sábado, 19 de dezembro de 2015

Minha Cultura - Prosa Poética: Humberto Fonsêca

 
 
Minha Cultura


 Novamente sobre a superfície desses celestes instantes, me proponho a confidenciar meus múrmurios sobre as tempestades inexistentes. O remédio é desconhecido, e a cura impossível, já que a doença pessoal e a decisão é uma solução que devem serem tomadas uma por vez.

Dias impossíveis,
Noites intermináveis,
Horas inacabadas,
Minutos que não passam,
Segundos que não contam.

Em toda espécie de pensamento sem fragilidade, a cada recomeço, em cada tomada de decisão, o parapente da alma se distraí com as realidades quase impossíveis, quase irreais, afinal de contas, a vida tem esse sabor de estância bela e desconhecida.

A beleza estar em ser,
Sem ter,
O que quer que seja,
O que quer que se tenha,
O que se quer, e o que sequer imagina.

 Travando as batalhas que não comportam nossos miúdos e desmiolados causos confusos, nas impossibilidades cruéis de ter o que realmente se precisa para viver, o que se realmente precisa ser para se conhecer, não como produto fútil, mas como a realidade pode nos amparar nessas nostálgicas solidões imprevisíveis, onde poesia é alimento, sustento, força intelectual, e sobretudo pessoal para manter todo corpo preparado em uma única manifestação de mostrar aos conhecimentos cabíveis tudo que ainda está desconhecido.

I Bienal de Graffiti de Belo Horizonte
 





A realidade choca,
O abstrato confunde,
A paciência se devora,
A gratidão espera,
Em doçura salobra...





Esses dias, quase que incoerentes nas minhas retinas acesas de sonhos, os olhares não conseguem perder-se um único instante, a mente sem revolta tenta e consegue, com muita luta e aflição criar inspirações vividas, ou quem sabe que possam serem revividas, substituídas, nas melhores e piores condições deste tempo irreconhecível na minha falácia grosseira sendo cooptada em naturais satisfações contraditórias.

Dias esvaziados pelos ocos distúrbios,
Noites devoradas pelo pouco sono,
Manhãs apagadas em instantes sonhos,
Tardes totalmente parciais,
Sobre madrugadas de aurora vindouras...

 Sofrimento é o doce sabor da vitória. Nesta reinvenção invariável, sem misticismo, na tática contra os opressores, desencadeando as mais distintas explosões pessoais, sentir é melhor que pensar, e as vezes pensar, é simplesmente impossível, apenas forte e imprevisível para conseguir os objetivos. A realidade não figura, ela transcende todo comportamento esquecido.


Graffiti: Rica de Luca 




Metropolitana, afro-regional, utópica,
Viés de contradição,
Amparo de solicitude,
Solenidade de bravura,
Confusão de solidão,
Martírio de venenos instintivos...


 De mostrar nas adversidades todas as nossas capacidades, solitários e instintivos nos momentos de íntima perseverança mútua, acreditando um no outro, tocando livremente em todos os espaços, ocupando cada canto escondido de nossa mente, solicitando a todos os nossos desejos que possam ocupar cada parte de nossa mente através de nossos sonhos que foram conquistados em todos os momentos de lutas pelos objetivos que nunca escondemos, somos hábeis ao tocar, esperar, entreter, usar a arte afim de parar os momentos mais importunos, afim de saber e conhecer a chama que corre dentro de cada um, onde o peito arde e as esperanças afloram, onde temos que acalmar os ânimos e lutar bravamente com a paciência e disciplina que os verdadeiros combatentes são capazes de instalar nos mais altos estágios de sofrimento que a vida nos possibilita para induzir todas as nossas expectativas em realidades que nossas observações e trabalho alçam, enfim, alcançam a nossa perseverança em simplesmente, entrar em qualquer campo para o duelo bem combatido, e a vitória mais que esperada depois de tanto trabalho árduo.




"Se as ordens não eram claras, era culpa do general que os soldados não obedeciam, mas se as ordens fossem claras eram culpa dos oficiais subordinados se as ordens não eram obedecidas".
Sun Tzu




 Nessas estradas que tanto percorremos, a luta se faz presente, é cada dia uma batalha, e cada sentimento uma nova alucinação que desencontra as mais esperadas soluções dos delírios em nossos objetivos, os seres não suportam as pressões cotidianas, enraízam suas passagens pelos cantos e tentam nos esconder em labirintos que conhecemos bem todas as saídas, vencer não é apenas uma simplicidade natural de nossa exposição, mas uma técnica alcançada por definição de trabalho e tempo, é hora de crescer e não se importar com o ataque inimigo, pois não estaremos mais enfrentando a nós mesmos, mas sim um inimigo que também fez seus sacrifícios para chegar até este momento, mas sem que possamos esquecer, da nossa capacidade, da nossa força, do nosso poder coletivo ao lutar nessas guerras que parecem serem infinitas, solidarizando ao conhecimento que todo grande mistério na vida sempre tem um fim, preocupamos em certificar-se de que não basta "vontade e solidariedade", é preciso presença de espírito, estar aguerrido em suas virtudes conhecendo cada instante sem presumir ou aguardar que as soluções cheguem aos nossos pensamentos. Testar as capacidades é um erro, pois já deveríamos conhecer nossas virtudes e conhecimento pessoal para quebrar as barreiras mentais que podem ser transpostas ao invés de resvalar em nossos conceitos atrás de uma postura de opinião ou crença, os valores do ser humano são preciosidades desconhecidas e intocáveis, mas a nossa inteligência e perspicácia é uma invariável da qual os mais hábeis guerreiros podem conhecer sem ao menos esperar de onde veio a experiência e técnica exercida através da arte em esperar o momento oportuno para a grande virada de soluções e sentimentos.








"Use um ataque direto para combater, e um ataque indireto para vencer"
                                                        Sun Tzu









Com a falseabilidade,
De uma poesia qualquer,
Ainda vou conhecer,
Deste que é o tal,
De amor.

 Do amor próprio, essa substância real que nos faz cair em trilhas e armadilhas de sentimentos paupaveis, onde conseguimos tocar nossa essência, que assim como a fé, exige de nós a total confiança e percepção para assimilar com consciência até onde podemos ir e suportar nossos próprios registros de inconsciência.

 Nascemos com propósitos? Crenças? Instituições? Governos? Padrões estéticos e culturais moldados? Pode ser verdade, ou não pode?  Mas para o ser, a criança, está completamente fora de cogitação, todo este ambiente será moldado pelos pais e por suas escolhas perante aos moldes de conhecimento e educação que serão empregados para formação adulta. O que influencia o nosso conhecimento sobre estes fatores relativos a vida comum é a formação que vamos aprender durante nosso período de crescimento familiar, este sim podem interferir na formação do indivíduo e assim formar uma postura social da qual o ser humano possa ser inserido, verificado, testado, da qual ele faça parte para um todo não como um objeto, pois, se suas diferenças e pensamentos não forem assegurados pela liberdade individual estaremos também comprometendo todo um período de conhecimento intelectual do qual eu só posso associa-lo a repressão. E a repressão familiar, é um duro contágio para os saberes de qualquer criança, jovem, adolescente. Assim como podemos seguir o time que o pai torce, as novelas que as mães assistem, o ser humano também pode ser completamente diferente ao alcançar sua maturidade. Pois assim sendo teríamos um boneco criado para assegurar as vontades pessoais de futuros "projetos", não de uma vida comum que vai se apresentar no futuro com suas próprias escolhas e valores, crenças e capacidades, e principalmente, será um ser quase incapaz de lutar com as forças da natureza, com os conhecimentos distintos e imprevisíveis, pois em um universo metafisico, estamos em vantagem por ser racionais, mas nossos instintos devem estar apurados para desenvolver diferentes conhecimentos em diversas partes da vida e os seus mais diferentes momentos, sejam eles criados para tal evento, sejam eles a fonte de toda uma vida, ou sejam eles inusitados, sendo este ainda mais grave, pois o ser humano sem o autoconhecimento e formação crítica, analítica, social, dificilmente saberá julgar suas capacidades para enfrentar as adversidades da vida cotidiana. Mas, caso este tenha um futuro reservado, tipo rei, príncipe, (o que já é muito raro na sociedade atual), estaríamos criando filhos e conhecimentos totalmente retrógados e distanciados dos métodos contemporâneos do qual fazemos parte.


