terça-feira, 24 de novembro de 2015

Através da Força - Poesia: Humberto Fonsêca

 
Através da Força
 
 
Eu luto com minhas dores em batalhas poderosas,
As vezes contra o destino,
as vezes contra o inimigo,
as vezes contra o impossível.
 
Sempre contra mim, a favor de todos,
Sabendo sempre, que o vencedor não só deve lutar com a coragem,
Mas sempre em busca da verdade.
 
O homem transita em todos os espaços,
Pensa em viver fora de orbita, estria louco de seus pensamentos?
Esquece dia após dia a amplitude que é seu coração...
 
Nesta matrix de movimentos,
Através da força eu vejo músculos de pensamentos,
Enrijeço-me sobre todas circunstâncias,
Eu sobrevivi, através da força.
Resistência, ódio, amor, solidão, devaneios lúcidos,
A cidade que me toma conta,
Construiu no seu prazer a morte do meu viver,
Reabilitei o meu instinto, o meu sentido, o meu estado natural,
Eu que limpo os ares, molho a terra, o concreto,
Doei rios e recebi esgotos, doei fauna e flora,
Me restituíram com desertos, prédios, viadutos, pontes sem sentidos,
Totalmente destrutíveis na saudade de meus entes,
Meus plantios de frutas, flores, ervas medicinais,
Restou escalpo, pedaços vazios da minha melhor beleza...
 
Eis a cobrança. o preço, o pagamento,
Um futuro incerto do qual sabemos,
É o cabimento do descabimento,
Da falta de competência, ciência pela incompetência,
Desnaturalizando tudo que um dia já podemos ter chamado de vida.
 
Entrelinhas, tu me vês, finge, cega, e não me tocas,
Perde-se entre todos os rumores destes passos apressados,
Olhas em rostos perdidos, nem se encontra, nem me encontra,
Sou ferrugem, fel do óxido, rumor do carbono,
Assim é minha natureza, destrutiva, construtiva,
Imperando todos impulsos para sobreviver,
Através da força, naturalmente.
 
Estou em teu corpo, na tua sede, no teu sentimento áspero,
Sobre a falta de sensibilidade, sobre a falta de tudo que não lhe falta,
Eu sou a natureza, devassa, bela, genial, incorruptível,
Intangível na hora da revolta arregaçando os espíritos podres da face da terra,
Simplesmente, puramente, com todo meu poder,
Sem dó nem piedade, através da força.
 
 
 
Humberto Fonseca

domingo, 22 de novembro de 2015

O Poeta Quer Falar - IX - Poesia: Humberto Fonsêca


O Poeta Quer Falar - IX

Graffiti - Rica de Lucca
 

O poeta quer falar;
Sem estética, na tática métrica,
Simbiose'ando,
Os efeitos dos dilemas,
Nas abstrações dos problemas.

O poeta quer falar;
Deste convite ao lugar,
Do caos no sol,
Rarefeito perfeito,
Sobre as secagens do tempo,
Mascando a ultravioleta do olhar.

O poeta quer falar;
Não do progresso,
Nem do sucesso,
Tampouco de seu regresso,
Desmascarando rupturas,
Simbologias, codificações.
Quebrando os tablados das alianças alheias,
Sobre as rajadas da palavras seminuas.

O poeta quer falar;
Deste mistério que é o egocentrismo,
Deste espetáculo que é a falta de empecilho,
Desta covardia que é a covardia sem sentido,
Desta falta de caráter que faz mascarar os perdidos,
Desta mesquinhas malditas vozes em círculos.

O poeta quer falar;
Na sua memorável trajetória,
Apunhalado pelas histórias,
Focado na concentração,
Nunca nas vitórias,
Sobre cada verso vivo e falado,
Dos causos que não foram esquecidos,
Tampouco apagados,
Pois diante de tanta filosofia de vida,
O que falta é o filósofo pensado.

O poeta quer falar;
Da maldição do ócio,
Na falta recreativa,
Obstina-se ao sensacionalismo,
Perdem-se na moda, no engano, na superficialidade,
Engajam-se nas trapaças, nas trocas, nas farsas,
Como se a vida de guerreiros estivessem em barracas sociológicas.

