domingo, 12 de março de 2017

Diário de Verão - III - Humberto Fonsêca


Diário de Verão 
III Imbituba - 03/01/2016

Sem Mar
Me vi nos estragos
Sobrevoando nevoeiros
Semi'perdido no eu mesmo de mim.

Caminhei sem vagar
Sem saber onde estar, onde chegar
Conhecendo as paragens
 De onde não foi meu lugar.

O homem é terra, céu, fogo e ar
O homem se perde em seu próprio olhar
O homem pode se achar a sonhar
Quando seu coração começa a falar.

Em todo possível-impossível
Em todo versível-irreverssível
Em todo cabido-descabido Em todo solo-líquido
Em todo chão-espaço
Em todo real-irreal
 Em todo abstrato-sentimento.
As palavras e argumentos
Quase morreram em mim
Quando me vi sem mar.


Humberto Fonsêca

Maceió, Alagoas, 12 de Março, de 2017

 Introdução: 
 Rarefeitos Imbitubianos apresenta:

 "Diário de Verão - III", em mais uma série de poesias feitas de coisas simples, visões do cotidiano, do  que não se pode mentir, do que não se pode esconder, a série de poesias feitas diretamente com intuito de não agredir nem explicar, mas a tentativa mais que usual deste poeta em colocar seu leitor dentro de suas experiências, com o simples compromisso da leitura.

 A série de poesia Diário de Verão,  já é uma das marcas de minhas vivências, de sonhos que foram devastados e realidades que estão sendo construídas, a poesia é um conflito que vive em minhas escritas, cada poema recebe um olhar especial, e um espetáculo particular sobre o momento, é a visão de determinada situação, lugar, ambiente, causo, história, ou, nada mais puro que o verdadeiro sentimento de expressar pela palavra o conhecimento que a literatura tem me gratificado dividir com meus leitores.

 Depois de mais uma temporada de verão na badalada Praia do Rosa, e uma mudança inesperada da cidade de Imbituba, divido com meus amigos locais praieiros, e as mais diferentes localidades que por aqui ampliam suas leituras, o poeta Humberto Fonsêca encontra momentos para estruturar seus silêncios e traduzir os sentimentos, enquanto trabalhava com segurança, encontrava um momento e outro em meio a multidão e movimentação para produzir as rimas, construir a poética da qual não se divulga, da qual não se fala, poesia para mim é coisa séria, e sinto que para publicar as mesmas, encontro um tempo de consciência para não calar a arte, e só depois de muito analisar, e pensar se realmente é o que desejo, busco a inspiração para dividir com os leitores do blog.  Onde descrevo alguns momentos sem indiretas, e um tanto quanto longe, de meus neologismos usuais da escrita.

Boa Leitura, seja sempre bem vindo!

Poesias, artes, divulgações, troca de ideias, envie seus trabalhos, vamos conectar as artes e nossas produções.

 Atenciosamente,
 Humberto Fonsêca
 Contato: humberttofonseca@gmail.com




Imbituba - 03/01/2016
 Poema "Um"

 Embora, Um vão

Adormeci em meus mistérios,
Sobre acordado de imensidões,
Sôfrego em revoltas,
Misturando-se em expectativas de sonhos,
Cansei dos mesmos desafios.

  Trabalhei exaustivamente,
Sem cansaço, tempo bom, tempo ruim,
Dias maus, dias belos,
 Atravessando meus hemisférios.

Poeta casual do combate,
 Insignificante aos poderes,
Menosprezado pelos certos'incertos,
 Rarefeito sem sistemas,
 Com o grave peso de cada sonho sem malícia.
Sobrava em mim a voz,
O grito constante,
De simplesmente ir embora.


Imbituba - 03/01/2016
Poema "Dois"

 Sem Sinais de Dias,

Sem Sonhos
O homem é coragem e coração,
Notando ele que a vida perde a emoção,
Muito pouco ou nada faz sentido.

Ser oco, seco, disperso,
Perdido de sentimentos vagos,
Parece que seu espírito morre em cada esquina,
 Por constranger suas relações existenciais,
Com as contradições pessoais,
 Iremos seguir com as habituais perseguições.

 Todo lugar perde a essência,
 A esperança de mudanças,
Nestas continuadas pérfidas ambições,
 Entrosamos os destinos,
 Com as revoltas sensoriais,
Destruindo a si e ao seu próximo,
Paradoxalmente distinto,
Sem respeitar as diferenças,
Por estimular aparências.

 A queda da sabedoria é o preconceito,
A quebra dos conceitos provocadas por egoísmos,
Só nos trazem simbologias violentas,
De manias sem juízo.


Imbituba - 03/01/2016
 Poema "Três" 

A Violência Em Vida

Qual a motivação
Qual o sentido
 O que te inspira
O que te faz sentir-se traído
Majoritário penalmente
 Para fazer parte dos homens salafrários.