Quem garante que o ser humano pode ser completamente ajustado a métodos educacionais? Será que estes professores (de uma dita escola assim digamos) estão completamente fora da casinha ou adentrando aos martírios dos desejos pessoais ao praticarem preconceito e repressão social como uma forma autentica de educação institucional? Quem garante que uma educação institucional, governamental, ou até mesmo privada é um método de excelência, sendo que ao nos tornarmos adultos teremos que exercer o auto conhecimento como ferramenta "mor" para nos guiar aos fatos cotidianos e assim poder discernir a razão e a moral o certo e o errado, entre outras esferas sociais do conhecimento humano. Assim como as ferramentas desconhecidas não existem dúvidas quanto aos saberes? Não existe dúvidas da sua própria existência? Não existe dúvidas sobre os conhecimentos? Não existem, diferentes visões de mundo, espaço, e lugar?

 Tendo como um molde de visão, dona de invariáveis, podemos definir que assim nasceram as pequenas e grandes cidades, e sem elas, não podemos memorizar nossa história dentro de qualquer sociedade, pois:

"A paisagem é objeto de mudança,
constante e obrigatória,
sem fundação ideológica."


Humberto Fonseca



 

Olhares Entre'Linhas Poesia: Humberto Fonsêca

 
 
                Olhares Entre'Linhas...

"Meus dons e poesias foram adquiridos em lugares inóspitos, subalternos, nos vãos do submundo, em guerras contra as estrelas mortais superiores, nesses efeitos sem molduras de uma galeria de arte montada aos cacos e espetáculos da subjetividade nunca sentiram-se enfraquecidos, meus dons e poesias, e pelo mais adjetivo sentido que possa dar; toda condição contrária é a forç...a propulsora para que possa se reencontrar com a minha essência, minha naturalidade, minha capacidade, minha maturidade, e se em algum momento parecer que foi abalada, não desespero-me, pois sinto que meu renascimento pessoal não foi criado através de nenhum movimento ou arte".

Só o tempo pode definir o final do combate.

Nossas transpirações, em viver aguçadamente diante das batalhas, é o que transforma a inspiração em um simples trabalho, de ser, existir, estar presente e assim transcender as objeções, pois, não fomos obrigados aceitar certas pautas, conselhos, manifestações...

    Aceitar o que? de quem? porque? para quem? se os benditos não sabem o que fazem ou se sabem, cabe a mim dispersar minhas energias em contra-tempos isolados de um caos do qual se conhece?

    Todo aprendizado não-formal, pode e deve, tornar-se conceitual, depende de quem vê, depende de quem olha, depende simplesmente, de você.

     Será que nossas opiniões ultrapassaram a consciência e o saber coletivo? Seríamos nós ainda movidos ao autoconhecimento? Ao conhecimento deliberado? Ou as formações políticas majoritárias atuantes? Esquecemos do Hurricane que existe em nós? Se somos nós que em algum momento pagamos nossos estudos, quem pode ditar ou discutir nossa educação? E todo aprendizado e conhecimento adquirido ao longo dos anos, será que foram eles ensinados por qualquer inconsequente desprezível? Será que tantas bombas e socos na fuça foram apenas para ter um bom treinamento e suportar as dores? Será que todo preconceito entre esses mundos conceituais e acadêmicos é apenas para ser mais um ser podre destes pensamentos populistas endêmicos e racistas? Será que não pode haver orgulho individual pelo que se sabe, pelo que se conhece, e principalmente; pelo que se domina com arte, nunca com violência? Será que nos tonaremos tão mais miseráveis que os miseráveis que imploram? Será que estaremos no meio de um furacão sem sentido criado e propriamente dito para iludir vossas concepções? Será que meras "conexões", "contatos", "significados", "simbologias", "códigos", vão continuam valendo mais que seres humanos de verdade?

Humberto Fonseca

#sóotempopodedefinirofinaldocombate

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Através da Força - Poesia: Humberto Fonsêca

 
Através da Força
 
 
Eu luto com minhas dores em batalhas poderosas,
As vezes contra o destino,
as vezes contra o inimigo,
as vezes contra o impossível.
 
Sempre contra mim, a favor de todos,
Sabendo sempre, que o vencedor não só deve lutar com a coragem,
Mas sempre em busca da verdade.
 
O homem transita em todos os espaços,
Pensa em viver fora de orbita, estria louco de seus pensamentos?
Esquece dia após dia a amplitude que é seu coração...
 
Nesta matrix de movimentos,
Através da força eu vejo músculos de pensamentos,
Enrijeço-me sobre todas circunstâncias,
Eu sobrevivi, através da força.
Resistência, ódio, amor, solidão, devaneios lúcidos,
A cidade que me toma conta,
Construiu no seu prazer a morte do meu viver,
Reabilitei o meu instinto, o meu sentido, o meu estado natural,
Eu que limpo os ares, molho a terra, o concreto,
Doei rios e recebi esgotos, doei fauna e flora,
Me restituíram com desertos, prédios, viadutos, pontes sem sentidos,
Totalmente destrutíveis na saudade de meus entes,
Meus plantios de frutas, flores, ervas medicinais,
Restou escalpo, pedaços vazios da minha melhor beleza...
 
Eis a cobrança. o preço, o pagamento,
Um futuro incerto do qual sabemos,
É o cabimento do descabimento,
Da falta de competência, ciência pela incompetência,
Desnaturalizando tudo que um dia já podemos ter chamado de vida.
 
Entrelinhas, tu me vês, finge, cega, e não me tocas,
Perde-se entre todos os rumores destes passos apressados,
Olhas em rostos perdidos, nem se encontra, nem me encontra,
Sou ferrugem, fel do óxido, rumor do carbono,
Assim é minha natureza, destrutiva, construtiva,
Imperando todos impulsos para sobreviver,
Através da força, naturalmente.
 
Estou em teu corpo, na tua sede, no teu sentimento áspero,
Sobre a falta de sensibilidade, sobre a falta de tudo que não lhe falta,
Eu sou a natureza, devassa, bela, genial, incorruptível,
Intangível na hora da revolta arregaçando os espíritos podres da face da terra,
Simplesmente, puramente, com todo meu poder,
Sem dó nem piedade, através da força.
 
 
 
Humberto Fonseca

domingo, 22 de novembro de 2015

O Poeta Quer Falar - IX - Poesia: Humberto Fonsêca


O Poeta Quer Falar - IX

Graffiti - Rica de Lucca
 

O poeta quer falar;
Sem estética, na tática métrica,
Simbiose'ando,
Os efeitos dos dilemas,
Nas abstrações dos problemas.

O poeta quer falar;
Deste convite ao lugar,
Do caos no sol,
Rarefeito perfeito,
Sobre as secagens do tempo,
Mascando a ultravioleta do olhar.

O poeta quer falar;
Não do progresso,
Nem do sucesso,
Tampouco de seu regresso,
Desmascarando rupturas,
Simbologias, codificações.
Quebrando os tablados das alianças alheias,
Sobre as rajadas da palavras seminuas.

O poeta quer falar;
Deste mistério que é o egocentrismo,
Deste espetáculo que é a falta de empecilho,
Desta covardia que é a covardia sem sentido,
Desta falta de caráter que faz mascarar os perdidos,
Desta mesquinhas malditas vozes em círculos.

O poeta quer falar;
Na sua memorável trajetória,
Apunhalado pelas histórias,
Focado na concentração,
Nunca nas vitórias,
Sobre cada verso vivo e falado,
Dos causos que não foram esquecidos,
Tampouco apagados,
Pois diante de tanta filosofia de vida,
O que falta é o filósofo pensado.

O poeta quer falar;
Da maldição do ócio,
Na falta recreativa,
Obstina-se ao sensacionalismo,
Perdem-se na moda, no engano, na superficialidade,
Engajam-se nas trapaças, nas trocas, nas farsas,
Como se a vida de guerreiros estivessem em barracas sociológicas.

O poeta quer falar;
Que eles desejam entender,
O que nunca vão viver,
Que eles desejam saber,
O que não querem aprender,
O que não vão reconhecer,
Que desejam opinar o que nunca deveria ser questionado,
Que são malfadados por natureza,
Inescrupulosos por sapiência,
Obstinados contra a arte,
Enclausurados nos falsos juízos,
Diamantados de preciosos prejuízos,
Esvaziados de erros-errôneos-errados.

O poeta quer falar;
Desta funcionalidade obscura,
Desta saúde sem cura,
Nos olhares maliciosos,
Ambiciosos de tudo que pode e não pode,
Sorrateiros da sorte,
Soslaios dos capotes,
Caídos no chão da própria morte.

O poeta quer falar;
Deste silêncio prensado,
Dessas falas caladas,
Destes planos sem sentidos,
Destas iluminações sem cores,
Nas mais insalubres situações,
Percorrendo caminhos de fugas,
Sem lutar, procriar, insistir,
Criando a maldita covardia,
Em retranca retórica,
Dos viés sem avessos.

