sábado, 14 de outubro de 2017

Poesia - Quatorze de Julho - Humberto Fonsêca

Quatorze De Julho...



Qual data pode significar diversos anos na sua memória?  Seus dias? Sua vida? Quem não tem aquelas datas especiais?  Seja de comemorar o niver, o início do romance, o fim de algum ciclo, ou uma trágica lembrança?

Lembro hoje da minha infância na casa da minha vó, 
Ela morava bem próximo ao SESC, defronte a praça 13 de Maio, no bairro do Poço, 
Para ser mais preciso,
Rua 14 de Julho,
Era onde passava as férias da escola,
Sair da parte alta pra parte baixa de Maceió já era uma aventura,  viagem, 
Da qual eu e meu amigo passava os dias revirando o histórico bairro de Jaraguá, 
Por sinal este foi um dos melhores amigos, o Juninho, 
Do qual anos mais tarde o reencontrei no Graciliano  Ramos com o condinome de "Mascote".

Sempre que minha  família passava por aperto, perreio, perrengues, 
Estava eu a subir no ônibus da Piedade,
Iria em busca dela na casa da minha vó,  ou qualquer palavra bonita que nos alimentasse, 
Pois como era pequeno também não tinha que pagar passagem, no famoso "maião", pela fé iria eu,
Buscar algum alimento, feira, dinheiro, 
Mulher que ajudou sempre,
Com tudo que tinha e não tinha.

Rua Quatorze de Julho, lugar indefinido, 
Data que marcou desde o início, 
Alguns muitos sofrimentos na vida,
Coragem para sobreviver adversidades, 
Do bairro do Poço emergiam memórias físicas,
Tempos de criança  onde a força da vida rompe intelectualismos,
Essa data escrita me assusta, 
Pois fui acostumado quando gravei-a em numerais. 

Quatorze de Julho,
Quatorze este que me lembrou,
A composição "Vinte Nove" da Legião Urbana, 
Só agora escrevendo posso imaginar,
O que o autor passou ou passara.

Quatorze de julho, 
Quatorze rompimentos nos nervos,
Quatorze ligamentos quebrados,
Quatorze derme, epiderme,  endoderme, 
Quatorze cartilagens destruídas, 
Quatorze mais dez pontos na barriga,
Quatorze metros arremessado sobre um guidon, 
Quatorze nano milímetros para sentir o impacto, 
Quatorze segundos sem ar,
Quatorze milésimos para sentir uma dor hemorrágica, 
Quatorze tempos para reabrir os olhos e ver o mundo que não era meu de cabeça pra baixo,
Quatorze milhões de dores,
Quatorze bilhões de neurônios em choque, 
Para somente agora saber dos Quatorze sistemas do corpo humano,
Que ainda seguem sofrendo.

Quatorze de julho, 
Lembrei da rua somente ao recordar a data na ala vermelha,
Ouvindo gritos dos outros como se fossem meus.

Ter estes olhos em serenidade,  apaziguado, 
Em meio a este mundo desordeiro, 
Será lições que irei aprender, 
Com algumas,  muitas vidas,
Pois como disse minha mãe, 
Quatorze, catorze,  ou décimo quarto de julho, 
É minha nova data de nascimento. 

Engraçado o destino, 
Complexo ao nos apresentar certos futuros, 
Mesmo que não tenhamos tomado decisões, 
A vida vira, muda, transfigura,
Como se ordens do universo, 
Encontrassem a perfeição,
Independente do caos que nos causará, 
Lembrei de Chico Science, 
"Que eu me organizando, posso desorganizar, Que eu desorganizando, posso me organizar".
E pode ter certeza,
"Que além de um passo a frente,  você não está  mais no mesmo lugar",
Muito bem sabido foi escrito, 
"Que um homem roubado nunca se engana".

Quem disse que não  há  milagres?
Que não existe fé em Deus?
De quantas provas precisa?
Pois, será  que suportará um teste?

Quatorze de julho, 
Quatorze metros cúbicos de lágrimas, 
Quatorze  léguas de coragem desmedida, 
Quatorze estágios mentais desconhecidos,
Quatorze variantes de atitudes, 
Quatorze mil comprimidos e injeções a tomar,
Quatorze  hectares de uma essência incompreensível, 
Quatorze minutos esperando o socorro, ou quase isso,
Quatorze toneladas suportando superações, 
Quatorze zilhões de memórias desarquivadas, 
Quatorze quilogramas de esperança se transformaram, 
Quatorze vezes na velocidade da luz.

Quatorze,  catorze ou décimo  quarto,
Para vivenciar os tempos da Rua 14 de Julho,
Neste dia quatorze, catorze ou décimo quarto, 
Sei que não existe eternidade ou possibilidade que não venha a ser quebrada, 
Pois desde minha infância,
Já havia sido convidado, 
Para suportar na intimidade meu fascículo de vida.


Humberto Fonsêca 

sábado, 2 de setembro de 2017

Conclusão do Curso - Educaç]ao Patrimonial - Instituto Federal de Santa Catarina - IFSC - Garopaba - A Dignidade Das Expressões


 
A  Dignidade  Das   Expressões

  Assimilar tudo que foi empreendido por estas aulas sobre patrimônio material e imaterial, é uma possível ambientação de conflitos e conhecimentos que fortalecem o saber e a relação de estar no mundo. Minhas visões sociais “quase sempre absurdas e de mudanças radicais”, empregadas pela ação e atuação de coletivos das periferias, onde a cultura nos foi tomada a força pela burguesia, popularizada pela mídia, manipulada pelos nossos antecessores, e que diante de um contexto contemporâneo “poucos são os escritores, historiadores, pesquisadores, que desvelam os níveis intelectuais e acadêmicos da nossa cultura, pois de certo modo, a própria periferia compreende a cultura local como cultura de massas, cultura que; ao ser empreendida pelos próprios moradores, acaba sem ter o devido conhecimento da grandeza que é o estudo sobre Educação Patrimonial”, e aos formadores de opiniões, artistas, coletivos que se organizam, associações, entre outras manifestações locais, alguns acabam por minimizar o impacto que podemos relacionar, a construção histórica dos povos, pois, ao não estudarem e conhecerem suas  vertentes, e raízes, para destruir os conceitos impostos pela burguesia elitista, temos que praticar além dos saberes e fazeres, uma luta constante para a criação de registros, estudos, documentos, arquivos, constituir assim, e impor uma capacidade educacional, "pois se as lutas se constituem a partir da educação", temos que impor a institucionalização das ações  diante das diversidades sociológicas que nos foram impostas.

  • "Introjetam uma percepção de marginalização cultural, ao não saberem identificar ou não conseguirem reconhecer suas tradições culturais no conjunto mais amplo dos valores sociais de identidade social a serem enaltecidos e preservados pela categoria de patrimônio cultural"
Janice Gonçalves

  Com a Educação Patrimonial,  minha postura foi observar e confrontar um artista da periferia, dividir meus conhecimentos, minhas indignações políticas, minhas resoluções coletivas, ao ingressar nesses conceitos acadêmicos, culturais históricos, sociais,  e as diferentes  questões documentais sobre patrimônio material e imaterial, as diferentes visões institucionais e ideológicas,  as diretrizes e entendimentos sobre o que é patrimônio, seja ele, cultural, natural, monumentos, móvel, imóvel, conjuntos arquitetônicos, vestígios arqueológicos, questões de territórios imemoriais, os regionalismos, interferências de relações, entre toda diversidade sobre o nosso país como nos são apresentados, é um confronto do qual este poeta, não se senti herói tampouco questionador, e da qual a luta pela educação apenas iniciou-se.

  • "Se realmente a existência precede a essência, o homem é responsável pelo que é. Desse modo, o primeiro passo do existencialismo é o de pôr todo homem na posse do que ele é, de submetê-lo a responsabilidade total de sua existência"
Jean-Paul Sartre

  As metodologias de alto conhecimento e nível social escolar, é um dos maiores contrapontos do qual posso citar,  empreender nossos “instintos autodidatas” aos continuados estímulos metodológicos é uma árdua batalha para amplo debate na educação, salvo pois, que uma pessoa da qual estuda Educação Patrimonial, já tem algum sentimento e interesse para conhecer melhor qualquer forma de organização artística e social.

  A cultura é tudo que está ao nosso redor, ela sobrepõe ao ser humano, pois deste, exige atenção, respeito, estudo, nos instruí a empatia, nos conduz a se colocar no lugar do outro e internalizar as possibilidades de conhecimentos dos mais variados estilos e povos.  Desde que atestado uma das frases da qual recordo o professor Viegas;          “patrimônio é um campo de disputa”.

  • "Se o patrimônio é visto como legado, compreender quem o legou, como, em que circunstâncias e com que objetivos é fundamental para pensá-lo historicamente"
Janice Gonçalves

  Da expressão de que tudo pode ser patrimonializado, cabe ao educador a sensibilidade para exercer as referências e chegar as conclusões históricas que lhe faz empreender ou designar um registro dos patrimônios culturais e imateriais.

  Conhecer os elementos de territorialidade, as finalidades sociais, atrelar conhecimentos, se permitir antever os impactos culturais ou até mesmo o resgate do que está sendo perdido por falta de inventários ou ações sociais, é uma das capacidades que cabe ao educador patrimonial, exercer dentro do campo de seu próprio conhecimento, uma investigação cada vez mais centrada nos fatos perceptíveis, visando o materialismo histórico, sobre o que pode contribuir para que cada ato de registro tenha uma importância no contexto ao estudar uma localidade, uma arte, uma cultura, uma expressão popular, um conjunto de obras arquitetônicas, as simbologias e referências, ou efetivar uma atividade para solidificar os conhecimentos dos envolvidos, sejam eles pessoas, sejam eles bens materiais ou imateriais.

  Temos a função de uma inovação interdisciplinar, já que "fazer história é produzir história; o olhar da história parte do presente", pois; as memórias coletivas e históricas incluem elementos mais amplos do que afirmam o caráter social da memória e a linguagem. Até mesmo a linguagem é reducionista  a produção cultural, a memória é um objeto de luta pelo poder travada entre classes, grupos e indivíduos.

  • "A história dos registros sempre valorizaram as elites."
Viegas Fernandes da Costa
 
 A questão do patrimônio nos remete sempre ao questionamento das entidades ou elefantes brancos culturais brasileiros, uns em plena efetividade, outros em plena destruição e esquecimento, a questão do patrimônio mostrou-se no curso como um conjunto distinto da qual a elite expressa seus interesses políticos econômicos.

  Compreendemos com a Educação Patrimonial, que a comunidade tem que ser ouvida, quem a articula, quem com elas interagem, quem as protegem, e principalmente, quem as produzem. As interatividades sociais e patrimoniais se constituem como campo de disputas políticas e simbólicas.

   É fundamental que possamos conhecer e resgatar nossas histórias neste período de mudanças culturais tecnológicas, da qual poderia chamar de "ciência tecnológica cultural", pois somos experimentos dos produtos globalizados e sistematizados para compreender saberes e fazeres passageiros, estamos dia após dia perdendo a capacidade de compreender a cultura nacional, são sítios arqueológicos e construções destruídos sem nenhum respeito a memória social, em uma constante internacionalidade artística eufórica e passageira, o país exibe uma capacidade de criação impulsionada por diversos agentes de formas impressionantes, expressando, criando, relativizando diversos tipos de artes e ações, mais significativamente no campo do estudo e socialização das atividades sobre os saberes e fazeres.