O poeta quer falar;
Que eles desejam entender,
O que nunca vão viver,
Que eles desejam saber,
O que não querem aprender,
O que não vão reconhecer,
Que desejam opinar o que nunca deveria ser questionado,
Que são malfadados por natureza,
Inescrupulosos por sapiência,
Obstinados contra a arte,
Enclausurados nos falsos juízos,
Diamantados de preciosos prejuízos,
Esvaziados de erros-errôneos-errados.

O poeta quer falar;
Desta funcionalidade obscura,
Desta saúde sem cura,
Nos olhares maliciosos,
Ambiciosos de tudo que pode e não pode,
Sorrateiros da sorte,
Soslaios dos capotes,
Caídos no chão da própria morte.

O poeta quer falar;
Deste silêncio prensado,
Dessas falas caladas,
Destes planos sem sentidos,
Destas iluminações sem cores,
Nas mais insalubres situações,
Percorrendo caminhos de fugas,
Sem lutar, procriar, insistir,
Criando a maldita covardia,
Em retranca retórica,
Dos viés sem avessos.

O poeta quer falar;
Que não se enganem amigos,
Eis o passadiço,
Os arcabouços, calabouços,
As pontes,
Grades, grilhões,
Falsas condenações,
Pois fomos liberto,
Por crer, servir e acreditar,
Que nossa revolta natural,
É a instância,
Nessa busca pelo respeito as leis,
As nossas próprias leis,
Quem for podre que se quebre,
Se foi pelo tempo,
Ou por mal sustento.

O poeta quer falar;
Que não vai se condicionar,
Não vai apadrinhar,
Tampouco ser apadrinhado,
Muito menos afilhado, afiliado,
Esculacho de partidários,
Escrúpulo de faccionados,
De qualquer que seja,
Quem quer que esteja,
Em algum momento,
Lutando contra sua contra-cultura,
Hoje, amanhã, depois...

O poeta quer falar;
Que sua mensagem,
Não é viagem,
Não é passagem,
Não é coragem,
Não é verdade,
Não é falsidade,
Não é nada do que pensam,
E muito mais do que pensam,
Sem contar que sua sabedoria,
Foi procriada ao meio de indiferenças.

O poeta quer falar;
Fazer compreender, entender, questionar...

Pois o poeta sabe,
Que ser poeta,
É não ter nada pra falar.

Mesmo assim,
O poeta quer falar.


Humberto Fonseca

 

Ser Poeta - Poesia: Humberto Fonsêca


 
















"Ser Poeta"



Que profissão,
Que destino,
Que amargura,...

Quais vitórias,
Quantos tropeços,
Quase nenhum sucesso...
Quantos questionamentos,
Sociais, políticos, educacionais, familiares,
Quantas mascaras feitas, refeitas, desmascaradas,
Quantos sentimentos, sentidos, realidades,
Quantos sonhos, ambições, realizações,
Quantas paixões, amores,
Quantas decepções, desavenças,
Quantos entendimentos, sociologias,
Quantos estudos, técnicas, aprendizagens,
Quantos cursos que não tiveram nenhum curso,
Além da palavra, dos objetivos, dos instintos...

Quanto me pagam pra ser poeta,
Quanto me deram pra ser poeta,
Quantos fizeram por mim algo que me fizessem poeta...

Quantos martírios,
Quantas lágrimas,
Quantas solidões,
Quantos perdões,
Quantas brigas...

Terei eu ainda pra suportar,
Pra sustentar,
Que não sinto ferida ou dor alguma,
Para seguir adiante das desavenças,
Nesta obscura profissão,
De ser poeta.




 Humberto Fonsêca

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Redimensão Das Métricas - V - Sobre Silêncios Instantâneos - Poesia: Humberto Fonsêca



 
 
Re'Dimensão Das Métricas - V
 
Sobre Silêncios Instantâneos




A paciência é astuta,
      Dobrada em silêncio,
           Doutrinada de guerras,
                 Especializada em amor.
                            Deliberada,
                            Maquiavélica,
                            Imperativa,
                            Soberana,
                            Ponderada,
                            Naturalmente,
 Se viu no meio das amplitudes,
       Entre os serenos dos cerrados,
              Nos cerrados espraiados,
                     Em coqueirais explanados,
                             De terrenos cortados,
                                   Na pura impaciência.
    
