Humberto Fonsêca

sábado, 1 de junho de 2013

Diário de Outono - Prosa Poética - "Dia Vazio" - Humberto Fonseca



 _ Sabe, um daqueles dias, que você acorda sem ira, sem paz, com sentido e sem empolgação, mas com algo nostálgico coando cada segundo que passa, e como se ele não passasse, é uma premeditação do futuro presente, que me faz escrever essa idéia agora...



 Um vácuo de sentimento, responsabilidade corpórea, onde a solidão não é mais amiga nem inimiga, tampouco real, nada mais é do que um raio de saudade que se apaga como o raio saindo do sol para acabar-se na terra, assim pode ser a vida, atravessando todas a camadas, superfícies, sem desviar, cruzando todos desafios, em torno desses quase oito minutos, o que seria a vida para quem sairia de um destino sabendo que seu fim seria na chegada? Ao invés de aproveitar, felicitar pelo seu modo mais natural de acabar-se, toda nossa ciência evaporando, o conhecimento perdendo-se no ciclo, em vão terral dos sentidos, foi assim que levantei hoje.

 Uma felicidade triste, não digo triste, mas diferente, uma felicidade muda, onde a própria não parece ter fim, ao contrário da música de Vinicius, completamente ímpar e par para fazer a soma das divisões... É  que sinto, uma divisão de tantas reverberações, uma compilação de tudo que sei e não queria descobrir, uma superação que me esgota diariamente suportá-la.

As dores passadas escoaram, e tomaram um curso desvirtuador da memória, renascimento instantâneo, computando um não sei o que de quantas vezes não sei... "O mar carrega toda sua hidráulica com a nossa energia", empurrando o vago, o solúvel para as encostas de nossas diretrizes.

 Sabe quando você já não consegue suportar a saudade? Quando a saudade torna-se uma inimiga real e vívida? Te esmurrando continuadamente como se fosse uma solução para que você continue lembrando eternamente...

 Quando a sensação é forte, a impossibilidade constante, sabemos que há solução para a cura, só não sabemos o quando, o aonde, e se virá ser possível estar habilitado para encontrar a real felicidade. E não me sinto triste, tampouco vazio, só desejo falar de um dia vazio, o dia, o momento, não é comigo.

 Transbordo emoções, agonias, paz, esperança, completamente tomado de ilusões e verdades, a poesia é minha íntima companheira sem limites, algoz de leviandade, espiritualidade, e compaixão pelo próximo, entendimento de mim ao meu ser, do meu ser à mim.

 Encontro-me com ela no claro e no escuro.

 Traço caminhos e sinto que estou indo pelo certo, mesmo na contra-mão, mesmo na rota inversa, mesmo que impossibilitado pareça, eu vou chegar na minha caminhada.

 Trocadilhos inoperantes, suspiram com teor essa volúpia inerte, um constrangimento que rasga-se na frente de todo e qualquer sentimentalista barato metido a moralista... Como tenho falado de amor ultimamente, entregando-me de corpo e alma ao desejo da mente, capacitando os sonhos e esquecendo da dura, crua, e vil realidade, "memorando da saudade, bate em retirada, a contra-pé", já estou mais que só, e controlo com inspiração as faltas, não acumulo desejos além da minha necessidade, não necessito além dos meus desejos, e (se é por ti), que seja enquanto for bom, enquanto me der paz e transforme os meus instintos sensoriais em formas incuráveis de motivação, que é onde meus espírito se esvaí, onde minhas formas, cores e constastes aparecem, onde meu corpo luminoso pode aparecer ao teu corpo iluminado.

 Configurações malucas ocorrem em meu cérebro, sem dores, sem sofrimentos, uma calma tensa, sim, poderia batizá-la de "calma tensa", sem estado desesperador, pelo menos até agora. Tenho uma morada em meu ser que busca a paz que suplanta todas as forças, ornando as devassidões, encontrando a calma para implementar o freio aos meus anseios... As músicas, os poemas, foram tantos momentos, que é conformador ter estado contigo em presença, voz, distância e sentido, conexão longitudinal magnífica...

 Será que atravessamos campos magnéticos além da nossa presença, como uma releitura do pensamento, que faz o mesmo ir ao que estamos atraindo, em consenso e condensamento ao que buscamos, podendo em algum instante invadir nossas próprias ilusões e realizar nossos sonhos?

 Conformidade, traí um mistério que nunca soube desvendar, fazer parte, até porque quando crio em conjunto, minhas ideias não tem superioridade, mas a minha organização fala pelo coração, em coragem e decência...

 As vezes pareço soberbo, por dizer plenamente o que penso sem rebobinar sentido ou sentimento, tenho esse mais que direito, mais que esquerdo, mais que qualquer linha administrativa e superior de envaidecer minhas ideias, não à mim, pois o que digo qualquer um pode fazer, o plagio, a cópia, as atrocidades vorazes nunca deixaram de sucumbir os instintos manifestadores de quem sabe o que quer, o que busca, o que sonha, e principalmente, quem ama.

Humberto Fonseca

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