  • "Estudar exige disciplina. Estudar não é fácil, porque estudar é criar, e recriar é não repetir o que os outros dizem. Estudar é um dever revolucionário".
Paulo Freire

  Estamos empobrecidos na constituição de melhorar os equipamentos patrimoniais de relevância histórica para o país e os habitantes dos quais possam fazer uso para compreender a temporalidade, os materiais e técnicas, as formas e objetos, as relevâncias dos espaços territoriais, os respeitos as diferentes comunidades, supomos que com o exercício da Educação Patrimonial, podemos ser um agente conciliador, principalmente por difundir e compactuar atividades diferenciadas sobre uma complexa deficiência acadêmica, ao abranger uma capacidade educacional sobre patrimônio social construtiva.

  • "Conservação de monumentos e obras de arte vem do respeito e do interesse dos próprios povos"
IPHAN


 
 Com o impacto cultural através do turismo, sendo este um padrão estético, os patrimônios naturais, onde os ecossistemas, paisagens, formações geológicas, e a memória com relação a natureza, das comunidades que tem o conhecimento dos recursos naturais, podemos estudar através da Educação Patrimonial, elaborar junto a comunidade uma preservação de conhecimentos e tradições, podemos construir com  os melhores usos de ações e recursos, principalmente, buscar coibir com a educação os abusos pelas transformações causados pelas populações, onde a urbanização se aplica a vigor e a valorização e desvalorização dos ambientes torna-se presente, onde temos enfim, uma constante luta pela informação sobre a conservação do patrimônio natural.
  Ao educador patrimonial, o seu protesto, pode ser feito através da formação de redes, grupos de estudos, conhecedores das culturas locais, dos saberes históricos, com a concentração de pessoas e os arranjos dos estudos, o respeito pela biodiversidade e seus entes que podem pensar formas de melhorar uma área que sofre degradações, seja por causa de exploração turística, seja pela falta de especialização de uma comunidade ou região em termos técnicos e científicos que estimulem a capacidade populacional de interagir para proteger suas diversidades, temos unidades de conservação sendo invadidas, áreas protegidas sendo devastadas, ambientes naturais sendo explorados, das quais vejo uma falta de respeito e um plano diretor ineficiente, que deveria constituir-se com ações, ser efetivo para reduzir as degradações causadas por fatores como os que podem ser visivelmente perceptíveis na região de Imbituba e Garopaba, dos quais cito; "Distribuição Ecológica, Racismo ambiental, Dumping Ecológico, Divida Ecológica, Invasões Ecológicas, Ambientalismo da Pobreza", precisamos questionar essa falta de sensibilidade com a natureza e a rápida especulação imobiliária que está devastando a biodiversidade e todo ecossistema consolidados há milhares de anos.
  • "Talvez porque as escolas sejam ruins; talvez porque os pais não se sintam educadores; ou talvez porquê eles passem muito tempo na frente da televisão assistindo a lixo - exatamente como no Brasil."
Gilberto Dimenstein
  Pois temos como elementos da paisagem, onde é visível ações que; a cultura é o agente, a natureza é o meio, a paisagem cultural é o resultado.
  A maior luta para o Educador Patrimonial é certamente uma constante identificação das diferentes paisagens, sejam elas construídas ou naturais, todos os contextos elencados são objetos de observação, estudo, percepção, uma resolução contínua de atributos e conhecimentos socializados, a tempo, história, espaço, valores, tipos de utilização, periodização em comportamentos, onde as identidades além de serem preservadas e registradas, são devidamente respeitadas,  todo consenso de memorialização e organização das ações humanas deixam traços significativos ao modo evolutivo humano social e cultural, industrial, tecnológico, científico.
  Assim como os indígenas não eram considerados brasileiros no tempo do império, hoje podemos distinguir as comunidades, lutar por suas historicidades, cabe ao educador patrimonial, uma efetiva ação de inclusão, todo conflito é inerente de uma sociedade pluralista, convencional e conciliadora, as sociedades se constituem de diferenças culturais, sociais, ideológicas, e deve-se reconhecer aos contextos e pessoas sensibilizadas com a Educação Patrimonial, de que as classes excluídas, as minorias, através das políticas públicas e trabalhando seus inventários participativos, podem destruir o pensamento de que a riqueza é um principio de exclusão aos menos favorecidos. De que somente as elites burguesas conseguiram emplacar seus monumentos e arquivos pueris. Se estamos falando de riqueza cultural e imaterial, somos estritamente capazes de uma luta leal e direta por direitos e deveres.
  • "A sociedade não é uma simples some de indivíduos, e sim um sistema formado pela sua associação, que representa uma realidade específica com seus caracteres próprios. Sem dúvida, nada se pode produzir de coletivo se as consciências particulares não existires; mas essa condição necessária não é suficiente. É preciso ainda que as consciências estejam associadas, combinadas, e combinadas de determinada maneira, é desta combinação que resulta a vida social e, por conseguinte, é esta combinação que a explica".
Émile Durkheim
  Com as políticas públicas podemos efetivar preservação dos patrimônios culturais e imateriais, com a Educação Patrimonial podemos buscar os recursos técnicos, relacionar os impactos e relações ao estabelecer os conhecimentos e trocas de informação, todo espaço conduz uma consciência educativa, as instituições não foram constituídas para desconfigurar conhecimentos e falta de diálogo com a sociedade, o conhecimento e responsabilidade cultural e imaterial transforma as relações humanas, o tempo constitui assim, as formas de expressão e as relações construtivas e conflitantes.
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Texto composto como trabalho sobre as aulas ministradas pelo professor Viegas Fernandes da Costa, grande mestre da história e memória catarinense.
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Texto Para Conclusão do Curso de Educação Patrimonial -  IFSC -  Instituto Federal de Santa Catarina
Aluno: Humberto Fonsêca 
   Professor: Viegas Fernandes da Costa
 

terça-feira, 4 de julho de 2017

O Que Sabemos - Texto - Humberto Fonsêca


 
Fotografia: Humberto Fonseca
 
O Que Sabemos?

 Ontem, hoje, amanhã... O que será mesmo, o que faremos,? O que entendemos, o que conheceremos? Será que estaremos plenos de sentido e sentimento para saber o que sentimos, ou apenas, o que queremos?

 Frase confusa e complexa, não fico perplexo no meio da luta e dos sonhos, arquitetando as naturalidades "insociáveis"... Ao assumir o nosso levante diante das quedas, nos tornamos neutros ou puramente sóbrios sobre nossas dores, encontrando remédio para curar feridas passadas, pois se formos observar, as dores atuais e pesadelos que nos ocorreram em passadas noites se esvoam a cada amanhã, não mais machucam, não mais assustam, mas invariavelmente se juntam as antigas passagens conhecidas, cada ser humano sabe as próprias trincheiras mentais, melancolias habituais, e constrangimentos íntimos, que de alguma maneira ou outra precisam ser destruídos.

 A luta do dia a dia contra a tristeza, como arrasá-la, destruí-la, devastá-la, conduzi-la ao inferno de seus próprios mártires, pois sofrimento nenhum é escola, sofrimento nenhum é vantagem, sofrimento nenhum  é aprendizado, sofrimento nenhum é paz de espírito. 

 Cansei destes que dizem que a vida ensina, que o mundo ensina, que apanhar para aprender ensina, será porque as criações nunca se uniram? Porque as gerações nunca se uniram? As diferenças nunca se uniram? As igualdades nunca se uniram? Ou você acha que vou falar de amor porque estou amando? Que vou falar de dor porque estou sofrendo? Que vou falar de sujeira enquanto sou a pureza? Que vou falar de derrota enquanto sou a vitória? Acha mesmo que vou entrar nesse jogo de fé e migalhas?

 A escrita, a minha poesia, não é argumento ou produto para entretenimento, a arte que vos apresenta vem de tantas sabedorias, de tantas vivências, de tantos experimentos, que estas ciências nefastas nunca conhecerão a palavra pura, a ciência pura na dialética escrita,  quebrando esse amontoado de regras, "não sei se me conduzo entre moças que vive contando os dias, ou se estou diante de homens que se entredevoram-se por desejos improváveis", é porque de alguma maneira hoje em dia, aquilo que é para verdadeiramente sentir e saber, viver e desejar, quando se sente, enoja-se. Quando se sente, tem-se medo, seja ele de enfrentar as dificuldades, seja ele por  crescer diante das batalhas, seja ele diante de um amor, "que de certa maneira, torna o sábio tolo, e o tolo sábio", o homem quando encontra o fenômeno natural " dos tempos", pois, é preciso entender que não existe apenas fenômenos de causas naturais, mais os fenômenos dos tempos, dos encontros, dos acertos, das contas, do passado, daquilo que estamos transgredindo no presente, imaginando que não haverá catástrofes no futuro, está é a capacidade desta poesia, viajar na temporalidade dos sentidos, nos vãos dos olhos, nos escaninhos das ruas, na informação traficada sem droga alguma, além de suas virtudes, só assim encontramos a barreira entre; eu, você, e minha escrita... Minhas obras são labirintos para tua virtude, para encontrar as tuas correntes, para libertar a tua mente, não a tua alma, mas de certa maneira, é impossível sonhar com quem só tem pesadelos.

  É preciso viver aquilo que se deseja falar. É preciso falar daquilo que se quer aprender. É preciso não precisar para ter. A poesia retorna ao neologismo, simbolizando o paradigma, esmiuçando as entrelinhas, (ou achas que não sei o que estou escrevendo?). Sabes leitor, (leitora especial), a coragem é uma brisa que pode ser roubada, a coragem é um momento que pode ser superada, tanto pela esperança como pela covardia, é preciso saber que também existem dois lados para a coragem, é preciso coragem para dar sabedoria as virtudes, é com a sabedoria que temos o entendimento, é com o entendimento que conhecemos os fatos, chegamos aos sábios, mas sem a coragem necessária, trivial, virtuosa, não saberemos ter gratidão ao vencer as batalhas contra as trevas, já que nossas coragens andam quase enlatadas e vendidas em supermercados, nesse meu processo de produção artesanal, a teoria crítica instrumental, tecendo palavra por palavra, buscando rima por rima, o único encontro desejado, é do raciocínio puro, da linguagem verbal inconsciente, na portabilidade para destruir o ego e rancores, vemos tropas de âmagos em um único ser humano, vemos regras e regras de métodos acabados dos quais conhecem os resultados e sentidos, dos quais, sem a coragem necessária e entendida nunca poderíamos chegar a estes primórdios de debates rebeldes incansáveis sobre um tema que ousam não esquecer, que ousam lembrar, que ousam questionar, mais que de alguma maneira, não conseguem provar diante da coragem. Será porquê não conhecem a coragem? Ou porque não conhecem ou aceitam a verdade? Ou será que é necessário ter justiça para conhecer a coragem? Nosso país já nos demonstra que a justiça não tem coragem.