          Proteger os mistérios é a felicidade,
                 Sem choro nem lágrima,
                        Em alegrias de estadias passadas,
                                Nos cantos onde amor é amizade.

            Poesia malevolente,
De incrível saúde,
Meu coração arde,
           Sobre as mudas faces,
De meus teores argutos,
Nos ângulos dos desânimos,
           Reflexivo, irrefletido,
Poeticado, poe'praticante.
                   Solto, no solo andante, passeando,
                       Nas ruas, nos montes, nas ilhas,
                            Em dias de qualquer mistério,
                                Em dias de qualquer silêncio.

                 Longe das batalhas,
                 Bem longe das falsas guerras,
                 Distante dos fatídicos casos,
                 Recluso dos seres'perfis...

                                                      Nestas brigas de sentidos,
                                         Nestes abandonos do eu mesmo,
                               Nestas causas sem soluções,
                    Nestes acontecimentos,
         Nestas possíveis doenças...

Diagnósticos de falsas dores, diagnósticos de falsos rumores, diagnósticos de falsos amores, diagnósticos de falsos professores, diagnósticos de falsos diagnósticos...

        As alegrias que se tornaram dores,
                   Despejam seu fim nos temporais,
                           Para ressurgir nas terras,
                                    Próximo dos bons e dos maus,
                                              Dos experts e normais,
                                                      Para sentir a sabedoria,
                                                              Que fora extraída da dor.

Impaciência intolerante,
Dignificais o homem,
Nas lacunas de sua sabedora,
Nas aberrações de sua burrice,
Nas intervenções de sua naturalidade,
Inconfidente, guerreiro, desbravador,
Pacificador, instrutor, tradutor,
Lutador, amante, instintivo,
Encontra-se achado e perdido,
Abalado, erguido,
Semi'derrotado, vencedor aguerrido,
Sem desvirtuar uma vírgula de seu caminho.

A poesia conhece seus talentos,
O poeta todos seus instrumentos,
As ilusões seus requerimentos,
As verdades seus mandamentos,
As inverdades todos questionamentos,
As possibilidades os inventos,
As calúnias os gritos distintos,
A coragem os instintos...
 
Em todos os movimentos, séculos, décadas, dias,
Horas, minutos, segundos,
Sobre estes relógios tivemos momentos,
De inverter o sentido clock dos lock,
Formandos os conjugais mandamentos,

Nas abreviadas aventuras,
Em mais de cem guerra e cem luas,
Todas minhas, todas suas,
Sem questionar quando vencer,
Sem questionar quando ganhar,
Entalando, isolando, enxotando os inimigos,
Sobre silêncios instantâneos.



Humberto Fonsêca



                                   

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Redimensão das Métricas - IV - Definições Raro'Antigas - Poesia: Humberto Fonsêca - Arte: Rica de Lucca


Artista: Rica de Lucca
 
 
 
Redimensão das Métricas - IV
"Definições - Raro'Antigas"
 
 O tempo, é o eixo central,
     Desmedido, na linha imaginária,
         Em rotação dos pensamentos.

A potência de nossos seres sem movimentos,

        Eclodem a sustância verbal,
        Das nossas artes, nossas cores.
Das nossas paisagens, das nossa semelhanças, das nossas introspecções.
Em termos simétricos, quantitativos,
abreviado de explosões,
Em simulacros de atitudes.
A variante variável,
Delitos evoluídos esvaecidos  no silêncio,
Desmoronando catástrofes.
                                  Metamorfose dos sem tons, sem cores, sem luzes,
                                   Estopim dos calados, silenciosos, calmos,
                                  Afastados da verdade, veracidade, tons e propriedades,
                                   De um nada intelectual, de um mal habitual.
Salpicando as palavras, novamente retomo o ápice,
Construtivo nas sólidas fases de meu universo,
Incisivo incrustado nas montanhas de versos...
                                       A situação sem veredicto,
                                       Conformo as ações, infrações,
                                       Inebrio os poemas moforlogicos,
                                       Sobre os mitos esquecidos.
Os artistas compõem sentimentos,
Desmente momentos,
Criam abismos de sentimentos nos portões da vida.
Nossas armas atingem,
Sem derrubar, sem magoar, sem exaurir,
Ódios, paixões, soberbas, imposições,
Questões pessoais e sociais,
Queiram sim, queiram não,
Pela simples observação.