O poeta quer falar;
Que não se enganem amigos,
Eis o passadiço,
Os arcabouços, calabouços,
As pontes,
Grades, grilhões,
Falsas condenações,
Pois fomos liberto,
Por crer, servir e acreditar,
Que nossa revolta natural,
É a instância,
Nessa busca pelo respeito as leis,
As nossas próprias leis,
Quem for podre que se quebre,
Se foi pelo tempo,
Ou por mal sustento.

O poeta quer falar;
Que não vai se condicionar,
Não vai apadrinhar,
Tampouco ser apadrinhado,
Muito menos afilhado, afiliado,
Esculacho de partidários,
Escrúpulo de faccionados,
De qualquer que seja,
Quem quer que esteja,
Em algum momento,
Lutando contra sua contra-cultura,
Hoje, amanhã, depois...

O poeta quer falar;
Que sua mensagem,
Não é viagem,
Não é passagem,
Não é coragem,
Não é verdade,
Não é falsidade,
Não é nada do que pensam,
E muito mais do que pensam,
Sem contar que sua sabedoria,
Foi procriada ao meio de indiferenças.

O poeta quer falar;
Fazer compreender, entender, questionar...

Pois o poeta sabe,
Que ser poeta,
É não ter nada pra falar.

Mesmo assim,
O poeta quer falar.


Humberto Fonseca

 

Ser Poeta - Poesia: Humberto Fonsêca


 
















"Ser Poeta"



Que profissão,
Que destino,
Que amargura,...

Quais vitórias,
Quantos tropeços,
Quase nenhum sucesso...
Quantos questionamentos,
Sociais, políticos, educacionais, familiares,
Quantas mascaras feitas, refeitas, desmascaradas,
Quantos sentimentos, sentidos, realidades,
Quantos sonhos, ambições, realizações,
Quantas paixões, amores,
Quantas decepções, desavenças,
Quantos entendimentos, sociologias,
Quantos estudos, técnicas, aprendizagens,
Quantos cursos que não tiveram nenhum curso,
Além da palavra, dos objetivos, dos instintos...

Quanto me pagam pra ser poeta,
Quanto me deram pra ser poeta,
Quantos fizeram por mim algo que me fizessem poeta...

Quantos martírios,
Quantas lágrimas,
Quantas solidões,
Quantos perdões,
Quantas brigas...

Terei eu ainda pra suportar,
Pra sustentar,
Que não sinto ferida ou dor alguma,
Para seguir adiante das desavenças,
Nesta obscura profissão,
De ser poeta.




 Humberto Fonsêca

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Retrospectiva - Verbos Curtos - Projeto Musical de Literatura Poético : Humberto Fonseca & MaicknucleaR

 
Vou tentar fazer uma retrospectiva com algumas poesias e textos no blog... "Mesmo sabendo que ninguém passa por aqui pra ler e conferir os mesmos..rsrs
 
A poesia e a música sempre foram as minhas armas para enfrentar todo esse caos social e político do qual estamos vivenciando, e por incrível que pareça cada dia mais próximos, as vezes me perco nas escritas do blog ao tentar escrever uma linguagem mais formatada, uma poesia diria que quase "estilista", não confunda com "elitista", pois uso o blog como um filtro difusor do que componho, e dificilmente apresento por aqui a essência de minha poesia, mas suas bases, características, algumas influências, sempre busco ocupar esse espaço da web com algo que acho inovador de minhas escritas, e que podem não serem muito bem recebido pelo público, mas é essa ideia, até porque quem gosta de agradar são os cínicos, me pauto em colocar a poesia em questão, e dificultar a introdução do leitor com o entendimento da mesma, pois como artista vindo da periferia, e conhecer diversos autores, não tenho como difundir este tipo de escrita no meio dos mesmos, pois a vida que pede socorro não deseja se fundir em questões de entendimentos poéticos, visa a ação, a comparação, o protesto, a indignação, a proposta do suburbano e questões subdivididas acabam por negligenciar as verdadeiras funções dos escritores nos palcos das periferias. Não quero colocar aqui nada como crítica, mas como a opinião de quem conhece as periferias e suas artes, seus artistas, e principalmente em como se portar diante e dentro dela, e consequentemente entendendo a falta de interação com os modelos literários e até mesmo a função da literatura. Da qual temos por sinal uma literatura de reação dentro das periferias, surgindo como fonte de proposta com foco na leitura para o fortalecimento das culturas. Concluo, que minha poesia, não é diferenciada, nem especial, nem culta, nem periférica, mas que além de unir meus ódios, anseios, indignações, e propostas sociais, eu coloco acima de tudo o que eu cultuo como cultura e educação de vida do momento, que faço cada recorte da poesia com sensibilidade e naturalidade para exercer minha principal função no blog, simplesmente lhes mostrar minha capacidade como escritor. 
 
 

MacknucleaR - Humberto Fonseca
 
Começo essa retrospectiva com um projeto musical experimental que foi criado em meados de 2009 com meu mano de letras MaicknucleaR, Verbos Curtos era um espetáculo de músicas autorais com poesia falada da qual apresentávamos em diversos espaços culturais e muitas intervenções urbanas na cidade de São Paulo. Após a fundação do "CICAS" (Centro Independente de Cultura Alternativa e Social), da qual a gravação abaixo é realizada na biblioteca do espaço, nós como escritores do espaço precisávamos exibir as propostas do espaço cultural, conhecer outras pessoas, meio que fazer o marketing de inclusão com outros artistas para angariar o apoio voluntariado, do qual com essa ideia podíamos assim atingir em cheio esse público e ter como atitude a respectiva presença desses artistas para conhecerem o CICAS e assim fortalecer as propostas do espaço cultural na cidade.  Como artistas e poetas, ativistas sociais, difundíamos completamente a nossa essência e capacidade de interatividade para angariar novas amizades e diferentes coletivos, intervenções, apresentações teatrais, shows com bandas, entre outras atividades para o espaço do qual você pode conhecer um pouco mais em: https://www.facebook.com/projeto.cicas?fref=ts
 
Agora, se quiser conhecer um pouquinho do meu trabalho com música e poesia, intervenção artística com meu mano MaicknucleaR, é só da o play e curtir um pouco dessa performance do Verbos Curtos
 
- Verbos Curtos - Humberto Fonseca & MaicknucleaR - 2009 - CICAS -
 

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

O Poeta Quer Falar - VIII - Poesia: Humberto Fonsêca

 
 
O Poeta Quer Falar



O Poeta quer falar;
Da revoltas em pressão,
Do poder explosivo no circuito padrão,
Das confianças perdidas em meio à multidão.

O poeta quer falar;
Que já renova o instinto,
Encabula os distrito,
Remove todo pano do chão.

O poeta quer falar;
Que foi timidamente atacado,
Muitas vezes por pretexto de preconceito,
Mas vê nas falhas o ar da falta de respeito.

O poeta quer falar;
Que já era sem tempo,
De saber o circuito com defeito,
O estágio dos refeitos,
As falhas humanas de quem pensa ser máquina criando o problema e o efeito.

O poeta quer falar;
Da pisada frouxa e passos marcados,
De quem sabe a hora que vamos sair,
Mas não sabe como vai chegar ao nosso estado.

O poeta quer falar;
Dos momentos que pegou eles em flagrante,
Das dosagens que não nos encantam,
Das falácias de pura ignorâncias,
Dos agouros em nossa estâncias,
Das invejas sobre nossas temperanças,
Da falta de credibilidade,
Destes homens que sabotam o que nunca fizeram,
E não consertam o que é da gente à sério.

O poeta quer falar;
Dessa tal covardia,
Que parece maestria,
Em poder obrigar os que pensam,
Seres bestas tontas em manias,
Impactados de costumes perdidos,
Sofrendo em silêncio seus próprios castigos,
Acompanhando com soberba a nossa rebeldia,
A nossa intolerância,
A nossa sabedoria, constância,
A virada com a oportunidade no tempo ruim perante a bonança.

O poeta quer falar;
Que os choques não doem,
Que o poder dos maus não nos corroem,
Que seus segredinhos nefastos não nos destroem,
Que suas caras fechadas não fazem medo,
Que seus segredos para nós são breves ensejos.
Pelo contrário impulsionam a virada da palavra que ressoa os breves feitos.

O poeta quer falar;
Da pressão, da reaparição.
Da confusão que causou,
Ao descobrir que até mesmo nos guard-rails,
Eles se defendem em truques que nunca foram segredos.