  No livro a Arte da Guerra de Sun Tzu, diz: "Existe alguns exércitos que não devem ser enfrentados, e algumas posses que não devem ser conquistadas". Complexo se formos analisar a atual sociedade que vivemos, que podemos transferir essa frase para o sentido dos desejos materializados e poderes pessoais dos quais parecem não serem questionáveis, as pessoas parecem desejar aquilo que não podem ter, querem ter aquilo que não conhecem, desejam o sabor da dominação ao invés do poder da contemplação, é difícil entender estas doses de dominação disfarçada de desejos. É preciso neutralizar esses ressentimentos rancorosos disfarçados de desejos e sabedoria... Voltando a frase, será que você está pronto para conhecer tudo que deseja? Ou tu achas que alguns sentimentos são como pacotes de bolachas recheadas que não mudam de sabor? Estou falando isso porque estamos diante de uma sociedade que empacotou o "sentimento-objeto", antes tínhamos na filosofia o sujeito-objeto, do qual para os próprios filósofos, críticos da sabedoria humana dizem ser quase quase inseparável, só através de métodos, de fenomenologias, ontologias,éticas, quem sabe a teoria dos símbolos, entre outras constantes para conhecimento da sabedoria humana. Nesta separação entre o real,  material e o espiritual, temos uma sociedade baseada em produção de pacotes de sentidos, sentimentos, deveres, e poderes, como se isso nunca fosse modificado, daí, vemos que mesmo após produzirem, venderem, ainda assim, não suportam seus próprios sabores, por isso a pergunta desta frase, dessa metodologia entre o viver, o saber, o poder, e essa repressão incalculada e soberba que nos rodeiam, como se precisássemos dos que eles precisam, como se desejássemos o que eles desejam, como se fôssemos fazer como eles fazem, e haja luta nesta produção artesanal para fugir das cópias, dos plágios, das copiações, das inumeráveis perseguições de pessoas sem criatividade alguma em meio a toda burocracia institucional de suas obras enfadonhas. 

  Por onde ando, a mesma conversa, as mesmas dores, os mesmo boatos, os mesmo passados, as mesmas lamúrias, as mesmas, mesmas, mesmas, futuinhas... E você começa analisar que não vivem o presente, não curtem o presente, não desenham o futuro, não acreditam ou apostam no futuro, não imaginam o que poderiam ser futuro, não lutam para escrever o futuro, nunca viveram tempo algum além do passado, projetam o mesmo passado para o futuro, são como deuses, reis e rainhas, senhores que não podem se desprender de suas historiazinhas chatas, melancólicas, sofridas, perseguidas, e extremamente chatas, se crucificam no próprio passado, como se fosse impossível errar, como se fossem perfeitos, como se nunca estivessem errados para viver a situação atual , se pegam em "dores imortais", que nem mesmo os imortais das artes e literaturas poderiam descrever, pois parecem nunca ter fim.

  Lembra (leitora especial), que tinha te informado sobre um texto que estava me remoendo? Aqui está depois de tantas noites e conversas vivenciadas, como te adoro leitora minha... Perdoe-me por tanta clareza textual, dissertativa, ao narrar o que me parece ser neste momento incontestável.

 A frase de Sun Tzu, nos ensina a se preparar para essas posses, para estes exércitos, para estes conflitos, para estas guerras, principalmente por nos apresentar aquilo que "não queremos para nós, não podemos desejar aos outros". É preciso se preparar para recusar, para não querer, para subjugar estes hostis que nos ofertam vivências cadenciadas de putrefações, onde a nossa pureza sensorial e emocional parecem precisar de vacinas, remédios, antídotos, nosso corpo e espírito é uma só unidade, enquanto nossa mente é uma infinidade de confusões, desdobramentos, simulações, ilusões e realidades, quando estas poderem ser conquistadas, desejadas ou derrotadas, podem causar este inerente atrito entre o corpo e a alma. O nosso corpo pode não estar com uma doença, mas basta pensamentos ruins para que este enfraqueça, basta que nossa mente adoeça para que a paranoia ataque nossa alma, para que enfraqueçamos como grandes produtores de uma realidade diferente e como seres humanos, estamos de alguma maneira em meio a esta unidade que nos interliga entre a natureza, as energias terrestres e a vivência da nossa existência, o ser humano parece esquecer que ainda é humano, que um simples espinho o leva as profundeza de sua consciência ao inflamar e doer insuportavelmente, assim são as dores, somos fracos e carnais, somos treinados e perdemos, somos inteligentes e burros, pois a necessidade de aprendizado diária é violenta, somos produtos descartáveis de uma sociedade que nunca será igualitária, somos os meios que justificam os fins, somos nós a sabedoria desta existência violenta, somos esta violenta e existente realidade mortificada, da qual perscruta para mim desde muitos tempos uma simples realidade, da qual antes de realizar alguma mudança em nossos conhecimentos, é preciso manter a dignidade, honra, lealdade, sempre unidas, juntas, harmoniosamente contestando as futuinhas de nossas operantes atrizes dos desejos inseparáveis, pois de alguma maneira, esses passados, presentes e futuros, não estão sendo modificados, por causa simples, a constante busca de realizações de desejos, dos quais destroem os planos que realmente poderiam um dia fazer bem estar ao corpo, a alma, ao nosso viver, e principalmente, nos trazer paz e alegria em contentar-se com nossas realizações ao invés das burradas do passado.

 O que sabemos sobre nós mesmos é sempre contraditório e conciliador, teorizar a capacidade humana em meio a controles e táticas é uma busca de adestramento, uma luta comportamental que não deixa os seres humanos crescerem intelectualmente por não suportar as evoluções do próprio conhecimento, 

 O que entendemos com a falsidade? Como ajudar uma pessoa que em sua meta de objetivo só consegue alcançar a culpabilidade. Preconceituosa, imperdoável, sem espaço para que as mudanças aconteçam, onde sua alma e coração continua obstruída, na mentira cega da própria existência, fingida de tantas mentiras, como se uma mentira fosse pouca, constrói mentira insublimes, pois nunca conseguiremos entender o porque dessas mentiras, o porque de culpar os outros, o porque de não abrir espaço para o perdão, nesse rastro de uma culpa interior sem fim, parece realmente dever mais que a todos, deve a si mesmo primeiramente, deve-se perdoar para objetivar o perdão dos outros, deve mudar, erradicar a mentira da vida, livrar-se dos princípios que a educaram, "pois vemos que existe uma educação com essa mesma tipologia, é uma rede construída de mentiras, pois se derrubar uma, todas caem", por isso a necessidade desenfreada e irrevogável de manter esse estado abominável, se a honra está no levantar, vemos uma busca constante de manter-se arrastando, de estar sempre buscando um fator externo que não a interiorize, e se já chegou a este estado emocional pode ter certeza de que a atingimos, de que a derrubamos com suas instruídas superstições, de que é impossível se esconder com as mesmas desculpas, e principalmente com as mesmas culpas. Se o estado de tempo e espaço não muda por causa de nossas observações, pelo contrário em nossas costas continua a mudança do regresso, é na arte de regredir que vemos essas instruções sendo aplicadas, como se todos tivessem que viver o que alguns amargorosos continuam cantando como modo de vida e menorização do estado humano.

  Eis a luta consciente, onde percebe-se os planos, a busca pela falha, é manter o controle emocional, espiritual, intelectual, desejam as aberturas das falhas humanas, desejam que sucumbimos a raiva e ira para ser esquartejado em vulgaridades preconceituosas, manifestadas de desejos incapazes, pois se realizam de nossas dores, nunca de nossas vitórias. Vamos mantendo a postura diante de tantas observações sem sentidos, de tantos desenhos mal feitos, de tantos retratos que não sintonizam sobre nossas ondas magnéticas, onde a perturbação pessoal é quem faz oscilar os resultados dos quais já nos parecem positivos, se você está passando por alguma vivência parecida, mantenha a calma, a paciência, exercite sua virtude, e pratique o perdão, é a lei do desapego contra o absurdo preconceituoso, só assim para nos mantermos livres das almas imundas, desses sebosos negociantes de desejos,  apodrecedores de sonhos, maturadores da miséria, infernizadores da paz, se desejam sufocar-nos com suas dores, é porque já não suportam a verdade que os sufocam.

"O ego não deve ir a guerra, um campo de batalha não é espaço para ressentimentos". Sun Tzu


Nessa construção de sentidos contra opressões temos as arquiteturas, arquétipos, e micronésimos estados de espíritos sendo subjulgados para libertarem-se de nossas vidas, pois a vida não necessita de tanta essência para ser sentida,  a vida não necessita de tanto segredo para ser exercida, a vida não necessita de tantas picuinhas para ser explicita, a vida não necessita de tantas abreviaturas para que não tenhamos sua longevidade, a vida não pode ser sufocada em meio as nossas contradições pessoais, é como se não observássemos, é como se não tivéssemos olhos, é como se nossa sabedoria nada exerce, é como se nossas experiências de nada valem, é como se nossas vidas estivessem prontas em um roteiro, é como se a vida não mais pudesse ser desprogramada, é como se eles tivessem controle sobre todos os descontrolados, por isso a decência, sabedoria, calma, paciência, nada de instruções, apenas esperar esse momento passar, pois até a mais longínqua das iras, encontra em algum momento a sua paz. Ou como dizem," o sossego de um doido, acaba quando ele encontra outro".

 

Humberto Fonsêca

domingo, 11 de junho de 2017

Uma Semente Geograficamente Periférica - Humberto Fonsêca


     
 
       As vozes das periferias atravessaram as fronteiras enigmáticas dos sentidos e principalmente a territorialidade no espaço geográfico brasileiro, a criação que se conduz mediante aos espaços memoriais das comunidades traduzem simbolicamente as diversidades e interações  através da história contada pelos seus próprios personagens, ao traduzir suas referências, temos a memória marcada por momentos onde as nossas tradições, conhecimentos, "registros imemoriais das vivências", conseguem expor diante os tempos as vitórias e derrotas, as construções intelectuais, sendo estas de certa maneira a amplitude dos nossos constrangimentos, preconceitos, as revoltas de nossas consciências, pois, mesmo que populações não possam ainda ter adquirido suas vozes questionadoras, representantes da memória social da qual tentaremos aqui no texto colocar a questão de acessibilidade, não falo como uma propriedade de independência, já que estamos na utilidade de acessibilidade e seus multiusos, "estamos fadados de memórias políticas", que de certa maneira objetivaram realidades e mudanças institucionais, mas, não trouxeram ao passar dos anos as mudanças das quais as minorias e atores das mudanças sociais estão representando com seus entendimentos e lutas,  diante da construção desse diálogo sociológico que parece esquecido pela história brasileira ao passar dos anos.

     É preciso conhecer as periferias e suas nuances com seus historiadores,  irei trabalhar com o Hip Hop como linguagem cultural, artística, movimento criado para difundir informação, sendo esta capaz de integrar  os seus elementos distintos,  porta voz de uma imagem da memória territorial geográfica, por relacionar a as hipóteses dedutivas de "tese-antítese-síntese" exemplificada dos lugares, por descrever as ruas, bairros, cidades, a população, os ritos de passagem, as fundações, a visão particular de setores e instituições, sejam elas privadas, governamentais, o antes e depois de espaços que constituem populações que não tem voz ativa, ou não tinham, temos com o passar do tempo,  as linguagens artísticas capacitando as verdadeiras histórias das comunidades.