"Está métrica tomou outro curso, fluxo, torrentes, uma direção de matérias percorrendo aos estudos".

 As glórias foram feitas de tapetes,
      Pisamos em nosso passado,
           Percorrendo sem medo,
                 O futuro do anti'futuro,
                        Sobre este pós'presente imerso.

Nestas retas'verticais,
Os escalenos de efeitos,
As semirretas anguladas,
Da qual desistir é não resistir,
Nos conceitos sem graus,
Cores quentes, palavras frias,
Palavras frias, cores quentes,
Traços uniformes desinformados,
Onde o silêncio se torna passado,
Publicando segredos inconstantes, insondáveis,
Neste muito nada importante para acontecer,
Do qual não podemos decifrar.

                        Poesia contra a mentira,
Pintura contra a hipocrisia,
                        Poesia contra a corrupção,
Pintura contra a falta de paixão,
                        Poesia contra a falsa indignação,
Pintura contra a falta de sensibilidade,
                        Poesia contra os repúdios,
Pintura contra a insatisfação,
                        Poesia contra a moralização,
Pintura contra a falta de
                        Poesia contra os assassinatos,
Pintura contra a falta de vida,
                        Poesia como a expressão,
Pintura contra a falta de satisfação. 

Assim ser o meu olhar,
           Quase poético, quase pintor,
                    Sem meias verdades, sem mentira nenhuma,
                              Em minhas próprias semelhanças,
                                       Desbravando os alhures,
                                                Nas águas calmas,
                                                         Metrópoles conturbadas,
                                                         Nordestes sangrentos,
                                                         Campos solitários,
                                                         Praias de abandonos,
                                                Da perseverança,
                                       Do esquecimento,
                              Nas artes trançadas,
                     Dos conhecidos sentimentos,
              Nestas brumas de meu coração,
Apto sem entender,
Tudo que os seres mais huimanos,
Relutam a todo momento,
Não querer sentir.


Humberto Fonseca


Dedicado ao artista: Rica de Lucca, grande camarada de guerras artísticas sem ferir ninguém, nem suas dignidades, tampouco a falta de sensibilidade que tanto conversamos nos breves e poucos encontros que tivemos nesta passagem de vida.
                              
                                        


                                   

domingo, 8 de novembro de 2015

Redimensão Das Métricas - III - Interior'Face - Poesia: Humberto Fonseca

 
Redimensão Das Métricas - III
 Interior'Face


 
Somos moldados,
Modulares,
Instâncias do impermeável,
Maleáveis do não querer suportar.

 
Nem sempre os sábios,
                                       São os mais inteligentes.
 
 
Sabedoria é um exercício d'alma, do tempo, sentindo o sentido, exaurido de uma guerra interior por não querer, não suportar, cultivando os hábitos de não fazer o mal.
 
O que nem sempre podemos dizer da inteligência.
 
O sábio faz do exercício uma função.
O inteligente uma equação, divisão, subtração, multiplicação, confundindo os valores com os favores de perdão.


A escravidão dos sentidos continuam sendo, a continuação deles.

                     O tempo necessita, requer,
                                         Cobra direito
                                             No escalômetro do destino.

Interiores, museológicos, longínquos,
Na temática quântica,
Sombreando as dores,
Que as notícias não desejam.

As dores escondidas,
No interior,
Escoram a face.
                                                         Por uma resposta,
                                            Mesmo que seja,
                       Sem conformidade.
"São os ângulos da terra, com a tortura de meus olhares".
A face hora com,
Hora sem,
Enruga os dizeres.                 
                              Tácitas, táticas,
                                         Ataques, atrozes,
                                                     Gritam, gorjeiam.


Se queres ver ousadia,
Saiba a letra da poesia,
Malfadada em arrabalde,
Polarizada sem luz,
Onde não existe mistério,
Combatendo a mentira...
Sem dar letra nenhuma...
Trovejaremos no sol?
Quantos papocos nestes soslaios?
Novas atitudes serão velhas artimanhas?
Estaríamos presos em nossos próprios círculos?
 