O poeta quer falar;
De sua vista bloqueada sobre a panorâmica,
Dos acessos fechados na leitura dinâmica,
Das oportunidades sistemáticas feitas de propósitos com semelhanças,
Das covardias em copiarem os modelos mais incríveis e simples,
E por não terem coragem de admitirem que fizeram e o que dizem.

O poeta quer falar;
Que aqui na sua voz não tem engano,
A palavra vai de encontro a mente e ao lombo,

O poeta quer falar;
Da ira que foi registrada,
Da covardia que foi anexada,
Da carapuça que foi arrancada,
Da falta de intimidade dos que se dizem perfeitos,
Da falta de sinceridade dos que se dizem perfeitos,
Da falta de honestidade dos que se dizem perfeitos,
Da hipocrísia ambiciosa dos que se dizem perfeitos.
Da maldade infectuosa na cara larga dos que se dizem perfeitos.

O poeta quer falar;
Que não tem como falar em poucas palavras,
Que a revolta de seu instinto renasce nas brasas,
Que seu ódio é amor aos que não conhecem a verdade.

O poeta quer falar;
Que não se envolve, não se vende, não se compra,
Que não conhecem, não desconhecem, não se comportam,
Que continuam as suas batalhas,
Deixando de honrar troféus por migalhas,
Esquecendo que atrás de todo campeão,
Existe um trabalho árduo,
Os momentos únicos,
Os segundos das concentrações em impulsos,
Em celebrar a capacidade que não vai cair nos absurdos.

O poeta quer falar;
Dessas e outras histórias,
Das idas e vindas em nossas lutas sem Troia,
Sobrevivendo feito Esparta,
Nobre, puro, justo, verdadeiro,
Sentindo na dor alegria sem apelo,
Criado na guerra sem ser justiceiro,
Batendo no destino que desenharam,
Para criar um caminho sem torres quadrangulares,
Sem bases fortes, sem sinais instintivos, destrutivos,
Quebrando as leituras mentais e corporais,
Destruindo as falsificações de ideias e ideais,
Espancando as bulinações que diferem das regras,
Quebrando as sabotagens, que vão desde as mais avançadas tecnologias,
Aos lugares onde jamais bramares, 
Lembrando que somos mais que guerreiros genuínos,
Quando assumimos em meio a nossa plebe o que tanto insistimos,
Ao honrar que soubemos louvar as derrotas,
Para assim conhecer nas técnicas as sonhadas vitórias.

O poeta quer falar;
Espancaremos sem dó nem piedade a bagunça,
Os palcos, os falsos teatros, e seus atores rebeldes que fazem sem fazer o que não se pede,
Eles gostam de usar o que nunca conquistaram, gostam de sujar o que nunca limparam,
Gosta de ofender os que nunca conheceram,
Gostam de ludibriar quem não podem ser ludibriados,
Fingem-se de bestas tontas sendo os mais perversos e inteligentes malvados.

O poeta quer falar;
O poder não suporta repressão ao poder. O poder quebra,

O poder esfarela. O poder desce pelo ralo,
O que o poder não suporta nem nunca será capaz de suportar são pessoas com poder em suas mentes, Poder de libertar, poder de manifestar, poder de questionar sem protestar,
Poder de replicar sem inquisitor, poder de não obrigar, poder de não usar a violência,
Poder de até mesmo usar as táticas mais violentas para bestificar os violentos,
Poder de não ferir, mas o de curar, poder de fazer o errado acertar,
Poder de não fazer o acerto errar, poder de viver, sem subestimar, pressionar,
Poder de artimanhas poderosas, que juntas tornaram-se simples atitudes de poder,
Assumindo enfim, a digna certeza de que,
O poder da competência, é o poder da resistência.

O poeta quer falar;
Fazer compreender, entender, questionar...

Pois o poeta sabe,
Que ser poeta é não ter nada pra falar.

Mesmo assim.
O poeta quer falar.



Humberto Fonseca

 
 

domingo, 30 de agosto de 2015

O Poeta Quer Falar - VII - Poesia: Humberto Fonsêca

O Poeta Quer Falar - VII
 
 
 
O poeta quer falar;
Dizer seus absurdos sem pensar,
Pois já pensou muito,
Agora já não pode parar pra imaginar.
 
O poeta quer falar,
Das "Poucas Palavras",
Que "Pode Ser Diferente",
Em todos seus "Sonhos",
O espetáculo "Já Demorou",
De apresentar este "Inquérito".
 
O poeta quer falar;
De quando persistiu no "Levanta e Anda",
Pensando em "Nóiz",
Suando com a "Zica Vai Lá",
Nas noites solitárias do "Hino Vira-Lata",
Sobrevoando "O Glorioso Retorno De Quem Nunca Esteve Aqui".
 
O poeta quer falar,
Dos dias que pensou em "Quando Eu Morrer",
Sobrevivendo nas noites em "Quando Éramos Reis",
Em cada momento de "Que Assim Seja",
Sonhando nas batalhas e "Muito Mais",
Em seus objetivos, "Virando A Mesa",
Com as causas de nossa "Gratidão".
 
O poeta quer falar;
Das lutas de um "Samurai",
Com "Foco Na Missão",
Guerreando dentro das "64 Linhas",
Sempre evitando "Pra Não Dizer Que Não Falei Do Ódio",
Na força bruta de "Foco, força, e fé".

O poeta quer falar;
Que as canções são seus braços de mar,
Que as palavras oriundas fazem seu ouvido revoltar,
Que os ensaios deste homens o fazem inspirar.

O poeta quer falar.
Que a dor já se recuperou,
Mas o verdadeiro prazer estar em amar.

O poeta quer falar;
Que sem ter lua,
As ruas devemos olhar,
Que se não estiver nas ruas,
Não devemos pelas frestas espiar.

O poeta quer falar;
Que são as velhas manias,
Que nos conduzem aos velhos atos,
E que são os velhos atos,
Que nos levam a estar fora de nosso espaço.

O poeta quer falar;
Que é preciso estar pronto para aprender,
Mas para isso temos que estar aptos para escutar.

O poeta quer falar;
Que a superioridade que ele mesmo conhecia,
Ele a deixou enterrada no mar.

O poeta quer falar;
Que seus perseguidores,
Vieram de longe, e mesmo em terra desconhecida, ou em casa,
Voltaram a sofrer as suas palavras no ar.

O poeta quer falar;
Que não conduz terras,
Não induz homens,
Não supera limites,
Não arquiteta estereótipos,
Não deseja o óbvio,
Não cansa de tentar sossegar a paz contida em seu ódio,
Não espera encontrar junção de repúdio,
Não provoca ciúmes,
Tampouco deseja estar sobre a própria constatação de que elas não podem o parar.

O poeta quer falar;
Que tudo que o que foi vivido,
É tudo agora que o faz replicar,
Prometendo ao que reprime,
A nossa evolução é causa sublime.

O poeta quer falar;
Fazer compreender, entender, questionar...

Pois o poeta sabe,
Que ser poeta é não ter nada pra falar.

Mesmo assim.
O poeta quer falar.



Humberto Fonsêca
 
 
 
 


quinta-feira, 27 de agosto de 2015

O Poeta Quer Falar - VI - Poesia: Humberto Fonsêca

O Poeta Quer Falar - VI





O poeta quer falar;
Da brincadeira que parecia história,
Da história que parecia brincadeira...

O poeta quer falar;
Do sonho que era irreal,
Do sonho que tornou-se verdade.

O poeta que falar;
Das maculações que inventaram,
Das inverdade que suplicaram,
Das renúncias que fizeram,
Do sucesso que ofereceram,
Das cláusulas em mistérios,
Que abandonou um castelo,
Pra viver nas ruas e conhecer os desejos em sentir os seus próprios impérios.

O poeta quer falar;
Dos desejos que foram abandonados,
Do desejos que foram compartilhados,
Das carências necessárias,
Dos fatos envergonhados que o fizeram vencer essa história.

O poeta quer falar;
Da pancada da palavra,
Da paulada averbada,
Da cacetada fraseada,
Da voadora soneteada,
Da cambada versada,
Da lapada textual,
Da luvada poética,
Da fala trovada,
Da melodia gritada,
Da embolada cantigada,
Da sinergia em plectro,
Que teve que viver muito,
Pois teve que viver muito pra operar da janelinha,
E não pegou o bonde andando,
Conheceu nas entrelinhas,
O pegou com a poesia,
Quebrou divas, malacos, e divãs de muitas linhas.

O poeta quer falar;
Do espaldar, do caminhas, do lutar,
Do viver, do sonhar, do não se obrigar,
A constantemente ter que mudar,
Para os mesmos objetivos caminhar.