     Assim como a literatura pode trazer os versos, o cinema as imagens, a fotografia o instante do olhar, as artes plásticas as diversas relações e conceitos artísticos, a música quando é representada pelo rap vem explicitamente difundida de "geografia, geopolítica,  geografia crítica, a ciência política e principalmente analítica", o hip hop com seu "ritm and poetry", é uma cultura que nasceu com todas as linguagens urbanas e diferenças sociais, que encoraja a simplicidade urbana, podendo ser traduzida com os antigos costumes do campo, é a moda de viola da modernidade, a embolada dos jovens, é o samba, o maracatu, e quando a responsa chega nas artes que se espalham pelas periferias, vemos essa cultura impregnada, nos estilos de roupa, pela característica peculiar de avaliar a política, de compreender a sociologia, de estabelecer diálogo entre o que é cotidiano e subversivo, o neutro e o subjetivo, entre o conflito e a inércia popular, o agir com responsabilidade, o respeito entre as diferentes culturas e povos.

"Milhares de casas amontoadas, ruas de terra, esse é o morro a minha área me espera, gritaria na feira, _ Vamo chegando! Pode crer! Eu gosto disso mais calor humano. Na periferia a alegria é igual, é quase meio-dia e a euforia é geral, é lá mora que meus irmãos e meus amigos, e a maioria por aqui se parece comigo"

Racionais MCS

      "Lembro de um período da minha juventude, certo dia... ao ver uma van estacionada uns 200 metros do Marquês D'Latravéia, este era um dos lugares que acontecia diversos shows na cidade de Maceió, do qual por instinto, enquanto aguardava o inicio de uma apresentação do Racionais MC'S, deparei-me com o grupo esperando o momento para entrar na casa, tive a oportunidade de conversar com o caras pela janela da van, e a sensação foi inestimável, em seguida após tocar nas mãos, felicitar uma boa apresentação, vi os caras descerem e invadirem o espaço com uma habilidade diante do público, que estes sequer esperavam uma entrada como aquela, da qual realmente pude entender; _Nem me viu, já sumi na neblina".

" A periferia que não se conhece como ente que vive as mazelas sociais, não consegue criar sua identidade que vem sendo destituída e destruída pelas elites. O território da memorialização é constituído do embate, no conflito, na materialização de problematizar os patrimônios".

Humberto Fonsêca

     Estou colocando a periferia como tema central, pois a periferia é tudo que se expande dos centros de qualquer cidade, são os meios que justificam os fins, onde as cidades em constantes mudanças acabam encarcerando seus moradores em lugares impróprios, pois a dignidade do cidadão se torna produto político em meio ao cenário do qual estamos observando, sendo os produtores tanto das riquezas quanto das pobrezas, e ainda sendo massacrados pelos estudiosos e sensacionalistas como os culpados pelas atrocidades ferozes de homens corruptos.

     O Brasil viveu no período da "Revolta da Vacina", a primeira revolução e construção política que se focou nas mudanças arquitetônicas e urbanísticas, para encaminhar assim o que hoje chamamos de periferia, ao constituir no estado do Rio de Janeiro uma limpeza social,  ao devastar o centro, construir ruas e prédios no estilo europeu, inspirados por londrinos e franceses, modificaram a vivência dos moradores, estes com seus "cortiços", muito bem detalhados em obras da literatura de época como a de Aluísio de Azevedo (1857-1913), podem sintetizar as políticas de higienização, das péssimas condições de vida que viviam as pessoas que ocupavam os centros urbanos no início do século XIX, revolta esta pois, o povo não tinha conhecimento de que a vacina seria um bem contra as doenças que assolavam a população naquele tempo, e até mesmo pela ineficiência do governo que desejava fazer uma campanha de vacinação sem informação concretas para a população. Com essas construções de prédios, palácios, biblioteca nacional, teatros, e ruas ao estilo europeu, acabaram por fazer uma das primeiras migrações do povo que vivia nos centros para os morros, criando assim as primeiras favelas.

     O hip hop mostra diante do mundo a mesma vivência, os mesmos embates entre política, sociedade, cultura, e luta de classes, uma arte que nasceu de ambientes degradantes, de comunidades assoladas pela violência, por ambientes esquecidos dos poderes públicos, temos até os dias de hoje a arte que ainda se resguarda de o reconhecer como um instrumento multicultural e social através de seus agentes, vemos homens e mulheres que tem suas vivências massacradas por períodos consolidados na história da humanidade, onde o clássico e erudito no Brasil pode ter como exemplo o estilo barroco por ser profano aos olhos dos cultos de seu tempo, abriu espaço para as culturas populares, do mesmo modo, o hip hop rasgou um período das gerações vindouras por estar intimamente ligada com o que acontecia nas ruas, diante desses períodos é preciso esclarecer que a acessibilidade de direitos e recursos da arte  que nasceu das tribos urbanas, onde a junção de várias vertentes, unificaram um modo peculiar de mostrar através da criação humana modos de vida que também retratam história, saberes, fazeres, e principalmente, um patrimônio imaterial consolidado durante gerações.

     Hoje podemos carregar nossa sonoridade por onde andamos, recordo-me de períodos onde tínhamos que ouvir nosso sons com fitas cassetes, e sair na rua com as ideias juntando essas metáforas, esses diálogos contrastantes, subsídios de entendimentos,  quando ainda entendíamos algumas frases, reconhecíamos vivências e tipologias de seres que viviam as mesmas desigualdades,

     Como poeta que viveu um dos ciclos mais produtivos da poesia marginal paulistana, um dos meus maiores atritos entre amigos produtores e coletivos, sempre fora a de que; "nos importamos muito em produzir, criar, apresentar, mais como seres humanos que nasceram e vivem nos escalões subalternos, não temos a participação que merecíamos no espaço da memória, dos registros, apesar de termos um avanço devido a globalização, suas redes, acessibilidade a tecnologias, coisas que anos atrás eram de extrema dificuldade, devemos observar que a nossa expansão demográfica ainda é excludente", e que durante esses anos, a nossa luta por mais dinâmica, limpa, clara, justa, digna, honesta, não conseguiu ir além de buscar acessibilidade, parece que estamos de muletas, que não caminhamos ainda com as próprias pernas, que ainda não abrimos os olhos para o nosso papel em exercer cidadania e inteligência através da arte e da cultura.

     Quantos lugares ainda hoje continuam esquecidos pela falta de integração social, pois somos muito bem lembrados de que somos representados pela política, (na hora do voto), porém na realidade, o conceito de "defensoria dos direitos e igualdade social, cultural, intelectual" não passam de direitos que existem nos limites territoriais, temos fronteiras muito bem delimitadas, direitos e deveres explicitados, mais ainda assim, esbarramos na falta de justiça.

     A arte, é uma maneira de fazer justiça com as próprias mãos. Porém, não temos aqui sangue, pois as minhas estão desde as primeiras horas trabalhando para o poder capitalista, e agora mesmo revertendo todo este curso, pois, sou pago para produzir conhecimento, mais o verdadeiro conhecimento é quando enriqueço meus semelhante com algo que realmente, não está  a venda, nem é um protesto a meritocracia, pelo contrário, são as habilidades exercidas para entendermos nossa situação, não é mais para compreender o poder do qual já estamos marcados pela eternidade da história da humanidade.

      Sinto informar leitor, que se hoje consigo colocar aqui em escrito tudo que pensava dez anos atrás, foi porque tive que perder algumas coisas para ganhar outras, tive que perder uma balada no sábado, e ter o meu domingo de folga cansado, para simplesmente poder contextualizar o que os nossos "doutores, menestréis, bacharelados, licenciados", não conseguem explicar, por mais hora aulas que tentem as coisas mais simples que poderiam abrir nossas mentes para o debate digno, não o "debate injusto e acadêmico militante de apelações passadas, petrificado de saberes enrugados",  tens aqui, o jovem brasileiro que sobreviveu a tantas catástrofes quanto desgraças, não tive como fugir, se esconder, deixar passar, foi preciso a luta de anos para aprender escrever e sintetizar sentimentos, pensamentos, histórias, revoluções pessoais, pois, se não podemos revolucionar o mundo, se não podemos fazer lavagem cerebral, se não podemos perder tempo com tanta "balela como me dizia meu irmão de letras MaicknucleaR", aqui está a história de meu povo, de minhas culturas, das minhas artes, e a escrita, como ofício culto e de entendimento, não merece respeito algum, apenas, e simplesmente, que entendam a leitura.

      Podem ter a certeza, que assim como muitos tiveram chance de modificar o que está acontecendo, eu vos digo que essa culpa não pode ser nossa, nunca tivemos a oportunidade de mudar nada, e acredito plenamente, que se em algum momento essa digamos "oportunidade", que nunca existiu, pois tudo tem sido construído com muita consciência, trabalho, responsabilidade, não será simplesmente vendida, maquiada, manipulada, degenerada, exemplificada, pois assim como lutamos para estudar tudo que não gostamos, vocês também terão que se ajoelhar e rezar para entender nossas  origens, causas, sentimentos, e dores das quais não mais sentimos, pois, tivemos que destruir e evoluir, evoluir e destruir,  essa é a sabedoria em estado múltiplo, sem revolta, na simples prática de não seguir os erros que foram  aplicados pelos que se dizem mestres.

       "Vocês podem me agredir intelectualmente, enquanto houver escrita, me defenderei prudentemente".
Humberto Fonseca

       Ao olharmos os ambientes, o meio que é modificado pelo homem, temos uma construção por mais ambígua, devastadora, inconsciente que seja, podemos afirmar que foi feita pela necessidade do homem com o trabalho para garantir as capacidades mínimas e necessárias para a sobrevivência, se para as elites temos o que necessitamos, para os cultos e promotores da sociologia, história, filosofia e literatos da historicidade brasileira, ainda restam obstáculos dos quais vem sendo impostos todos os dias para que não possamos  inserir nos seus conceituados mandamentos, a simplicidade e atitude que vem capacitando povos de uma geração que foi relegada e negligenciada politicamente.

      Por isso, e por tantas outras frases este texto é importante, pela tradução deste período que ainda parece uma imensidão a ser conquistada, temos a plena consciência de que estamos fazendo nosso papel como agentes precursores de uma cultura, de um modo e estilo de vida, de uma sociologia e divisão dos direitos, de que estamos construindo também nossa história, de que estamos também filosofando nossos saberes, por mais que não estejamos conseguindo politicamente as mudanças necessárias, sabemos que o conceito de quem conhece e estimula a cultura e arte é para exercer o papel transformador, para as mudanças pessoais existem os coachings, os livros de auto ajuda, e para a constituição da história temos que ser realizadores dos nossos conhecimentos, tanto na parte técnica como no campo de atuação.

      Estudando neste momento o curso de licenciatura em Geografia, consigo entender as diferenças regionais mais claras e até mesmo sintetizar as partes físicas desta ciência, pois sempre fui do campo analítico, das diversidades, dos sensos que nos desmoronam a cada publicação, dos índices que nos assolam, dos números que nos constrangem, dos resultados que nunca satisfazem.

     Possibilito assim uma visão da atuação do hip hop como "método artístico comparado de ação social", por ser local, nacional, e mundial, por ter raízes e semelhanças independente dos idiomas, por ter geograficamente se consolidado como uma cultura dos povos, das minorias, dos pobres,  dos excluídos, dos artisticamente incorretos, pela forma de se vestir, falar, criar,, "sem criticar de maneira alguma aqui, os milhares de rappers ricos", falo da origem, da essência da cultura,  de sua  "geologia arquitetônica popular", que diante de todas as barreiras e limites encontrados travou diante da humanidade uma luta justa, honesta, e que prevalece para desenvolvimento dos saberes e fazeres de um povo.