Quem gera soluções,
                  Trás consigo problemas,
                                         Biomas sensíveis,
                                                        Brutezas intelectuais.

O mundo real não fora feito para divindades,
O matrimônio desarmonioso,
É teatro de uma vida confusa.

          Matriz'cidade angulada,
                  Esquadro simbiótico,
                       Rompendo transmissores,  
                            De componentes, estudos,
                                   Na ética do compasso,
                                         Em mentes que não mentem,
                                         Eis a face...

                              Sem truste de meu exterior, interior.




Humberto Fonsêca


 

Redimensão Das Métricas - II - Visor - Poesia de: Humberto Fonsêca

 
 
 
Re'dimensão Das Métricas - II
 
(Visor)








                                                                                       

                                                                                  Reverbera a fera,
                                                                          Agoniada em distúrbio,
                                                               Metrando os efeitos,
                                                   Na conjugação verborrágica,
                                     Com inversão dos controles
Diagrama-se as ideologias,
Polarizando suas noções, nuances,
Sob óticas, em mil maneiras,
Tons de tons em fibras,
Pré-definidas, pré-construídas, pré-fabricadas.
                                    Sem algoritmo,
                                                  Encontrando os desafios.
                                                               Instintivos sintéticos,
                                                                        Enumerando a multidão,
                                                                                 De nossos sonidos.
              
     Ultra-Sônico-Ultra-Rápido-Ultra-Verbete-Ultra-Venoso-Ultra-Violento  
   
(São)
As Vidas,            Os Dias,
(Quem)
Não Conhece,            Se desfaz,    
(Calou)
         Os sinais,           Por migalhas,  
(Diante)
    Confusos...             Sem mistérios
 
                         
                       Dentro das minhas velharias,
                       Cinematecas apoteóticas,
                       Livraria de conceitos banalizados culturalmente...
 
 
 
As técnicas, serão sempre aprendizes.
 
 
 
Humberto Fonsêca

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Retrospectiva Poética - Série: Novas Métricas - Poesias: Humberto Fonsêca

Série: Novas Métricas
Poesias de: Humberto Fonseca












Por Dentro...

                       memorável,
                       seria,
                       o sangue.


o'que'é'esse,                                juntamente,                                   
tecido de toda cor,                      com os,
a cor de todos tecidos?               me fui.           


                                                a rua é tão larga,
                                          no céu do azul sem fundo,
                                                    sem nuvens,
                                                    a terra segue,
                                                   a girar seu eixo,
                                                      as flanges,
                                                     engrenadas,
                                                       ao corpo.

                             me disseram,
                             que não tinha cor,
                             era pura a mortalha.

amarela'cálida,
solvida,
nas fezes da terra.          
                                                      triunfou-se num sei quem,
                                                             num sei quando,
                                                           de por todos talvez.                  
o que a vida queria,
        por todos os votos,
                era surgir em morte.
                                             
                                              [variedade de espécie,
                                              varejeira dos netunos]
                                              pouso de manhã banal,
                                                             era sem raios,
                                                              de um tal dia.
que não raio,
mas que brilha,
em outras terras.                          o homem é besta do mundo,
                                                     o homem é filho do dono,
                                                     assassino dos mestres.
alguém além de ser,
pode ser sem saber,
com quem sabe de cor o cair do chão, o tremer da terra, as sinuosidades e objetividades, os óbvios no traduzir e indiferentes para filosofar, que são um raio de sol que se perde sem força por uma nuvem fina sem que chegue ao solo, ele não tem coragem, de ao menos tentar morrer vivo. já fui homem, menino, tô precisando mesmo é ser um animal.     

Humberto Fonseca  
 
 
 
 
Novas Métricas-II  (O Espaço)







eu falei,
a mim mesmo,
que era ela.
mas ela era dele.
dele ela ela.
triste sou, mas são um do outro.
                                                        o homem'cruel,
                                                        não sente dor,
                                                        mas desanda.
os braços,
da vida,
te ama.
                                                                            em vão,
                                                                            em nada,
                                                                            es tu.
                    saiba sorrir antes de crecer,
                              e cante o seu lábaro,
                                     de viver'alvo'alegre.
 