O poeta quer falar;
Das tretas, facetas, das rainhas e reis que se tornaram pernetas,
dos poderosos que se trancafiaram,
dos coitados que se levantaram,
Dos fracos antes oprimidos hoje revoltados,
Que não pode desistir de ser quem é,
Para mostrar o que seremos no futuro esperado.

O poeta quer falar;
Que carregou suas armas,
E nelas só tem palavras,
Armamento universal,
"Armamento Visual",
Cantos, rimas, poesias,
Prosas, versos, ideologias,
Guerrilha verbal da guerra fria.

O poeta quer falar;
Dos ataques pela direita,
Dos rolamentos pela esquerda,
Dos cruzados de primeira,
Da cabeçadas certeiras,
Das habilidades refeitas,
Das horas de treinamentos e incertezas,
Enfim, de ter esperado que na hora do mate ou morra,
Ao menos treinou com tudo que não tinha,
Adquiriu o que podia,
Vai bater forte sem perder a melodia.

O poeta quer falar;
Do ribombar das águas,
Da sensação de ter raio em palavra,
Da inusitada causa,
De entrar no campo desconhecido,
Pisotear no fundo e na palma,
Ao sentir o borbulhar das falas,
Por terem desacreditado dos quem se humilharam,
Para que Deus os ouvissem na hora de receber o quanto sonharam,
Enfim, dentro de suas preces, seus conhecimentos mestres,
Os fizeram espelhos de ilusão aos que os copiaram.

O poeta quer falar;
O poeta quer, quer, ele quer falar,
Que não é mais poeta, nem asceta, nem ódio, nem remessa,
É paulada no crânio, religião de malandro, quebrada obscura que nem os zômi andam...

O poeta quer falar;
O poeta quer, ele quer falar,
Ele vai dizer sem dizer adeus,
Ele vai falar somente com Deus,
O seu verdadeiro companheiro que o faz ser poeta sem ramelar.

O poeta quer falar;
Em meio ao silêncio,
Da ausência dos anêmicos,
Caladinhos de seus epicentros,
Assustados sobre o que não poderia ser possível,
Mas sofrem vendo...

O poeta quer falar;
Fazer compreender, entender, questionar...

Pois o poeta sabe,
Que ser poeta é não ter nada pra falar.

Mesmo assim.
O poeta quer falar.



Humberto Fonsêca

 

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

O Poeta Quer Falar - V - Poesia: Humberto Fonsêca

 
O Poeta Quer Falar - V



O poeta quer falar;
Da terra sem lei,
Que ele viveu, destruiu, e porém, a revê outra vez...

O poeta quer falar;
Dos insultos nela vivida,
Das palavras dos covardes em derrocada na partida,
Das vitórias que pareciam impossíveis mas foram obtidas.

O poeta quer falar;
Que as bocas se abrem sem mistério,
E o povo se vende a céu fechado e aberto.

O poeta quer falar;
Que não nos cabe frustração,
Pois sempre soube,
Que o povo prefere viver e se humilhar a corrupção.

O poeta quer falar;
Que muitos não têm força,
Porém sua força vem de seu próprio calcanhar.

O poeta quer falar;
Que pressente o perigo,
Que veste a roupa de sempre,
Pois pode mudar até mesmo seu sentido, mas não vai se enclausurar perante uma possível soberania.


O poeta quer falar;
Que os códigos foram decifrados,
Os espíritos se entregaram em seus próprios conluios criptografados,
E reúnem-se em todo lado, região,

O poeta quer falar;
De um possível brilho inimigo,
Mas sabe que na "Guerra da Arte",
É preciso mais que artistas, mais que autores, grafiteiros,
É preciso mais que cantores, rimadores, prosadores,
É preciso mais que cordéis, poemas, haicais,
É preciso organização, e dedicação,
Para arte enfim tornar-se longe de lisonjas e falcatruas.

O poeta quer falar;
Que a tanto não tem visto arte de verdade,
Mas a sua verdade de artista segue viva.

O poeta quer falar;
De que a guerra é verdadeira e se aproxima,
Que seu rap não confunde indicio com provas à paulatina,
Que segue determinado na batalha da vida.

O poeta quer falar;
Que não está para os benfeitores,
Pois onde o mal reina, sempre fora também seu terreno conhecido,
Pois muitos são poetas, poucos são poetas, muitos vão querer ser poeta,
Mas só mesmo quem é poeta sabe reconhecer um verdadeiro poeta.

O poeta quer falar;
Que viu seu clipe passar,
Que viu sua história virar,
Que viu seus tombos no ar,
Que viu seu sangue jorrar,
Que viu suas marcas a perfurar,
Que senti dores até não mais aguentar,
Que sofreu tudo quanto um ser humano poderia suportar,
Mas enfim, o poeta agora parece querer se armar para descontar.

O poeta quer falar;
Que não planejou momentos,
Não compartilhou tempos,
Não desmistificou sentimentos,
Não mostrou nada aos seus inimigos,
Além de desprezo, além da falta de conhecimento, além de não ter pretexto,
Além de sua força, de sua capacidade, sua interatividade, de seu poder com adversidade,
De sua capacidade de viver em meio a todo tipo de covarde,
Além de ser superior nos debates, pois não deve-se calar a sua verdade,
Pois assim como tudo na vida é mais que difícil e imperativo,
Mesmo que caminhe na terra do inimigo,
Pra derrubar um poeta verdadeiro é preciso mais que vontade,
É preciso mais que seriedade,
E antes de tudo,
Quando se olha na cara de um poeta marginal, deve-se ter coragem.

O poeta quer falar;
Que não vê brilho de esperança,
Que não acredita em mudança,
Que segue sozinho,
Pois os que poderiam ser diferentes,
Tornaram-se iguais a seguidores de crianças,
Baba-ovo dos sem esperanças,
Empregados dos mesmos de sempre que não merecem seu respeito tampouco confiança.

O poeta quer falar;
Das batalhas no mar,
Das batalhas na areia,
Das batalhas pelas cercanias das vidas alheias,
Das batalhas que foram sofridas,
Das batalhas na cidade,
Das batalhas nos campos,
Das batalhas nas estradas,
Das batalhas nos entraves,
Das batalhas que eles queiram ou não foram batalhas vencidas,
Das vitórias que muitos pensaram não serem as nossas teias.

O poeta quer falar;
Que é dia de confronto, e o jogo parece que vai começar.

O poeta quer falar;
Que não existe hora, momento, é em qualquer tempo,
Que não tem respaldo aos homens violentos,
E que não vai respeitar os opressores desse sistema mais que fraudulento.

O poeta quer falar;
Que se foram eles, são eles novamente,
Que não apenas descobriu, como sabe plenamente, que já derrotou-os várias vezes,
Porem por mudarem de time, lugar, cara, rosto,
Ainda não conseguiu gravar, deixar claro, fazer o parecer,
Porém, se vem do subconsciente, o poeta sabe que não é da mente,
Seguem com as mais estúpidas táticas de quererem lutar novamente..

O poeta quer falar;
Que se o passado persiste,
É porque o presente que desejam é diferente do que desenhamos,
Querem modificar o que desdenhamos,
Querem implantar o que nunca sonhamos,
Querem dizer quem somos sem que sejamos.

O poeta quer falar;
Que todos podem desistir, e não mais recomeçar,
Pois se nasceram para ser escorias, este poeta não deseja participar,
Só que se cair no caminho do poeta,
Este também vai ter que atropelar.

O poeta quer falar;
Fazer compreender, entender, questionar...

Pois o poeta sabe,
Que ser poeta é não ter nada pra falar.

Mesmo assim,
O poeta quer falar.




Humberto Fonseca

 

sábado, 22 de agosto de 2015

Palavras Tântricas - Prosa Poética - Humberto Fonseca - Texto Extraído do Livro : "As Montanhas Do Homem Adormecido"


                                V Palavras Tântricas

                                          "Vou tingir de sangue essa maravilhosa gente obliqua".
 