 Roubar sonhos e ideias
 Plagiar desejos e sequelas
 Se vangloriar de sabedoria ignorante
Mostrar-se impactante
Enquanto por dentro reges o enfraquecimento
 Temível e constante.

 O poder do trauma é mau poder
O poder da violência é mau poder
 O poder da ignorância é mau poder
O poder do julgamento é mau poder
O poder de se achar que pode tudo

 Também me dá o direito, me faz pensar em poder lutar contra o poder.
 Sinceridade e ambição é natural
 Observação é a possibilidade
Mas aceitar a violência em vida,
Para mim não!


Imbituba - 03/01/2016
 Poema - Quatro 

Não Julguem Meu Trabalho

Calce meus sapatos,
 Calce meus sentidos,
 Calce minhas falhas,
Calce minhas glórias,
Não imagine ou copie como faço,
Apenas seja você com as ideias,
Que mais parecem paranoias.

 É o dom da perseguição,
Que crias as más ações,
 Porém todo método e qualquer oculto,
É osciladamente descoberta.

 O povo discute aquilo que não entende,
 Inventam o que acham, e o que sentem,
Acostumados com seus egoísmos,
Criam modismos que se despedem,
Estudam morosamente o momento,
 Para roubar até possíveis pensamentos,
Dentro de realidades e mentes artificiais,
 Criam o que bem conhecemos,
 Criticam as novidades por serem simples,
Copiadores, programadores, plagiadores,
Que nunca fizeram algo importante,
Mais se importam como tais.

Esquecidas em suas mentezinhas menticáptas,
 Incapacitadas e guiadas por códigos,
Na dificuldade de entender,
Plantando o verde pra colher maduro,
Inventando histórias de outros mundos,
Pensando a frente,
Mas com os olhos de quem está lá atrás,
Supapam soslaios para criarem os erros,
Numa busca insensível,
De sentir, pensar, ter o que penso,
 Sem saber que as coisas estéticas,
Nunca estiveram juntas do coração.

Mostra-me o que escreves,
Mostro-te o que penso,
 Mostra-me como fazes,
Mostro-te como crias,
 Mostra-te como es,
Mostro-te como sou.

O ser humano não precisa de máquinas,
 Softwares, programas, discos rígidos,
 Para simplesmente sentir-se humano.

 Só as alegrias, tristezas, dores,
 Pensamentos, sonhos e principalmente,
A realidade será capaz,
De você um dia,
 Não julgar meu trabalho.


Imbituba - 03/01/2016
 Poema - Cinco

 Esperas Teus Desejos

Minha profissão é ser destemido,
Tudo que aprendi, na prática,
Foi lutando, pensando,
Pesquisando quando raramente,
 Me havia uma hora vaga na batalha.
Creio ter salvo uns dez soldados Ryan,
 É preciso defender-se constantemente,
 Para quem vive maquinando,
Atacando, julgando, criticando,
Copiando ideais mesquinhos,
Ao invés de estarem criando.
 Comecem a criar,
Parem de se importar,
Com a inteligência alheia.

O mal da ambição,
É não da voz, força a capacidade,
 A suas ideias e intuições.

Se estás obstruídos de inveja,
Trabalhas com amor em meio a guerra,
 Sabe-se que assim,
Ao menos saíras vivo.

Bates em qualquer coisa enquanto martelo teu juízo, te enviando uma palavra sábia.

Um mandamento sadio,
 Uma passagem de abrigo,
A solução ao que parecia perdida,
 Foram os custos baixos,
A pouca força competitiva,
Que te fez buscar incentivos.

 O ser humano criativo.

Não obstante torna-se imprevisível,
 Avivado nas boas práticas,
De seu instinto intelecto.

 No mar alto das minhas paixões,
Navego sentimentos intensos,
Valorizando cada memória,
 De boas causas, de maus entendimentos,
 Meu palco e terreno,
Meu sereno é veneno,
Meu ódio amoroso violento.

Te guardas amigo do ódio,
Te guardas amiga da ambição,
Te guarda amigo do que é fácil,
Te guarda amiga de vãs vaidades,
 Te guarda amigo dos anseios,
Te guardas amiga dos preconceitos,
 Te observas também ao meio dessas guardas,
 Sabes que a verdadeira beleza espera teus desejos.



Imbituba - 03/01/2016
 Poema - Seis

Os Falsos Projetos

Dignidade e sofrimentos,
 Na escrita, realizações,
Esquecimento do eu próprio,
Na constante busca imprecisa, imprevista,
Rumando na incerteza.

As ambições nos tornam pobres, débeis,
Caso estejamos fora dos contrastes,
Em singular ponto continuativo,
Desprezando as verdades por possíveis soluções.