                                                                  nos campos da imensidão,
                                                                         nos rios de esquecimento,
                                                                                nos ares da liberdade.
                  talvez,
                  tu fosse,
                  a mesma alma de agora.
                                   o corpo também é objeto,
                                   que se usa,
                                   que não se guarda...
                                                      
                                                           até o tempo,
                                                           toma nossas vestes,
                                                           num dia qualquer.
                                                           de verão'inverno,
                                                           outono'primavera,
                                                           de um quando...

lave o,
e venha ver,
no meu rosto,
o meu sol raiar.
 As negras trevas amada querida agora são fontes que se embriagaram pela mistura, são fontes misturadas de todas essências em uma só água, que corre, despeja e espalha-me pelos vales. se tu notares não vai ter nota alguma de que estou'estive, mas estiver'quando saberás. Versos de partir qualquer coração eu carrego, mas para manter o meu seguro e em ritmo eu sinto a biopsia que as luas fazem em meu ser, esse apodera mento de encantos regionais sobre a alma'embevecida, tomada ao tempo, esperando que alguma, tome enfim a decisão, de me permitir raspar-lhe as carnes.
tu deves,
estar,
como estou.
                        mas finges,
                           bem mais que as esfinges,
                              que se fingem deuses.
                                 
es deusas'moças poderosas,
a putas'insana,
bêbadas ensandecidas,   
cheia de miseric'ódio.
senhor,
dai-me,
o alvará?
                      minha,
                              alma,
                                     sumiu.

Humberto Fonseca


          Novas Métricas III - (Mastigar Poesia - Praia da Ilusão)
Mastigar Poesia

mastigar poesia,
comer o tempo,
suprir'as-supras'renais,
debaixo dos pinheiros...

         
         o mundo é lindo,
               o limite é limitado,
                     presente de imitação,
                           é o que dá e o que se faz.
                 
                                                                      se o sereno,
                                                                      que se fez sem sol,
                                                                      tomar o ar,
                                                                      vaporiza.

  teu mar encantado,
  em praia da Barra,
  nas pedras magnéticas,
  poderosas, ondas magnéticas,
  donas de silêncio,
  pertencentes do remoto,
  tão calma,
  e sombria,
  era,
  a tua voz surgindo das ondas.

                                   [sou cego,
                                    quando vejo o celeste].

                  tua divinez,
                       imersiva,
                            transitória,
                                   me capta.
                                       ao branco do'luar...

 no entardecer de um sonho.
 __ me vinhas assim:
  "Descalça, de vestido, sobre a areia a segurar o colo, (eu tentava olhar pra baixo e não conseguia), tinha um foco de luz, era como uma imagem "olho de peixe", onde só tinha o centro como fonte reveladora das lembranças, e era tu o fundo esplanado, de cor rosada, pele de pitanga, saputí'morena a desaflorar, a correr, a rir, não sei pra quem, não sei pra onde, mas estavas feliz... essa parte que visualizei do seu vestido era linda, em V, bem decotado, com ombros aparecendo, no aperto do tomara-que-cai, mas que não caía'nunca..."
...do qual me fez recordar um poema, que aqui mofava nas escrituras velhas, composições que não mostro, que são poesias muito indiferente a tudo que me pertence por esses espaços porque acredito ser elas a minha condutora na escrita, me refazendo nessas métricas.



Praia Da Ilusão

                                Sempre que tenho tempo,
                                        Desligo-me dele.
                                             Durmo acordado,
                                                   Levanto deitado,
                                                       Ando parado.

                    Na praia da ilusão,
                          Um louco lúcido,
                           Com papel e caneta...

                                                  Não vê sol,
                                     Seco-me na chuva,
                           Não ouço o trovão.

      ... vejo raios apagados.

                                      O maremoto é uma onda,
                                                 Não existe lixo algum,
                                                                   Com o beijo...
                                                           Volto dessa ilusão.

__ Foi um sonho...?
 
Preciso dormir de novo.
 
 
Humberto Fonseca
 
 
 

 
              
 
                
          
 
 
 
            Novas Métricas IV
          (Ventos Uivantes Ouvidor)
 
 
 
 
 
 
 
 
 
sim terra,
onde estás?
   a rocha é o continente,
         nesse verde'claro,
              de ventos uivantes.
                             a leitura é bela,
                                   e as imagens,
                                          a sentinela.