                                                                              
                                                                                                                                                                           Humberto Fonseca








  Ó Deus dos deuses. tome-me em seus braços para que não haja mais desgraças. a tragédia evocada assucedeu-se, e martirizo agora minha alma nos gelos da eternidade por ser criado após tua imagem e semelhança... que traços tenho eu, que corpo é o meu? que alma me pertence, encontra-se em qual alameda... minhas ternuras estão toda em romotidão, no fundo, do fundo, do fundo, de'minh'alma. meu corpo reprova esta ação da alma. meu corpo reprova e quer desvairar-se pela mente. "logo quem sempre teve mente liberta retê-la é um crime maior do que o que está sendo pelo subconsciente repreendido..." (não cometer é sofrer), maldade veloz corre dentro de um coração que vos digo também ser maldoso, daqueles prontos para morrer e matar na ponta da espada, (os melhores corações são os perfurados), já não batem , dão trabalho, amam... que só bate enquanto tem vida, e sua vida é bater... desistência me reprova. desistir me aficciona ao locurismo, me solta nas raias para que nade do amanhecer ao amanhecer, "não há cadeias nos mares", supostas ilhas e correntes sim, é preço da liberdade pela solidão de viver em paz e sem luz de energia elétricas que quando saem de corpos alheios é para te descarregar... o mundo te suga. e as pessoas te matam. mas todos estão unidos há um bem só. sobre'sofrer vivendo de sobrevivência ou riquezas volumosas, (umas soam ricas as vezes só na mente) mas sempre no conjunto do corpo e alma, independente dos valores que se criaram entre as mesmas raças. nenhuma paga a outra o que vale. e ninguém na realidade, que cheire o que feda, não é melhor que ninguém, *"os olhos, por enquanto, são as portas do engano; duvide deles, do seu, não de mim", eu me ajuntei, e assim como os animais não passo meu tempo olhando espelhos, caricatura mental só, fusão de conhecimento...

"É preciso um pouco de lerdidão pra se ver a velocidade"...

  Palavras as vezes nos assola de cadeias. prende-nos. imagina-se além delas suas realizações. o que é este jogo desencontrado procurando o fim de um limite... se é que pode um dia ter limite sobre as palavras escritas, ferre-se o limite! tudo pode ser descrito, mas experimentado nem sempre; é preciso ter "voiz da'imaginação" para se ter o presente, em meu desfazer se encontra esse viver-experimentado; falar no passado o que o presente nega é dar-lhe ao futuro toda sua forma e pilares, e sem sustentação me evoco a falar, dizer, e repetir poetazinhos de merda; "não precisamos descrever os olhares humanos" mas as reflexões são disparos que tem de serem miradas e dadas nos olhos e coração, é onde talvez se encontre os princípios mais vacilantes deste tal humano, (até porque as mentes de hoje são mesmo de camarões, de merdas!) "tiro certeiro como bala que já cheira à sangue", o jogo oriental delas e das palavras é só pra compor a orgia... aos adiantes verso diferente a cada vítima.

  O enganado jogo mental enlouquece. saiba mais bem sobre disso do que dos loucos. "é imprescindível admirar as vidas, as peripécias, a tosquera, o sublime, a erudição, "os maiores do qual se dizem serem os grandes" e os menores que se sentem mais pequenos, sem ver o que é impermeável e está minando em sua estrutura me enlouuuquece!!!! porquê a vastidão pode ser curta, e estar mais próxima de sua loucura do que você. tudo é terrestre mestre, sentido (por estes pés) quando não encaramos esses espelhos... mas ainda assim há de ver aqueles que se miram a ver-se diante deles, e se acharem parecidos, ou diferentes demais, (até me conecto com esses que parecem) e porquê existe uns que não se parecem com os demais? e a pirofagia de não ser ne ele mesmo? que não se olha no espelho... seria por estar mais pronto? __ faz-me olhar no espelho? ou por saber nitidamente como é... seus olhos vê mais que a semelhança de outros? diferente de tudo? no pensar. no agir. no mover. __ que desgraça é essa que se fez entre a gente... entre outros nada são. a ninguém pertence. desterro? trevas? sapiência de mortalidade obstante... (e tudo são a si mesmo). valor'idade individual nesse aspecto me confundi as estribeiras que estou tentando ferroar, entreabrir, bisbilhotar e comer seu néctar... "meu bem tire tudo... tudinho... e se veja por meus olhos", será a mais bela e comovente visão que teras de ti, (te perderas em minhas peneiras filosóficas, que dispensa toda massa para ter alguns grãos valiosos), venha a este minerador dos escuros, vou marcar entre-lábios cada diamante sujo que tenho guardado sobre estes destinos de que bem sabemos não mais juntar amor e dor, nem que dessa vez preferir-mos ser amante, amor de vento em polpa, que bate nas velas e se apaga com o vento, distanciando-se das proximidades calorosas, aos árticos de nossos trópicos eu te desfiarei, serás uma manga madura pedindo para ser descascada'escaca'cascada, soltando leite pelas entranhas, amarguradamente rosa e amarela de fome se abrigando no gozo que te vence nas mais imprecisas horas de vidas que desconhece a ti, mas no caminhoso de espartame de um lobo apaixonado; só te sacrifiquei por mim. e o bem como a perfeição, não temo mesmo "que as pedras sempre se batem"... como ser que se preste, treino indefinidamente a domar essas onças desmitificadas, em possessão do universo, centradas nas trevas'de'terras'mar, onde o objeto mais usado é aquele que a manuseia.

  Senhor, meu pai; __ porquê tantos filhos? porquê tantos irmãos? e porque "mãe só tem uma?" aí senhor, não tende piedade não. faz ruminar sobre essas fontes de rumores o galardão da improbabilidade... assim continua crescendo as atividades científicas. pela improbalbilidade e existência de Deus. bem'dizer a ciência só existe a partir de Deus. dessas criações misteriosas e sobrenaturais o que tínhamos de exemplo antes era tudo conto de troia, bacanal mistérios, bacanal de nascimento, bacanal do conhecimento, não verso à Bocage, só que "a putaria é a existência e o teor que engrandece a experiência de que somos do mundo", sacrifícios e mortandades, cadenciarão aos deuses mais imperfeitos, aos ritos mais incorporados, era muita coisa contra a vida, contra a super-polação, era para que tudo fosse de um só, ou que esse fosse aterrador de todos, ou que todos enfim julgasse esse, quem é o mentor desse conflito entre o homem e o universo? que lendária invasão é esta que não se aperfeiçoa, se usa, trai e consente... só ela para embelezar este caos e deturpação eminente, contemplemo-las... são muitas putarias, e se me escuso sinto que meus temores já são de outros. como é bom buscar novos medos. novas perdições. saber que os fins realmente tem um começo. desde que ele seja desde o fim o seu mesmo. mas é assim que se acaba com as paródias simplistas e composições uniformes, "alguma criação tem de render", e os primeiros da ninhada podem sim, morrer brevemente. por descuido ou desnatureza. ou... nem todas nascem para ser mãe. umas são puta por assim dizer de natureza. e dedicação apenas a isso é os seus ótimos dias. os dias púrpuros e naturais... dos quais de hoje em diante herdo a missão de ser filho.

Adeus missões. até guerra. chega pessoas; que de longe as posso ver. as posso sentir bem mais que suas presenças talvez... talvez. (sou mágico de mim) a energia é tão positiva ao negativo deste lado que não posso ambientar mais nenhuma áurea, "aqui não se tem risotos e crepes a provar", taças quebradas e poucos talheres, um só lugar, um cinzeiro que se cabe um cigarro, é hora de um ser o todo, porque este um quis ser todo para se ter em um; __ e não funcionou não! foi uma merda, um descontentamento, uma treta de uma pá de zóio que, fiquei só matéria, estou a plantar espíritos para ver quais mudas voltarei a ter como sombra...

Estou com vontade de escrever em poema. mas o texto é e deve ser mais apurado aguçadamemte que palavras jogadas com violência e 3 milhões de entendimentos em cada uma delas... sinta o sabor, masque, coma, coloque algo a derreter pelas enzimas... a fé que move montanhas é termodinâmica neste poema, será longa a viagem de antagonismos, separatismo, como é muy bonito quando amamos nos odiar, nessas métricas sem esfera as paródias, "quem é que não sofre por alguém?" sofrer por mim agora por mim agora é meu fim. que me venhas elas, e não mais ela. que vontade terrível de escrever um poema... saí de mim versos.