Humberto Fonsêca

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Série Poética - O Repouso da Mariposa - Humberto Fonsêca



O Repouso da Mariposa
 
 
   O Repouso da Mariposa, é uma série poética criada por Humberto Fonsêca em meados de 2010 e 2011, quando ainda iniciando minhas possibilidades com a escrita, tentei relembrar alguns fatos da minha infância, causos, histórias da cidade de Maceió-AL, precisamente, a vivência de jovens criados no Village Campestre II, Graciliano Ramos, Denisson Menezes, Lucila Toledo, bairros que entre 1990 e 2006 era considerados como as desovas da constante violência urbana que ataca o contexto social do nordeste, das quais inclusive em 2017, as cidades mais violetas do Brasil ainda são as nordestinas.

  Quando se mudei para a cidade de São Paulo, era sempre debates demorados com os meus amigos pela forma de falar, de agir, de ser, o que causava espanto, risos, e principalmente, uma "comunicação estrambólica", foi nessa busca que escrevi esses poemas tentando descrever o palavreado, a linguagem, a oralidade verbal incorrigível do nordestino, este modo impessoal de falar e se colocar com cotidiano, pois a "norma culta, é sempre norma culta", 'a norma popular é indecifrável", são as expressão não apenas de fala, mas de rostos, arquétipos, tiradas, cortadas, a brutalidade bela, nós nordestinos, somos distintos com a nossa fala, nossa forma de se expressar, de exagerar os fatos com uma naturalidade exemplar, ingênua, e que cultua ao longo dos tempos, a falta de cultura e estudo que os antepassados nos deixaram como fonte de conhecimento, de entendimento, de simplicidade, de orgulho, pois é preciso estudar mais sobre estes costumes, do que a cultura explicada que os cultos nos contemplam, a fala de um povo e suas expressões são o mais exemplar exemplo de nossa existência e diferença como um país miscigenado, de matrizes africanas e indígenas.

   Em muitas palavras a seguir, é preciso atentar para a junção, para a possibilidade de abrir o pensamento e encaixar a palavra, não é que o português esteja errado, mas é que os nossos criam diferentes fonemas para o português, e esse texto em si é uma abertura para essas imaginações das palavras, de ligar diferentes cotidianos, e principalmente, é uma vivência do autor, é um misto de ficção e realidade.

   As poesias a seguir são de inteira autoria de Humberto Fonsêca, uma série de 21 poemas que foram feitos em um período fértil de minhas produções, em madrugadas dolorosas, e como sempre digo aos meus amigos que tenho muitos escritos, é difícil compartilhar, pois a esperança de publicar, de lançar, de fazer livros, são uma responsabilidade inteiramente deste autor, porém, conforme os anos passam, e cada vez não existem incentivos, apoiadores, pessoas que possam investir, e vemos ainda por cima, péssimos autores publicando constantemente, autores que não tem história, não tem vínculo com a arte, um bando de bunda mole que se acha literata, é nossa virtude mostrar que manter o público que visita o Rarefeitos Imbitubianos, que fazem disparar as visitas, que no seu silêncio como leitor, me incentiva a acreditar que não é o sucesso que produz a literatura, mais que com um tempo vamos cultuando nosso público.

   Parabéns a vocês que visitam este espaço, que acreditam na arte, que faze da literatura u meio de informação e cultura.

 Abraços, beijos, boa leitura!

 Atenciosamente,
Humberto Fonsêca

  
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1* __Deslizamento

__ Cuidado! Mais um vejam! Vamos sair antes que nos arraste!

 Eu tinha pensamentos bons antes do dia mal... Queria uma letra entre o coro e a maturidade, queria levian-verdade! Cadê meu choro, roubaram até minhas lágrimas, foi preciso ancorar as tristezas, vê-las em um barquinho de longe pegando fogo, estou no recanto da senzala, vendo "negrinhos", vendo! E troco por dinheiro! Esses holocaustos variantes de pessoas varejistas, atacado eu impermeabilizo um teto frágil, solúvel e sem alinhamento, ferragens de ossos com exclusividade de lançamento torto...

Como pode um escritor perder tanta coragem? Abraçar a falsidade, ter pseudônimo incerto, asselvajado, querendo ser um covarde bárbaro, estuprador de emoções, pérfido por bucetas que tanto come em linhas rápidas, "se fosse um Bocage teria vergonha", meus atributos é de quem vive sem atirar pedras, e mesmo se elas estiverem na sopa não saboreei estas moscas...

Cuspidas por tua boca incauta, "voltam a voar e cair em pratos alheios", sinto o por que de adoecê-los, sem hesitar um conto maldito, com poucas palavras benévolas em um texto, sou funesto e subsiste.

Tenha compaixão, quer ser alvo dos bichos? Deve ser muito fácil falar de avarezas, salubriar riquezas, submergir todas diferenças aparentando-se um qualitativo composto, massificado como uma frente fria, granizo que ao cair em terra vira água.

O seu negócio é lucro certo, muita economia, acessos proibidos, digamos um "Boiadeiro Gril", até parece que tenho andado em templo de umbanda, né caboclo "Flecha Branca"? Tem pessoas fazendo rituais para que as coisas deem certo, mas eu não! Eu não! Apenas trabalho, enrijecido com um tanto de coisa que li no (Socialismo), ainda assim trabalho! Seria eu um preguiçoso libertário cheio de fundamentos?

Aquele squash, prédio tosco no resto da cidade pode criar uma filosofia fora do patamar escrivão de filha-da-putagem! Visionários cafetinos da caneta, salesianos de escola pública, por terem um si, em seu ser, por não ser quem está em si, sem contar a grandeza absoluta, renomada e tatuada até na...

Lembro do que minha avó dizia:

"Menino tu quando morrer vai ser um caixão para o corpo e uma carreta pra-língua!"


2* __Repouso da Mariposa

A estrela subiu a partir daquele instinto vigoroso, onde a braveza tá na mão direto pra cara!

Trocando as partes, razões dos jogos, e juízes de uma indireta ameaça, "a justiça comportada é revolta de todos", só que o martelo, a palavra, uma sentença é feita ao começo do entendimento, o de saber que o céu rachou.

Não falo de concreto, cidade, a ideia conquistou o espaço, fugi-o do meu parecer, sinto o poeta perdido no físico, "tirando a saúde ao incenso gasoso, cabendo em si a insuficiência, um espírito vago de raro espaço, encontra-se ainda perdido, por cima de tenebrosas fantasias recolhia-se ao pouso". O corpo tem sua energia vitalícia, ainda que pareça fraco, velho, seu espírito tem fora das esperanças algumas rubricas antigas, a força da vida, a brutalidade de obrigações, uma compilação de rotinas, compilação de dias, correndo da xerox, desse fácil copiar, reformar, refazer, reeditar, "nem temos presente... Nem temos..."

Sabeis sobre os versos que o parentesco de tiração, proeza do autor, é querer em alguma dessas linhas, em alguma dessas, uma forma de espanque, preferindo tombar suas palavras em seu histórico perdido tempo. Realmente, ter que calar a dor adverte em jugos as responsabilidades, por mais inútil que seja, por mais, leve, só, renda a confiança com ato de crueldade.

Pontualidade e obsessão em rumos perdidos, para os que precisam valorizar as feridas.
Há controvérsias de uma repetição atômica, é hora de escrever sem jogar na cara! Essa cusparada tá molhando muita gente que não está pronto para chuva-de-boca, de guarda-chuvas, em volumes do holocausto poético em para-raios que descem instantaneamente no crânio podre, essa tonalidade que me passaram de mediadora me fez um distinto observador, (habitual), por NYX e as "noites perdidas naquelas outrora de nuclear."

Subestimo a altura, os andaimes, por não saber o alicerce, sinto a técnica *Gimenez Vincebuz, "nós não vamos subir até eles! vamos derrubá-los! veremos quem são em nossos campos". Haja concentração, cautela enfurecida, onde pittbul é assim mesmo... Vingativo, (come na mão e morde o dono), prefere carne, ração é pra porco!.

"Boiadeiro Grill", menino de sorte, abandonou o pandeco, agora mostra sua fome, apaixonou-se por talheres de prata com ego-florista, uma medição de cubismo, renascença, que pra mim mais parece uma tropicália guardando-se em qualquer abrigo... Ele esqueceu por alguns momentos onde estava.

Isso está me parecendo uma consciência de teologia, de uma forma rupestre em baixas ondas, sobre um terral bramido, esguichando em pedras com estrondos molhados, na salmoura! Tem sua vidência eclesiástica, o sumo desprovido pelo "devir" devo ficar? Devo ir? Que filosofia é essa que cabreira do ponto que começa? Capaz de atravessar o tempo para viver em inércia, flutuando em cabeças, causando amores e decepções, em longas datas "este típico pensador não vem fazer serviço, (A Balsa), quem sou eu para atravessar corpos entre rios, cruzar eles em minha ponte é infortúnio e ameaçador, não me questiono mais pelas preposições alheias, sempre vivi do meu jeito e não tenho mais a quem agradar, ou permanecer como uma estatueta vulgar e parada, calada, subo em minha jangada para ir em uma próxima corredeira, nesse instante... O que reflete a situação memorável são meus sonhos, objetos que descartei de uma forma inadequada, itinerante; pegaremos o mesmo salva-vidas... Morrer juntos não!)

Tomando sangue vivo para viver sadio. Sádico morcego matutino, de asas aparadas, voos curtos, sem sair de casa para tirar a pedra do sapato ou machucar um absurdo, "a liberdade tem sua ceia de oferendas ao corpo", se borrar vasos é filosofia molhamos os pés com as porcarias mais, menos, ingênuas dos vagos mundos pessoais... O pensamento de abreviar e nomear denoma-ações em uma correlação de futuro no empregar da história.
 

3* __ Ramos

Fazemos nossas mijadas e cacas, com uma filantropia de amor, causamos em nós mesmos a satisfação completa, (um suicídio entre corpo e prazer), arte para quem merece, em beijos que você não vê; é uma "Fiada"; "fadas rasgando as roupas na putreficidade medieval, regência de curneados reinos", que sejam unidos e bem perto de mim, (tomemos para nós mesmos aquilo que o mundo não sabe), o trato com sua vida. Com seres intitulados de heresia, niilismo que de fato coincide com guerras as partes de um sofrer a todos.

Peixe fora d'água,
Fica sem ar,
Bate no chão,
Morre com tremelique cardíaco.

4* __ "Bode Zé"

O Circo do Pirulito com a história do "Bode Zé", artista de cascos duros, chifres curvados, pelo sintético, fora decapitado em um quintal alguns metros da minha casa, o "finado Tonho" passou-lhe a faca sem saber... Percebíamos suas habilidades, mas era um animal sem R.A (Registro de Artista), vi seu couro esticado na porta do finado, daria um belo aparato para a sala, enquanto as notícias corriam sobre o desaparecimento do bode que atuava no circo, foi fantástico ver minha quebrada no fantástico, nós corríamos atrás da câmera, nunca tínhamos visto uma daquelas, a pobreza era tanta que até TV assistia na casa dos vizinhos, era um caso épico pra mim, triste "Palhaço Pirulito" sem seu ganha pão, atinava o choro nas mídias, perdia assim sua maior atração, o "circo continuou; mas o trapézio sem rede é fatalidade aos corajosos, e o espetáculos sem sua arma secreta do picadeiro continuava com preços populares de cinquenta centavos.