                                                        do pardar do dia,
                                                        escutando o bulinar das águas,
                                                        no bate fura de todos os tempos.
                                                        o peixe que não vem,
                                                        a fisga'física de armar-se,
                                                        para se abominar de natureza.
                                                        existe amor'a'si,
                                                        e a si'próprio.
                                                        meu'teu'latim!
                                                        o explosivo,
                                                        em apurar,
                                                        diverte,
                                                        seduz,
                                                        mas a mim,
                                                        não é digno.
          
... há esses mares. sal violento. tempero que me vem aos ares. é preciso ouvir mais, é ouvir mais e calar-se. homem te livra de vez da vulnerabilidade de acreditar no improvável, de reduzir o que de si é de outros, de não tomar conta além do que pode, infelizmente tu vives feliz.
   os contos,
      em reflexos,
           desmonte'momentânea,         trabalhas com o que tem,
                                                       sem tempo grave,
                                                    nos confrontos'confortos.
                                                                venha sempre,
                                                        as cordas'bambas,
                                                  condecoro,
                                          na cor ourada,
                                   tua partilha.
                                                                  o milenar que vi hoje,
                                                         era parado,
                                                 neutro e perdido no tempo.
                                                                 
                                                        dia des'pertubado,
                                                        amalucado de nada,
                                                        na rasura que passa,
                                                        em ventos pré'nocivos.
                                minha alma deleita,
                                meu corpo ferve,
                                mesmo vendo as águas geladas.
                                  
                                                sabemos,
                                                que naturalmente,
                                                não sabemos nada,
                                                ao ampliar esse saber,
                                                feito de alguma nova.

(que métrica terá,
)as conchas de carne,
(de nossa música.
                                    eu sei,
                               que travei a batalha,
                         seduzi a guerra,
                   fui soldado,
              matei.
        aqui parece tempo de sacrifício,
              as panelas,
                   as marcas,  
                          um Ouvi'dor,
                               falando'trovado,
                                     da parede'sinistra,
                                           quem sustenta os milhões de anos...
 
nas veredas de um amor desconhecido.
 
 
Humberto Fonseca
 
 
 
 




      Novas Métricas V   
          (Na Miúda)

     

      cheguei ao pé,
      do alto,
      no minado,
      ao atroz.
              
                         a      maré       há...       boiar       na       tormenta,

 vislumbro         sem               coragem         alguma,

                       que       meus       olhos             não         fechem.

                                      a torrente,
                                      feita em corrente,
                                      atravessa o rosto,
                                      fura...            
                                                              o vento uiva,
                                                              sua bruma,   
                                                              ao horizonte.
dos rochedos,
água balança,
vira, dobra,
na esfuma,
é tapete.

[céu de luar próspero,
saudade ambígua...]
                                          mergulha nas fontes,
                                          desconhecidas,
                                          da minha alma. 
                                                                               a tua alvura,
                                                                               repleta de medo,
                                                                               ao cordel de cores.


                                               espana o tempo,
                           cascatando             as                mensagens,
                                                     tua voz.
                                           
                                                    brumada,
                                              querendo sorva,
                                                  me iludindo.
                                                     todavia,
                                       as retidões insuperáveis,
                                         é estância das flores.

                                                    no   inverno    o     vento      poroso      toma     posse    de       mim.
                                            delírio  carnal   em   composição   da    matéria   atormentada,
                          encarno-me    com      tudo    que    se     comporta    do    meu     além.
           a vida,
              com ou sem paz,
                     banido da civilidade,
                              em culto prazer,
                                     sem oculto.
                                            a vida,
                                                 é mesmo,
                                                       tão bela,
                                                        que me estou ao tempo.
                                                os sufrágios,
                                           perdidos,
                                    ao agouro,
                               vivem.
               poesia mística,
               o que o corpo,
               te diz.
                                      sou porta,
                                               voz das palavras,
                                                                quando sinto,
                                                                            o teu vazio.


Humberto Fonseca

 
 
Humberto Fonsêca
"poeta-prosa narrador, experimental caótico da neutralidade"