A sustentação dessas imitações do (real) mundo que inspira a nos ser jurados. essas glórias de fim de tarde ao começo de noite recíproco, palavras acentuadas ao desconforto... __ e num saí! num me deixa! ainda lembro daquele lazarento do Jones; __ mano... não para com a merda da arte que ela vem te pegar com uma faca... mais uma fase do plano; arte mata! ou seria uma desproposital luvada na cara, no rosto, face, sei lá mais quantos focinhos poderia ter para encobrir-me com essa tal arte. __ está mesmo empunhada de arma branca... (ando tão descarecido e impróprio a esses valores. quero que se foda ela e todos em seu rodeio. não estou a escrever arte...) vou fazer desfeita no que há de mim nessa treva'verbal. os espasmos golpeados agora sombreiam além da-testa, porquê o climão está severo em todos os cantos, agora caminhar sem parar desconfiando sempre de quem vai dar o tiro nas costas? __ NUNCA! nunquinha'mês"! gosto de conhecer terrenos... (é melhor ser amigo deste vós inimigo). já não me importo com o que vocês são, até mais "frevistas de merda!" imagino-me numa guerra qualquer que não fosse essa... sabe quando está'se e axá'se pronto para morrer; a batalha deveria ser o melhor o voto. e não se afugente porquê sou bem mais que capaz de trocar o bom filé por um ramo de batatas, suporte-se de tantos nãos, esse não é esse. (ao vencedor as batatas!), traduziremos em algum idioma essa emblemática ressurgência de utilidade, "é tão poroso o sabor do absinto que me esvaireço com os ares", como se fosse uma obrigatoriedade, "não abster-se e crer que tudo é mais que o outro", sem comparação as notoriedades, todo mundo focaliza uma "simboltudez emergente", será mesmo? que pânico é este que não o sinto? qual catástrofe hoje rolou e vai seguir rolando até os rochedos trincados pelos pés, de altura se eu fosse nada seria. altímetro me reluz um estado... que os anjos não suportariam na terra.



Humberto Fonseca

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

O Poeta Quer Falar - IV - Poesia: Humberto Fonseca



O Poeta Quer Falar - IV
 
 


O poeta quer falar;
Ele ouve o Fim do Silêncio, o perturbo de todos inimigos,
Choram no silêncio de suas almas,
Nas escuridões de sonhos devastados.

O poeta quer falar;
Que o caos que criaram, enfim tornou-se verdade,
O vento contrário sopra, com força,
É a virada dos tempos...

O poeta quer falar;
Em tempos de guerra, ele não se rende,
Não se esconde, corre atrás do juízo,
E de todo prejuízo,
Sem cordas, amarras, trilhos.

O poeta quer falar;
Dos caminhos escuros, becos malfeitos,
Ladeiras obliquas, estradas de asfaltos mau asfaltadas,
estradas de terras planas e esburacadas.

O poeta quer falar;
Sobre as nuvens que passaram sem molhar o chão,
Mostrando as condições, o clima,
O favorável que todos esperam...

O poeta quer falar;
Que em tempos cinzas,
Sua cidade preferida é São Paulo,
Em dias de sol Imbituba,
Em dias de amor Maceió,
Em noites de guerra Capelinha.

O poeta quer falar;
Que começou o insulto, e não vai parar,
Que só depois de pisar em todos que lhe pisaram é que vai buscar sossegar,
Pois o poeta sofreu tanto com seu amor,
Que só agora acordou pra poder também magoar.

O poeta quer falar;
Que já suporta tantas dores impossíveis,
Que as possíveis tornaram-se impossíveis.

O poeta quer falar;
Que não é mais hora, minuto. segundo,
Mas o tempo todo revoltou-se.

O poeta quer falar;
Que não sabe se foi por ocasião, por paixão,
Por opção, por força bruta, intelecto, ou fora de sua razão,
Que abalou os muros inabaláveis, descontrolou os triunfos das chaves,
Quebrou as trancas desses malditos covardes,
Com a destreza de seus ataques,
Mas tem a certeza que no meio desse combate não vai deixar que eles novamente embalem.

O poeta quer falar;
Que conhece tão bem seus inimigos,
Que sabe que foram os mesmos,
E os mesmos retornaram.

O poeta quer falar;
Que antes era diferente, pois sabia os estilos e padrão,
Mas não sabia a cara de como eles eram, mas os vendo,
Concebe agora a vocês o quanto ambiciosos, cobiçadores realmente são.

O poeta quer falar;
Que entende, vê, conhece todo o sistema,
E não irá temer, tremer, ceder,
Vai brigar constantemente,
Até o início, e depois do fim.

O poeta quer falar;
Que deu o start, e não quer staff,
Agora é sem studio,
E que seu sangue arde,
Seu ódio é amor puro,
Indignação furiosa,
Sem luvas quebrando a cara do onipotente,
Dos incoerentes, covardes disfarçados,
Que fizeram sofrer, que pensavam faze-lo sofrer novamente,
Sem ao menos conhecer,
Sem lembrar das derrotas que tiveram contra  a força do poeta desconhecido,
E das derrotas agora enfim o conhecendo,
O dias foram sofridos, as noites inigualáveis,
Mas o poeta revoltou-se, sofreu cada dia como se fosse uma breve passagem,
Poeta de força tática, poeta de choque, poeta que faz as rotas,
Poeta que usa os instintos de gíria federal,
"Exagerado, incomum, fora do normal",
Pois só assim seus inimigos conseguem sentí-lo de perto,
Pois só assim seus inimigos saem das tocaias,
Pois só assim seus inimigos mostram a bunda e a cara,
Poeta este, bravo, retilíneo, sem descrição,
De braços abertos ao combate e corpo fechado aos jogos,
Heróis dos fracos que temiam, e guerreiro dos bravos que o acompanham,
Exibindo de "corpo e alma" aos covardes, corruptos, fracos sobreviventes de bandos perdidos,
O seu tipo, a sua educação, a sua classe, os seus testes, os seus professores,
Porém em tempos que Deus remonta todo quadro do destino,
Seus inimigos vão conhecer a força dos amigos que esse poeta trás,
Já que evaporam nos escuros, não suportam o pavor de ter o poeta em suas provinhas cabais.

O poeta quer falar;
Que vai doer, que já doeu, mas não doe mais,
O poeta só espera,
Que eles superem,
A dor que o poeta suportou,
Calado, sem saber, sofrendo no silêncio,
Torturado nas noites escuras, acordando ao claro,
Mas agora entende,
Que Deus faz a gente sofrer,
Pra só depois descontar.

O poeta quer falar;
Que deseja espancar, mas não vai bater,
Que deseja ensinar, mas vai aprender,
O poeta vai falar,
E que eles queiram ou não,
No melhor estilo alagoano;
"Vocês vão ter que me engolir",
Seja hoje, amanhã, ou já.

O poeta quer falar,
Gritar a todos,
Que a revolução começou,
E não podemos parar.

O poeta quer falar;
Que não é guerra de burguês,
Não é guerra de pobre,
Não é guerra de sistemas,
É guerra pessoal,
E que chegou a hora de confrontar.

O poeta quer falar;
Fazer compreender, entender, questionar...

Pois o poeta sabe,
Que ser poeta é não ter nada pra falar.

Mesmo assim
O poeta quer falar.



Humberto Fonseca





 

sábado, 8 de agosto de 2015

O Poeta Quer Falar - III - Poesia - Humberto Fonseca

O Poeta Quer Falar...  III




O poeta quer falar;
Do que ele não é, do que ele não vai ser, do que ele não será.

O poeta quer falar;
Do que ele não sera contra, a favor, ditador, opositor, negociador.


O poeta quer falar;
Que ele não vai estar presente, ausente, ou fará do seu futuro as lembranças dos erros que já viu e viveu nos tempos poentes, decadentes, intermitentes.


O poeta quer falar;
Que não vai fazer parte, arte, ou tampouco conjugar seus verbos no meio de quem pouco conhece ou lhe conhece, de quem não entende ou percebe, que sua poesia é verdade e não apenas o falar.


O poeta quer falar;
Que nunca viveu de sonhos, mas tem em seus sonhos vivido, e não se ilude com as decepções, pois aspirações constantes da vida os torna sempre ávido para sobrepor novas paixões.


O poeta quer falar;
Que não precisa enumerar seus heróis, seus artistas, seus poetas, seus atores, pois com sua própria arte ele também sabe respeitar e criar.


O poeta quer falar;
Que sua voz vem do rap, que sua rima é pesada, que seu beat é verdade, que sua história cantada faz balas parar, que as palavras de todos aqueles que lhe ensinaram também fazem parte desde já.


O poeta quer falar;
Que não sobreviveu por acaso, que não vive por descaso, que não acredita no presente e nem no passado, pois concebeu que com a vida teve que tudo enfrentar para agora poder te falar.


O poeta quer falar;
Que não vai cair no próximo episódio, não morrerá no próximo tiroteio, não cairá no primeiro ring nem tampouco no primeiro assalto, não vai trocar tiros, não vai revidar desafios, pois o poeta sabe que o drama mais violento, é espancar os ouvidos dos seres violentos que sua arte não consegue escutar.


O poeta quer falar;
Que já disse muita verdade, mas que as vezes não compensa, nem sequer pensar, mas constrói no meio de mentiras castelos de honras e desafios sem limites para fazerem suas verdade falar.