Como era boa a carne daquele astro, a manteiga derretendo na beira da churrasqueira, os moleques trocando bicas pela rabada do bicho, tome farinha, cachaça e risadas, comíamos naquele momento um celeste, um mísero animal como o fez o "finado Tonho", suas partes não foram lidas e teve atos na delegacia do 10º distrito lá no Eustáquio Gomes, mesmo assim o louco do finado continuava com suas matanças de bichos, vendia carne de todos os tipos a todos. E não havia um na vizinhança que deixasse de lhe comprar carnes, afinal, era mais barato, mesmo sem fiscalização as pessoas compravam pois ele dava uma semana para pagarem a dívida, então já sabe; quem pagava já comprava imediatamente...

Isso é o materialista do sensacionalismo, ali ficava o fato para mim, e a notícia de que todos nós temos que matar um leão por dia, uma borboleta, seja qual for o animal, até mesmo um artista.

5* __ Chagas da infância

 Tenho me entregue a poesia, ao Agorismo, que dentro de mim corre para ser (extenso, vago e doloroso), revirado de Crônus-pôr-via, com uma faixa "diplomática favelíana", dentro de um sertão praieiro devorador de "quarenta" (comida rápida, tipo angu de milho, do qual pacote de. Vitamilho faz a refeição poca-bucho de várias bocas em uma família), situação difícil pra mim sempre foi fortura, era como se tivéssemos uma barricada dentro de nós para uma breve e próxima guerra depois de um prato, "sabemos avaliar o preço pelo compensador", desafio a sabedoria com blasfêmia, não a Bíblia, mas a sabedoria dos guetos que regem em si um preto tão poderoso quanto os quilates, sabemos nossos frutos, tenho chagas que se tornam imensas, pequenas, mas nunca tapam, sanam minha vida, elas não querem esvaziar esta pobre vida alagada de sofrer calado, de passar, ver, ser visto, pareço um acorde solto em ouvidos, que encanta, faz bem, diverte, como se fosse só comida e música, mas só agora vejo a cera que tenho tirado de outros ouvidos, parecia ser o tapa na cara de uma falsa ideologia, não sabia que tinha o poder de secar as barrigas cheias, de alimentar barrigas-verdes, numa demagogia de infelizmente; "Se o pau quebra nas costas dos mais fracos, cuide-se ao sair debaixo, do alto te olham, miram-te assustados para não serem reconhecidos".

Aceitar as próprias ganâncias é abduzir de extremas reflexões, ser pensador numa hora dessas é morte por saber infinitamente o seu estado final de carniça para o urubu, que não vai lhe negar bicos, há pratos que só descem na tapa! Eu aprendi, minha mãe sabe...

Dias Perdidos,
Dias que não ganho,
Há dias sem se apagar...
Remotos de nada.
Em um trevo de rodagens,
Emplacado por abandono.
Uni-me ao sofrimento.


6* __ "Mata um escritor, por que poeta é sangue ruim"

Dor:

É a morte lenta nos olhos,
O desgosto pelo fim de quem fica,
Nos repetecos do nosso diálogo.

"Durma... Canse sem amargura... Durma..."
Esses soluços desabam,
Franziu a tal ação,
De uma desgraça ecumênica.

Se eu não for que as pessoas compreendam,
Mexam seus rabos e peçam bênçãos.

A noite de conforto é para os bêbados,
Dormindo em esquinas que nem a morte passa.
Deixe ela comigo,
Fardei-a cessar interferindo-me!
Sobre ruínas duvidosas,
Nos prostíbulos desse novo golfo.
Carrego comigo tantas pessoas,
Delas; sei que não me vou lembrar...
Passarei sem tocar nenhum,
Pois assim fizeram comigo, esqueceram,
Caminharam em um caminho infinito,
Sem volta, tréguas, paz,
Sem pertences, pragas,
Desovaram as chagas,
Foram em busca de uma nova vida.
Sorrateiros palmos espessos,
Com som de palma,
No rasgo da pálpebra.

Sangue secante antes de cair ao chão,
Um grão-gota-humano na farofa de terra,
É o poeta com sua aparição castigadora.

7*__ Impessoalidade

 Lavemos o pára-otarismo-modelado, (a seco); retitulante das gotas em caixa...
 Acudiremos nosso senhor algum dia? Jato de areia aos reis. Apadrinhados...

 __ Dessa vez eu prometo! "Matar a barata e lavar o mármore".

 Sem representar, sem confiança, e sem revoluções; o impasse da mudança são os abandonos, encontrar razões não importa, penso-assim-por-diante-na-comida-de-hoje Vamos a " Cidade dos Mortos?"

"Eu sei, serei feliz de novo... meu povo deixe chorar com você".
 Djavan

 Com armadura do destino, inviolabilidade de expatriado em apuro, no prognóstico quer cruzar o céu além do azul do mar e os seus trabalhadores, ficarei numa montanha d'água, congelei-me na espera de um circuito fora dos atlânticos, por ter a impecabilidade na conversa de pescador que tem em qualquer esquina...

__ Vou colocando os grãos como João & Maria, e eles acabaram... Volto? Continuo ao desconhecido? Por que essa fábula retrata esse fato como opinião e não dever? Realmente, ninguém tem que conhecer nada, deve alimentar nosso medo?

 "Quando um homem começa a assustar-se não pára-mais. Sonha culpas imaginarias, sonha purificações imaginárias, e faz limpar a consciência com a vassoura das feiticeiras”.
Victor Hugo

Há duas perguntas em uma sem respostas. Quer escolher? Antes que o tarô me diga lhe aproximo da minha realidade, não é um mundo triste, irreal, inaproximável, cada pessoas tem a palavra mágica, (é com vós a segurança dos bastões e dos bestas), realidades escabrosas onde ninguém tem mais habilidade para limpar as ruas que as pessoas viventes nas gerais, moralista da realização, que buscam ciberneticamente a infalibilidade. "Prebostais". Vida sanguinolenta.

__ "Sei meu fim... Não tarda".

 8*__ Eu Sou Mensageiro; Não Posso...

"Falaria somente as paredes,
Faria do minério minha rede,
Perdido no escuro,
Sem nenhum raio de verso,
Trabalhando..."
 
__ Buracos... Malditos! Dê-me as rolhas...

Herdei de você metículo?
Angarias o barro?
Moldado pelo artista curvado...
Amarrado aos pés,
Jogado de uma ponte,
Da qual queda não teve medo.

Bumg-jump numa escala de terror cabeça abaixo, no horizontal sem fim de uma roubada pelo esticar da corda... "mas corpo que não é de borracha quebra".

Flexibilidade na luz do sol sem a cruz, leme aberto, com uma caixa nas costas; é o mensageiro com vela içada, leme aberto, costelas apoiadas na coluna, vem curvo, disposto ao destino, mesmo assim diz:

__ Bom dia!
__ Bom!

 E como as línguas se abrem mais que os trapos...
__ Pesada caixa hein rapaz?

Respondeu paciente:

__ Hôme! Nem me fale! Deixe jogar ela no seu lombo!
Peixe fora d'água...

__ Que isso jovem... Tome um copo d'água?
__ Claro meu velho monsenhor.

E o velho sebento apontando para os restos de louça, e todos grudes ali situado há décadas:

__ Pegue a caneca e sirva-se! Já conhece o pote.
__ Meu veio... Faz um tempo que não passo por essas corredeiras, esse cheiro de pântano, vê-se tudo muito sempre nutrido! Esse é o meu charco.

Da beira do terreiro a porta encostada não escondia os olhares do senhor, momento no rapaz, momento na caixa, era um no gato e outro no peixe, indagou:
__ Mordente raios de visão... E o que leva na caixa? Vinha até pendendo...

Engoliu; olhou disfarçadamente aos cantos como se fosse respeito e abatafou:
__ A caridade faz do meu ser um repleto desfiado. Causa-me uma desafetação.

O veio virou um chinês, apertou os olhos na sua direção:
__ Você tá assim é? Parecendo caranguejo dentro da lata? Tá com o siri virado?

Na hora em que um animal reconhecer uma moratória; teremos enfim caixas e sangues, deposito em concordata corporais, decepadas pela organização, um bando de dados em bancos, transplacentados, a nona constelação do zodíaco, em saimento, saiote, na monumental morfema, bubônico, como se fosse um "De Cameron", lacônico, não tinha réplica ao chicotear as vagas... Virtude invencível, a candura de armeiro, é bom se perder por aqui, o riso sempre corre por dentro, você sempre se acha...

"A crise de ideias tem sido um investimento muito alto para os ricos. É a potencialidade de uma cultura magnetizada".

9*__ A periferia ensaiada em Agorismo

Vou fá-gulhar-terra-em-canto!

"Soltei o movimento com entorno nessas circunstâncias".

“Quanto mais pessoas forem ávidos das chaves, sabeis que astúcia tem sido controlada por placas”, tem sido. Iníquo. Pesado, indeterminam-te.

Não importa o teor, o telhado de um rio sempre vai ser d'água! Sinto o diluir do mal com a desgraça, obscurismo cidadeal, cidadã por suas noites grotescas...

"A viradeira contorna suas chapas".

(Guilhotina corta).

Tenho passado a filosofia rapidamente em fatias, dividindo-a com mancebos.

O inferno me lembra a paz para os inconformados por natureza, desde a outra vida, desde a miséria do além, as perturbações de mundos indivisivelmente por buracos em negros, buracos em negros, a vida pobre no mundo moderno é uma tecnólia a favor da nossa biótica contra o terror, não haverá momentos sem sentimento, "enquanto existir o humano", os manos que não existe neste planeta, nem em outros, será que eu terei uma chance? Não quero mais não, já fiz minha parte, rezei meu terço, não votei, ainda não! Robin-Hood que engorda, tirando ricos, desfazendo pobres, heróis vilões na mira da proeza, em flechadas de "Centauro", dizendo ser mito, rito, dogma... Carrego a frieza que espera para rasgar a folha, somos agora a velocidade espalhada rumada sem trilho.

Esse meu fundamento de escrever arranca pontes, devasta-me, não há faixa que me segure, ou cimento que petrifique.

10*__ Viu? É agora?

Vai chorar? De novo?

Corra não fio-do-cão! Parece criança, tu bem que sabia... E se fez de tinto, e o vinho faz uma satisfação de ter encontrando-o, como nem todos vivem disso, e disse-que-me-disse, me presto o dever mal informado, cheguei sem radar, de paraquedas.

Se trabalhasse cantando, querendo tocar, se pensasse em subir na vida, "água filtrada não é favorável à umidade", tenho a manter um rio limpo, cercado de insanos, dementes em meu quintal, um ajuntamento de lixos pessoais, cerrado pela cegueira que suja-o, não tenho palavras para subdizer as flores que são bonitas, nem quero versos malditos por aqui, desejo as coisas impessoais, quero falar de maltrato induzido, uma relatividade de enfado próspero, ingenuidade gananciosa, "são rifles mirados para os gatos ligeiros em cima do muro", uma proteção aberta é feita de subsídio, sem receio pelo anseio. Na era de contas se formula o seguir. Sabiam do mal, transformaram-na em barganha, compre a felicidade, ou venda a dor? Trocamos tudo ao deixar a glória fincar sua raíz. Alguém precisa respirar essa monóxidade, pueril satisfatório de fadiga, que espera sufocar o natural com ambição, já estamos afundados, vivemos a tocar piano para as catástrofes.

