum pequeno toque que nos faça chega perto daquilo que nos é determinante, próprio, incorruptível, solução verdadeira e incapaz de nos fazer pensar duas vezes.

 Não sou de concordar com um pensamento, mas de vez em quando é bom ter uma linha de raciocínio, não imagina muitas coisas além do que ela parece ser, "pois bem sabemos que nem tudo é o que parece ser", _ mas as vezes o é! Nossa ascepcia, assimetria ideológica, repulso dogmático, e biocapacidade inferior de tornar-se convicto do misticismo...

 Quando não, nossos sentidos são capazes de nos entregar-se ao ceticismo, ao "olhar a distância, examinar, observar", questionar. Como se nossa vida fosse uma visão filosófica, e ao mesmo tempo que; "ela é", também; "não é", mas porque se defender da vida? Se a mesma não é nossa adversária  Ela não é humana, é feita de fatos, de pessoas, de coisas para acontecer, de possibilidades que serão perdidas, de um passado que bem conhecemos, num presente que construímos, e de um futuros que não saberemos realmente antes que o mesmo acontece, mesmo com todos os melhores planos, a vida, ela não tem culpa, nós sim, por sermos tão enfiados ao sobrenatural, e incapazes de nos focar as pequenas realizações naturais.

 Extravio a voz, faço a corpo cansar, perco a palavra, ganho fidelidade de meus pensamentos, e acabo sentindo um recuo instantâneo das probabilidades de acontecimentos, é relativo? Será que minto? Por que escrevo? Sinto ou estou mentindo? Esse barulho mental está só dentro de mim? Seria capaz que alguma dessas palavras faz jus pelo menos à um mísero minuto de tua vida? O que verdadeiramente somos diante de nós? Ser imagem e semelhança de Deus é confuso; imagina ser tua imagem e semelhança...

 A terra me faz saber o extinto natural, bicho do mato, mamífero... Ao andar descalço, sentido cada pedrinha, galho, cisco, lama, e as diferentes planícies e objetos que assenta dando carinho ou machucando nossa planta de pé. Andar descalço é simples, mas preferimos tênis, defender-se, oprimir os passos, e ter o calor dos tecidos abafando a sensibilidade.
 
 

 Minha literatura sempre fora das que se relacionavam aos problemas da vida, gostava de ir direto ao fato, sem possibilidade de dar visibilidade ao pensamento exterior, e certa hora decidi assassinar essa característica que me fazia tão incapaz de abrir as passagens, os envoltos, as relações verdadeiramente humanas, e não criadora de soluções, afinal, sou poeta ou escritor de auto-ajuda? não mesmo. aqui só ajudo a minha capacidade criativa, meus espasmos e orgasmos de soluções adjetivas e infrenes porradas de verdade, sem absolutismo, ilusões, e falsa críticas que faça alguém sentir-se satisfeito por pensar da mesmas maneira, se fosse pra pensar igual não escreveria, se fosse pra ser filosofo não escreveria, pois pensar já é a mais rica filosofia, e cá pra nóis, o filosofo perde muito tempo pensando, mas se fosse um alienista estaria ajuntando pessoas, pelo contrário me junto aos loucos, aos burros, à qualquer pessoa, pois as pessoas me fazem ser, "minha imagem e semelhança" e por consequência, conhecer mais profundo a semelhança de Deus.

 Há meses que venho sendo tomado por uma paixão maluca, doida, vã, verdadeira. Sabe daquelas paixões violentas, que tiram você do chão, falando bobagens, e pensando em futuros que realmente não só parecem, mas devem ser impossíveis. Mas eu sei que o amor existe, e ele ainda está dentro de mim. Mas nem tudo são flores, e são tantos espinhos que vem furando, encravando minha pele nessa busca, e acaba reinando sobre mim a luz da solidão, a verdadeira saudade. Pois quem ama sente saudade a cada milésimo de segundo, a cada instante. Até mesmo quando se tem e se acostuma com a pessoa amada a saudade bate o dia inteiro, e sou um ser inteiramente ligado aos meus sentimentos, me entrego sem medo de ser feliz, sofro, como se diz no carnaval baiano "num tô nem aí", me jogo ao vento, pulo no mar, corro pra cima, intento o chamado, mas nem todas mensagens podem ser captadas e entendidas, e como ser humano amante da paz interior isto acaba deixando-me ansioso, coração disparado, com alma infantil, e buscando de todas maneiras suplantar minha ignorância por sensibilidade, me torno ignóbil, como se isso fosse desprezível  vil, sem condições de realizações, estou enfraquecendo minhas capacidades por me entregar tão forte a pensamentos puros que deterioram a minha essência, pois vou buscando assim me encher de outros ares, dos quais meu comportamento ainda não se acostumou, criando retóricas, brigando internamente contra uma força que não consigo de maneira nenhuma vencer. Como bloquear a mente, o coração, o corpo, tudo fala ao mesmo tempo, por um só motivo; ela.
 
 E voltando a saudade, amiga íntima do poeta, ambígua e verdadeiramente capacidade de nos inspirar a escrever, dona de fábulas, mentiras,verdades passageiras, e soluções que parecem não ter fim, está sempre ligada à pessoas, pode ser a lembrança de um doce que você comia, mas derrepente era da tua vó que fazia, ou uma balinha que comprava com um amigo, a saudade tem tantos fatores, e tantas pessoas, que o amor dela por nós é verdadeiro. Nesta vida só tenho aprendido não ter saudade dos mortos, pois estes deixaram de sofrer, deixaram este plano para os melhores e vindouros tempos. A saudade (para mim), está sempre ligada a quem está vivo, à quem não se assemelha ao sobrenatural, a quem comporta as ilusões, mata os desejos, e suporta suas súplicas. Sou um ser meio remoto, quase medieval, bruto mesmo, mas sempre consciente de que meu coração faz de tudo pra dominar-me, sentir cada expressão, respeitar cada olhar, nunca desencorajar qualquer ser humano, meu coração, este sim, sabe realmente, o que é a saudade.
 
 
        Seria assim mais,
                         Ou menos,
                                  Se soubesse.
                                     O ar que me tem,
                                                    Te sustém?
                                                    Em algum sentido,
                                                          Opaco, alvo, ou sustenido?
                                                                                     Meus impactos,
                                                                                                  Sem resoluções,
                                                                                                                                                                                Tomam formas.
 
 
 
Dentro de mim.
 
 
Humberto Fonseca

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