O poeta quer falar;
Que nunca desistiu fácil nem difícil, nem gostou nessa vida de quem ergue sacrifícios, pois o poeta sempre concordou que a vida é mais que desafio, guerra mesmo é entrosar o seu time mesmo que seja ele de um jogador sozinho.


O poeta quer falar;
Sem nomes, sobrenomes, que toda desavença do momento faz o poeta brilhar, e que mesmo parecendo perdido ele não vai parar, de gritar aos quatro cantos, cinco continentes, linhas, trópicos, e toda demarcação que desejam o seu compasso copiar, plagiar, sem conhecerem que a alma do poeta é que realmente fazem toda a história da poesia brilhar.


O poeta quer falar;
Que não se perdeu, que não se confundiu, que não se esqueceu, que não deixou barato nem caro, tampouco irá cobrar, pois entende sabiamente que por cada ato um de nós vamos pagar.


O poeta quer falar;
Que não gosta de jogos, de memorizações, de contextualizações, de uniformes, de ritos, de contextos desesperados, pois foi criado no sofrimento, e nele sempre soube esperar e conquistar.


 
O poeta quer falar;
Fazer compreender, entender, questionar...

Pois o poeta sabe,
Que ser poeta,
É não ter nada pra falar.

Mesmo assim,
O poeta quer falar.


Humberto Fonseca

domingo, 2 de agosto de 2015

O Poeta Quer Falar - II
Poesia: Humberto Fonseca




O poeta quer falar;
Desde a poesia passada, que foi escrita, mas não foi em seu ver vívida.

O poeta quer falar;
Que sentiu o que disse, e disse o que sentiu.

O poeta quer falar;
Dos alvoroços e das esperas, para dizer o que sabe.

O poeta quer falar;
Das revoltas, reviravoltas, do que lhe faz sonhar.

O poeta quer falar;
Que já não sente dores, não cultiva flores, mas sabe observar.

O poeta quer falar;
Da áurea da hora, das esferas entre alvorada e aurora, fauna e da flora, dos instintos naturais que lhe fazem calar, das falácias, dos critérios, das humildades nos barracos, de seu povo que não sabe quem é mas consegue o respeitar.

O poeta quer falar;
Das guerras pessoais, intrapessoais, intelectuais, e da burrice que lhe fez escrivinhar.

O poeta quer falar;
Dos combates vividos, corações partidos, das famílias a chorar.

O poeta quer falar;
Dos tiros ouvidos, nas batalhas sangrentas, de seus rebentos e torturas, de suas armas a orar.

O poeta quer falar;
Dos corpos que tombaram, dos presos que ficaram, no sonho de sua liberdade esperar.

O poeta quer falar;
De seus serviços sem inteligência, de sua ignorância e leniência, da prepotência dos poderes quebrados, de suas flechas, seus arcos, das grades sem espaço, dos corpos partidos cruzados, das forças que o fizeram levantar.

O poeta quer falar;
De seu amor a Deus, dos respeito aos próximos e aos meus, da coragem de lutar pelo que ganhou, da coragem de lutar pelo que perdeu.

O poeta quer falar;
No remoto precipício de suas falas ao luar.

O poeta quer falar;
Que sofrimento é sustento, e quem não sofreu ainda o verá.

O poeta quer falar;
De suas prosas, duetos, serenatas, das canções que ao ouvir e cantar o fizeram calar.

O poeta quer falar;
De lembranças de agora e antigas, que parecem ativas, mas os passados cuidaram de apagar.

O poeta quer falar;
Desse novo velho tempo, desse novo velho mundo, das aflições que lhe fizeram inspirar.

O poeta quer falar;
Fazer compreender, entender, questionar...

Pois o poeta sabe,
Que ser poeta,
É não ter nada pra falar.

Mesmo assim,
O poeta quer falar.


Humberto Fonseca
 

O Poeta Quer Falar

O Poeta Quer Falar
Poesia: Humberto Fonseca




O poeta quer falar;
De tudo que sente, do que lhe faz viver, do que lhe faz andar.

O poeta quer falar;
Das dores que sente, o desconforto da mente, as palavras de seu ar.

O poeta quer falar;
Das causas existentes, das coisas inexistentes, do abandono de seu lar.

O poeta quer falar;
Dar a réplica, na fala, a oitava, todas as vertentes que o fez revidar.

O poeta quer falar;
Que beleza é tristeza, que tristeza é beleza, que a verdade é mentira, que a mentira é verdade, e que tudo que o poeta escreve vem das palavras além-mar.

O poeta quer falar;
Sem consultar cartas, ler mãos, conhecer previsão, no tempo de ser e estar, confrontar deuses de ferro madeira, barro, semideuses e tudo mais que deseja sua fala estancar.

O poeta quer falar;
Dos presentes passados nas histórias futuras,
De tudo que lhe fez caminhar por tantos lugares e ruas.

O poeta quer falar;
Do que sabe e não entende, do que sente e compreende.

O poeta quer falar;
Da minha, da sua, da nossa poesia, do verbo ao dia, da metonímia nostalgia.

O poeta quer falar;
Com sua espada cortando a repressão, com suas dúvidas causando transtorno, solução e opinião, com seus sofrimentos erguendo troféus conquistado de reis pagãos.

O poeta quer falar;
Aos sacerdotes, cultos, incultos, traidores, covardes, verdadeiros, perseguidos, cabreiros, e até mesmo aos poetas corruptos, em seus cultos, plenários, bancadas e circuitos.

O poeta quer falar;
Do sofrimento próprio e alheio, porque foi e de onde veio , sem indagar quando partirá.

O poeta quer falar;
Sem estrofe, texto, soneto,
Sem reflexo, espelho, quadrantes,
Sem mesões, ângulos, triângulos,
Sem mãe ou pai de santo,
Sem hindu, budismo, candomblé,
Sem espiritismo, falsas crenças,
Sem ludibriar, mentir, iludir.

O poeta quer falar;
No meio de heróis e vilões.

O poeta quer falar;
Fazer compreender, entender, questionar...

Pois o poeta sabe,
Que ser poeta,
É não ter nada pra falar.

Mesmo assim,
O poeta quer falar.


Humberto Fonseca

sábado, 7 de março de 2015

Um Balde de Poesia III - Clássica Cáotica da Neutralidade - Poesia: Humberto Fonseca



"Se tu descreveres escritamente as ecritas-críticas,
TuRbiLhAriA-ArTiLhAriA para um golpe de estado..."
Não deste país.

Sabe-se lá o que vivemos?

Você testa...
O boi sabe onde arromba a cerca! Quebra o chifre,
Caí de bunda e senta...


Só assim não fico distante dos afazeres...
                                                                                                         __ te empuro?                 suba no balde?
Prazer-deter-reter-conter-oqê?                              suba... suba...
                                                               __ enforco-te?              __ apertou o pescoço?                    suba no balde?
                                                                                                                                                                                                       
suba... suba... suba...
                                   __ suba no balde?
mas se falou... ... vamos brincar de forca? a platéia aguarda... os engasgos, de teus goles...                                                               suba... suba...suba...
mas se falou... ... vamos brincar de forca? agora prestes, ao fim... eles querem.                   suba...

                                                               __ suba no balde? 
                                                                                                           __ ispíe ? _                  pise em seu fundo? suba no balde?

                                                                                     __apoie sua mão na corda... suba no balde?

estar fora do ar,
Em antena-desnecta, conect-valorinus,
Desvído   de     vista.

Se for morrer, que esteja nas minhas... Ainda terei respeito!  As famílias serão os primeiros a saber; farei memorandos, cartas, telegramas...            
                      Quem for podre que se quebre...              
           Quiz-quais-qualqueres?                                
Repitiste as séries...                                         
           Se foi pelo tempo,                               
                         Ou por maul sustento,
                                                                                         Mau com L ou mal com U.
           Vê quantos mudaram de sala?
                         Você mudou só de carteira...

 
"a cidade...                            "os olhares, "                                       os assuntos,                               toda fera,
que invade,          toques,       por tuas obras,                pulos,           rege os regentes...    tudo,            sendo foragida,
toma-te conta,    batuques,     compro e comparo...    batedeiras,      a língua solta,         balanço,         tem que se defender,
sem conta,           rituetas,      em cada virada...           escoram o...   colorida,             cambalhotas,     achar o que comer,
com honra,       símboltudez.   a mesa tomba,            samba-níquel!    enfatiza!                                     lembrar dos filhos...
sem possuí-lo."                       fui assustado."                                    a meia da vida."                             e chorar."

__ O groove espalha autonomia de novos textos, onde criar é arrematar períodos de supervivência.
Os opostos se atraem, ou o tesão vem ao acaso?