Rompi a cidade ao meio, não vi lombadas, rasguei-la ao meio, dei-lhe um belo rasgo em seus pontos; quero minha linha de pensamento nele. Os bairros mais sujos são pedaços da consciência; para os maiores darei minhas pernas; untarei com os braços todos arredores metropolitanos. Minha cabeça ordena onde quero ir, fazer, iremos sim... Quando cada uma tiver a sua parte e reconhecer onde vive! O governo, além dos pobres, vem sendo um corpo espantoso desfazendo nossas mentes, "vulnerabilizando a vida-pós-atitude... Atitude-pós-vida é a que não resiste". Pessoas (espírito) sem peripécias, frias e continuas pelo padrãozinho de fobia, frescuras de classe intelectual, conjuntura de valores, para uma forma infinita de infância; "Quando se é criança um beijo pode ser nojento, brincar de casinha, médico, esconde-esconde e etc... Não!".

Lambe o prato que tu cuspiu pro alto! Criança com criança não deve ser pedofilia... Ou é? O amor nasce sem sentido, ainda bem que as crianças brincam com eles.

Tenho uma loucura real enlouquecida pela literatura, literatecas, brasileiros contemporâneos, as citações são breves, hastes que nada revela por ter a confusão de raciocínio que revela a constatação de um aniquilar ao cala-se! Ao não me importa!

11*__ Aborto

"Filhos que rolam escadas é como água suja, tem um rio aguardando".

Fosse eu o pai. Fosse eu o filho. Teria assim partido...

Numa enxofrada de constrangimentos Humberto C. da Fonseca sempre fora um ser fora do sistema, endiabrado desde criança, (comia uma lata de doce sem abrir), pediu para que o pai durante uma surra o matasse, fizesse o que bem pensara, pois desde novo já sabia que arreios, chicote, tapa-visão; para cavalo que olha aos lados é uma medida fraca e sem salvamento, falamos de um burro. Ligeiro, que sabe onde pisa.

Um mini-lampião semi-aceso queima-santo forja-sociedade, desce-escada batendo-peão tecnologia-dinheiro cartucho-resenha, alamateia, beiços-diferentes, cantos-mentes.

Sobreporia decentemente em alguma milícia? (Pensasse ele). Aposto como quis esse meu fim, "foi um fiasco do mau trato", trazer a escravidão que os gregos impuseram filosoficamente por deuses de escárnio, putaria colossal, (os grupos GLS, simpatizantes, foram criados por lá! A parada gay moderna quer chegar aos tempos antigos, haverá dias que as pessoas largadas nos grandes centro urbanos terão seus bacanais matinais, com gringos prostitutos, libertários da cara-de-pau!).

Acho que foram posições como essas ao meu caráter perante a sociedade, principalmente a filósofa, (drástica), eu com minha suburbanez que se confunde desde pequenino a construção de um povo que saiba identificar nostalgias como ato de liberdade, mergulhei nas identidades dessa confusa nação por querer procurar os donos daqueles divãs esquinais, "a famosa agulha no palheiro pede urgência para ser tirada", a sociedade tornou-se moderada esperando o ataque, a manifestação, sua contra-vontade encontrou a paz, calou-se com a certeza, amou a vivacidade que sempre estivera calada, com rigor, a mistura do modo de viver, cultura que o povo consome.

 "foi tudo tão derrepente... já não consigo esquecer..."

Que música do caralho!
__ Liberaram a maconha?

 12*__ Eletricidada

 
Sou eu quem move estas lanternas,

Ofuscantes por brilharem a nojeira,

Reduto de lustres aos demônios,

Do sangue ao absinto,

Bebe o ser, o limbo,

Prostituiu a filha na casa de oprimidores,

No-me-ei-mo-na!

 idade é o macho... Quem dá energia a essa porra?

Seja o curto da minha ressonância,

Antes que desça para buscar diamantes,

Como seria o coração no meio destas pedras?

Partir o sonho no meio não é como quebrar uma rocha, seu (magma), por mais leve que seja, é impossível de cair na sua frente, é quente. E dificilmente acredito em rejeitar o futuro (se num tem tu! vai tu mesmo!), molestar rapidamente o tempo, sacudir os alvoroços perante a fragmentação do objeto, pensador que arruína todas condições, "a arte jogada nas ruas, estátua que toma por fim um desbastamento do patrimônio, das angarias de homens perpétuos, transformado seus bagulhos nessas prosperidades humanistas, perplexos para descompor a sociedade os soberanos sonhadores, jovens que desobstruíram artérias, vasos velhos, são "Roedores De Um Sistema Brutal", até mesmo os ratos de mesa brigam com eles pelo pão velho, seria um amor pelo frio das pessoas por saber realmente que além de sofrer seu ofício foi entregue ao destino.

 
13*__ Um incompoema

... Eis que não haverá mais dias para o refúgio das minhas palavras.

Você sabe como são os casamentos; uma mulher em casa e uma puta na cama; todos ao primeiro sinal negam-lhe chifres.

O amor é lindo, quando as pessoas são iluminadas por dentro para descobrir a indelicadeza dos que nunca o tiveram, acreditaram, ou deixaram ao menos passar em suas superfícies consciêntológicas.

Não adianta jogar sem defender...

 Sou um franco-atirador-líbero;

Pedaço de verso radial,

Ambivalente,

Com elevoturismo da fumaça,

Atacando o nobre ar.

 "Meu palavreado é fim de feira gente! Alimenta os catadores, e aqueles que delas precisam..."

Mata um escritor por que poeta é sangue ruim.

Tapar. Vedar.

O coração infortúnio,

Os califas obscuradores,

Que invadem minha caligrafia.

"Um incopoema vem em calma; com grande calor atmosférico, em geral sem vento".

Fiz um estriado de latinfografia,

Sem asas, abraços, e o filho morgado...

A foto em Tupi dizia ao povo:

__ Quem sabe o apanhar do acompanhar?

Passa que te digo.

Me dá a mãozinha cego-Dadá!

Se ficou no caminho é melhor iluminar a sua frente.

Temos o pagar e viver bem. Bem estabanado! É tudo exterioridade! Só tenho a mímica das frases, por sofrer nas superstições de um gole marcado, um terno emprestado, ao "Admirável Mundo Novo", racional, entre várias religiões, que peguem na bimba do negão!

 
"Tudo é obstáculo para quem se esquiva".

                               Victor Hugo

 14*__ Gota em Telha

Para encarar o amor frente a frente, verso infeliz e risos doentes, deve-se ter peito. Mas não há peito que segure o tal amor, (incondicional, inconfiável, a demonização), "passamos noites arranhados como os gatos pretos que dão grunhidas em madrugadas". Soltei meu coração, soltei minha paixão, abandonei minhas verdades. Como me senti sozinho naquela madrugada de 31+1. "Ando escaldado naquela cidade até hoje". É bom não sentir mas signo, perder os astros, apagar textos infantis, aborrecer consigo, mesmo ter a plena de já ser um campeão e por saber disso, acaba desejando ganhar mais (tem sido um crescimento pessoal fora do controle, sem perspectiva e com reflexo).

 Tomo algumas costuradas da vida, veem sempre bem ponteadas, sem segredos para que caia a mendigar por razão, conclusão na maioria das vezes feita por um consenso (tenho lágrimas dispostas a rolarem o mundo), capaz de confundir a paz com termos e às claras "afim era eu de clarear minha vida, construir algo bem mais que uma casa mobiliada". Parece que mudei os remos, (quero atrasar minha viagem, sinto a presença da paisagem, ainda tenho serenidade, quero apreciar esse instante, é hora lavrar um coração cheio de sub entendimento, procurá-lo-ei com retidão as bandas, grandes amores e clássicos combinam com poeira).

Antes de cair nas ruas,

Antes de ser o que sou,

Venho revestido de fartura.

Tenho nas duas mãos um segredo,

Velas, pão, vinho e queijo,

Cansaço, amor, forças dos arrebentos.

Tomo essas fraturas,

Supero o corpo-anticorpo,

No veraneio poético.

Vila fria...

Vento seco...

Raio... Muitos raios.

Partida em momentos lascados,

O som e seus arrepios,

No doce puro trovejar...

Cheiro poeira,

Roupas molhadas,

Sem peso.

Com nuvens juntas,

Em condensação feita,

Sinto que estou caído.


15*__Ventilhos

Certas horas eu te quero tanto que me dou cortes, choques, tenho esse palavreado de carrasco feitor, com um coração de empreendedor no bem ao próximo, se que existe algum bem, ou algum próximo, tenho meu corpo reservado para teus prazeres, quero teu deleite, comer tua flor doce. Tenho o emprego de sentinela para minha rainha, e sinto um cansaço por várias viagens. É um peso de dentro pra fora, dentro e mim corre o pensamento de:

"Você pensa em mim toda hora, me come, me cospe e me deixa".

                                                           Raul Seixas

Meu amor dê-me forças. Não deixa teu guerreiro morrer, (um lutador doente perde a batalha). Minha beleza pela vida anda desarrumada, ando sem perguntas, "o azeite que esborrava-se deste vaso secara", não terei como devolvê-lo assim a viúva. Deus me condena com uma espera que tentei suportar, mas berrei, extirpai-me com estilete. O que mais dói são nossas cicatrizes, tirar sangue próprio é uma tarefa de poucos, realmente estou pesado, não tive que ver mais um dia, são 31+2; a crônica triste de poeta alegre.

Por ser um homem que gosta de correr perigos, passar apuros, acreditar em filosofia de vida, correndo atrás daquilo que pouco acredito neste mundo, perder tudo agora seria tão complicado, sinceramente (tão triste), vejo uma torre balançando para ir aos chãos maiores que as gêmeas; por ser única.

Preciso sanar-me, devo isolar essa térmica de emoções, sinto-me com um amor bomba.

Amo a guerra?


16*__ Relva urbana

... Vambora menino!!! Quem muito ama esquece da vida e para na sombra.

"O Bombi é o sapo", arte/brejo, por que veio em mente? Moças tem sapo com vergonha de ser príncipe. "Quer um cavalinho? Com a extinção do jegue por motos na Bahia; dar-se pra comprar a unidade por um real e cinquenta centavos", e vocês enganadas se apaixonam, mas o amor é livre, emancipador, se algum estado, país, tiver um dia membranas para o teu suor, pensar no teu andar, conhecer teus sambas além da bunda; quero ver quando os homens vão deixar de ser sapos, de criar figurinhas girinas...

As parceiras precisam dos animais com a sua simplicidade, um homem pode ser o país de uma mulher, "ela pode tê-lo em seu mundo", seu animal preferido pode ser a fruta de todos os pecados, de todos os dias, que nem um sapo do brejo na cidade comendo mosca.

Solidão é uma pedra de gelo no olho.

Já furei uns dois... E não confunda as artes com pornô.

17*__ Ritimia

Passarei alguns tempos fora destes tempos.