Testamos enganações próprias,
Todos os dias em todos os momentos,
Quem se arma de verdade,
Nunca usa armas.

Munido de consciência,
Sem propor experiência,
 Casuístico dos estudos,
Fazem das impossibilidades,
 Verdadeiras pontes institucionais.

 Os esforços técnicos, metodológicos,
Matriarcais em nossa natureza,
 Ecoam as mentes sábias.

Degenerativos propulsores,
Riem na falácia intermitente,
Sem conhecer a seriedade,
Na obstrução dos sentimentos.

Pensam, mas não fazem,
Dispensam comentários,
 Indispensáveis do conhecimento.

 Dobram mentes como entendem,
Consomem o improdutivo,
 Mascam os desvalidos,
Resvalam no improviso.

Com fuga de ideias,
Empossados de cognitivos,
Sensoriais de extremos,
 Provam e aprovam,
Tudo que não necessitamos,
Com a fajuta lei da pressão.

Namoradores da imperícia,
Artistas negligentes,
 Sem fontes de batalhas,
Nenhuma honra ou heroísmo,
Trovadores do altruísmo,
Com visões panorâmicas,
Criando constantemente,
Os falsos projetos.


Imbituba - 12/01/2016
Poema - Sete

Tudo Enfim, Teu Seu Fim

 Quantos dias a saber,
Sem saber,
O que pensar,
O que dizer,
Disperso de sentimentos,
Nas ébrias porfias cadenciadas.

Métrico na estação,
Sobre os picos mais altos,
Nas ligações do meu império perdão,
Poder nas ondas dos sentimentos.

É o fim, do finito infinito,
Na conclusão sonora,
Nos raios-rádios do  meu coração,
As pontes distintas subliminares,
Arredondam ângulos,
 Nas portas semi-abertas do imerso,
Direciono o poder contra o poder,
Explodindo os efeitos ignorados,
Na redoma de minha consciência.

A rainha deita na rede,
Se liga e desliga,
Codificando os ouvidos,
 Saturando as escutas,
Rumando em ruas elitrizantes,
Suas redes óticas,
Fibras oculares da falsa alegria,
Trama o jogo e escolhem o perdedor,
Armam assim as linhas dos sistemas.

Escondido entre o amor e o ódio,
Nas pesquisas dos pensamentos,
Busca-se antecipar,
Elucidar, induzir, especificar,
Traduzir, conduzir, alimentar,
 Copiar transpirando a calma, na linha mais alta,
 Na maior amplitude,
 Amplificadas em transformadores de seres,
 Conduzidas por âmagos sentidos,
 Sobre a ganância dos ódios.

Sobreviventes do pavor,
Copiadoras de veneno, perfiladoras de seres,
Plagiadas em todas e todos,
Tentam e continuam com os planos,
 De nos induzir a ser induzidos,
 Pelas vozes e sentidos automáticos,
Dispersas na hora da verdade,
Encontrarão em algum momento,
A sincera responsabilidade de que;
Tudo enfim, tem seu fim.


Imbituba - 15/01/2016
Poema - Oito

 É hora de Renascer

É hora sim meu bem,
É hora em todo horário mundial,
É hora em todo horário universal,
É hora em toda névoa que embola,
É hora de todas assembléias,
É hora de vermos,
Nosso povo renascer,
 Ao conferir os sinais,
Dessas transmissões, canais, receptores.

Meu alvo analógico,
 Vai atacar o HD, está cor, lilás,
Que transforma o verde em roxo.

Vejamos qual força está sendo mirada,
Se vem da esquina, das costas, ou da estrada,
 Das antenas, dos anéis, das caixas amplificadas,
E porque fingem estar desligadas,
 Se na verdade estão mais que ligadas.

Quem é o alvo dessas ordens, De quem ordena ou de quem faz?
De quem são esses poderes?
 Federais, estaduais, municipais, pessoais?

Saber não é poder,
 E todo poder vai ser combatido.


Imbituba - 13/01/2016
 Poema - Nove 

O Diário

 O que gosto deste diário,
Além do verão,
É poder escrever de qualquer forma,
Falar a situação,
Entreter minha revolta,
Ao mostrar a condição.

Transformadores de alegrias,
 Meus neurotransmissores sentem,
O abalo, a dor, as pancadas,
Da queda do baque ao abalo,
 Pois o que a mente revela,
O coração não esconde.

Saio com meu diário de corpo e alma,
Sem imaginar o teor indignante,
Sobre as falácias de ordenadores,
Olhando as viradas de quadros cegos,
 Sem esquecer qual palavra deve ser usada.

 Se liguem, se instalem, se induzam,
 Magoem-se em lamúrias de sinais,
Repetidores do mesmo instinto,
Nunca vão tocar nos meus sonhos.


Humberto Fonsêca

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