Minhas têmporas estão com um temperamento tórrido, sem medo do corte da carne, varrido, pronto para dar picada sem antídoto, por esse som sonífero, será que tenho cara de garimpa dor poético? Só se fosse um romancista Hemp-Core, Suicídio Coletivo...

__ No rádio:

"Baby! Baby!  Não vale a pena esperar, tire isso da cabeça, e ponha o resto no lugar"

Já pensaste tu num daqueles abismos Indiana Jones? A típica ponte de cordas no vulcão, tudo desmoronando, fogo acima, fogo abaixo, pedra rolando...

__ Grita o rapaz:

__ Cortei, caiu, corta.

A literatura fez o cinema.

__ Faço literatura de cortes.

E a música continuava empesteada: "Foi quando meu pai me disse filha, você é a ovelha negra da família", aqui tem amor da velha guarda, mas essa doença faz maus respiros, expulsando o carnaval em sua passarela, no instinto do anti-sexo, (excomungam, não só das igrejas, mas de toda realidade possível, certas horas a sociedade é a pior das crenças), me acredito que seja crença também certas vezes, disfarçada, cheia de ambiguidades, e resoluções que nem mesmo o papa acredita...

__ Nada de trepar com o namoradinho! Nem com camisinha filha!  Cresce seca sem vara!

Esse trogloditarismo virá em seu neto...

__ Come saliva por enquanto. Fica falando merda seu velho estonteado.


18*__ Viseiras Abertas

Venho querendo te dedicar um momento, enraizar a fantasia que cravamos na pele, nos lugares nossos esquecidos, numa chuva vazia pela vastidão da saudade, em um cântico, um soneto metropolitano, nosso viver estreante, a semente que brota da pedra, uma perseguição marcada com estandarte, por anéis perdidos, saturnas noites geniais do encontro mental...

Essas literaturas são inversas, conversoras de multi-opiniões, dos quais amores proibidos, sagrados, verdadeiros pelo sofrer espontâneo, que faz o renascer de uma poesia vivida, sem admirações por intermédios, torna-se alvo, peito aberto aos oxalá, cuspindo os reinados, desenfastiando segregações sociais, e não se abstendo-se da impunidade gigantesca que a evolução de crenças, (bombas à distância, latim-feérico; "ficares nos injustus", reacionário emotivo, filósofo de gremistas), amar nesses tempos é realidade para poucos; mas na vida as guerras extraem amores de mina, que toca e sente, ou com uma leve ignorância parte-se do primeiro encontro, são valores para adivinhar a compreensão, sinto que ganhei uma mãe, é o amor fraternal que abre os braços pra mim em laços, entrei na dança colorida, somos um preenchimento, fermento que dá ponto, minerva que exala.

19*__ Vida Fértil
 

"É adubando que se faz merda".

Estamos em um merengue, suspire com a dança, o caribe brasileiro roda em escunas, Gurgel, ondas místicas nos haréns ao sol de água de coco.

Vindo eu em silêncio pareço perceber o mercúrio das pessoas, são pequenas ao mundo, aquecidas, são cintilantes... Mas essas estão com o menor dos planetas, pernetas, mancos ao arrancarem tocos, por ser, exercer, escurecer-se de arte sacra, aí de quem não valorizar ouro talhado. "O mesmo ladrão pode ir a mesma casa, novamente, no mesmo confessionário... Arte de roubar é perceber a fachada", (quem esconde os segredos atrás das pulgas nas orelhas tem alguns carrapatos logo abaixo chupando seu sangue).

A reflexão histórica é precisa, mas quem precisa de passado sem era? Em tempo de um esquecimento momentâneo... Nessa mixórdia de calouradas temendo a carceragem, vivendo presos em um paraíso *infernalista, em séries dos bons livros, nas edições didáticas.

É aprender com o contínuo, ao acompanhar a solidão rapidamente, "uma bigorna torna-se leve". O peso da missa e do terço corre o **encajadado dentro do maloqueirismo "Policarpo"; são outros planetas nessa terra que vivo, revendo a falsa poesia, "intertextual", como a explicação de voltar a viver pra mi só é vista por querer quebrar essa monocultura cultural, tradutando a conversação explosiva do monolinguíssimo, não precisa acreditar em palavras, um livro tem seus reclames ela brados, o entendimento é de cabeças que delas precisam, tomemos o mordaz modernismo, "uma sintaxe bifásica eufórica", é arte por paredes com minha talhadeira verbal, nas falas desse escritor narrado, feito silêncio correndo dos plurais, (minha primeira pessoa é singular), sempre, reto, sem desvio, com finalidade, enfim vejo-me em meu traçado, é percorrer sem desfilar, monossílabo no labirinto que a lua mostra-me, é a repetição do monoteísmo que me cerca, (caibamos em uma estrofe), o caminho é o mesmo para livros diferentes, chama os versos, pede um chá, avisa Barack, liga os DEMokassabis...

É hora de reconhecer o desenvolvimento do país, "deixa eu voltar na ideia da capa do meu primeiro livro", está terrinha é grande mesmo, anda só... Nem sabe onde está. Mas juntos; como se diz; estamos felizes, "em um Brasil velho novinho", é a ver dele ser transgênico, veremos o filho do milho, rei do milho, pai dos grãos,

20*__ O Repouso
 

“É a razão do adormecer”.

O relaxar das artérias.

Eu escrevo nas folhas de trás-pra-frente, sempre com o fim da história correndo o tempo todo, avante, a frente de nós. é o final de um fim que não se desgasta, e voltará em menos relances. Voltar para ver  quem ficou as sobras, meus estragos. Outros resvalos que não recebi. Vamos montar nas costas da confiança e cair na próxima esquina?

A Pompéia nunca esteve tão baixa, é hora de pintar e bordar, sambar de cueca, com arte a preço de banana. Muita gente boa no palco uma hora dá em merda. Não estou disposto aos ensaios da Portela, tem tanto azul aqui fora, tantos barracos adentram, são vilas aguçadas pelo salto do morro.

Onde-se é mais brasileiro nesse país? Tem quantos mulçumanos em paz aqui? O povo da artilharia pesada quer comércio, não existe ilegalidade. A justiça é de uma tamanha miséria, com seus, e com os dos outros. A miséria deles é só um pouco da vergonha que não temos. Esse país não pede nada. É só um inquilino. É só um pedaço de terra a ser apropriado, do qual trabalhador planta sem colher.

“Os últimos onde vivem nunca serão os primeiros”.

São ditados esses de quem lixa a vida com uma mão, ainda que insegura desblasfemam os dias no feito da palmatória, sabendo que não pode tirar a mão na hora da bordoada... Se tirar a mão quebra os dedos, (é o direito de ir e vir sempre descriminado), sentindo o calor da vitória com suor de trabalho, dos quais traços da palma transformou em calo.

A crise artística brasileira é modelo de sobra, desperdício, arte aqui se carrega na bandeja. Um resto de feira que alguns levam, (não há outra opção), ou até mesmo por viver na merda, (não se cata tanto desproveito), uma pobreza com nutrição, “mas nem tudo que está no lixo presta”, na calamidade diária de favores, insuficiências, correria afobadas, coagulações remotas...

Sisteminha transitório filha da puta, submissos das raízes antigas, pondero afiar minhas canetas por baixo de suas unhas. Povo infestado, geração multi-face-tarda pelos rebentos feitos da insígnia, na solidão dos olhares velhos... Corpos jovens... Na atualidade que redes de pedofilia avaliam suas artes, suas melhores fotografias, de quem será a direção de mais um belo filme? Sopram nos meus ouvidos os monstros serenos. Guarde-se em sua melomania player, salve-rainha, adultos prolíferos da contaminação humana.

“Esses melros me escapam pois sou aqui o ditador da poesia, te dando o caráter de julgar-se uma vez em si ao menos, (na beira da estrada os remos de nada valem), onde caneta falha em folha limpa, com esse regiscíproco textual, sem afirmações, com muitos abalos”.

Uma distância danada,
Dias felizes e tristes,
Várias léguas,
É minha poesia embolada.
A vida é linda.
Olho para ela e lembro de uma coisa:
Papel higiênico.
Porque a vida para mim é que nem papel higiênico.
 __ Essencial!

21*__ As Mariposas

Tenho uma psicologia perturbada com meu fim, ao ter na morte o real começo de minha autoria editorial. Isso vai parar nas mãos de quem? No moedor quem morre vira caldo. Escrevem esse mundo decepando faces, são farsas populares, zombaria de troca, vai de chulo? Maria-vai-com-as-outras! O marmanjo desce o reio, ajoelha para ver o sol.

Transido. À la carte xiquexique, espinhoso, rico em água, na clareza educada do ser rude, impugne e xucro.

Sejamos marsupiais, são muitas juntas a calafetar, estou entre antissépticos. Na saúde do produto tosco, “seja guerreiro nessa vida e encare ela de pé”, “não sobrará vestígio nem do frenético cavaleiro andante”. Poesas o marginal, lembra-me “Jones em sua baleia”, o rimador flutuante, de 13 contos “naquela ida ao dia 13”, Derrocadas of (suck), é muita arte para um mulambo só, e aos que desesperaram no fogo que dei início, deixo-lhes a magnética arte no quadrado de sons, desse breve seqüestro relâmpago, sacando o bolso da mente, sendo mais um assalariado na milícia.

*Cheque Para 7 Dias...

 Juntando a ineficiência de viver na informal justiça ao satisfazer os pleitos do ego, tombaremos o caos a uma dignidade afiada. Intuitiva, desrompendo rompimentos. Contra o naturalismo, isso mesmo, esse que se “diz” pessoal intocável, meu Deus, basta tu mesmo, chega de pessoas energéticas, transformando girassóis em movimento monetário. Alimentadores de bancos, praças cambiais, trazendo o abrir de folhas sem manhã. Em terra que será movediça a um só verter do totalitarismo ao sonho da injustiça, (um povo sem terra muda seu lugar), os hebraicos dizem, em idem acompanhará esse abandono dentro de nós mesmos até nosso acabar. Para que preocupar-se com o fim de uma existência? Passagem de conquistas, “somos bandolins embaixo de linhos?” devemos as colinas desígnio.

Entretempo; (eu), ferroou um inverno hiperbóreo. Perene um algodoal? Encharque-o com ópio, inexpressivos! Libidinosamente orlavam a promessa de Jacó, e jaz-covavam, e Jacó já morreu!
 
Ramou de municipalidade a interlúdio o negrume paladar oficial.   

Arrombarei com fogo os muros,
As almas e os urros.
Em uma noite qualquer dessas,
O exército se levantará.
Mortos vivos,
Romeiros com fome à sociedade,
Temerão até mesmo a paz que a lua passa em seu brilho,
Sonham mortos, acordam enterrados,
Sai do caixão para rir ao chão.
Voláteis desmaios ressuscitaram,
Um corpo nas juntas dessas letras,
Vou arrojar a sessão do descarrego,
Polígono das secas,
Sem Carajás enterrada,
Samambaia-açú do sistema,
Em política de café com leite,
Rebelde revolucionado sem explicação.
O contista prescreve,
O doce escalpo da justiça sem mãos...
No dia que não me vier sono.
Tenho... Posso ter...

Que se vá a morte com o seu amor.

 
Humberto Fonseca