sábado, 17 de junho de 2017

Série - As Métricas - Poesias - Humberto Fonsêca


Série - As Métricas - Poesias - Humberto Fonsêca
 
As Métricas

 Esses dias entre um passo e outro no emaranhado de desandas que passavam andando sobre um passo desandado, a infelicidade me motivou a vagar aos solos imaginários que não mais respeitavam minha consciência, andavam como se soubesse em qual rumo estaria a fresta do destino, mal cabia, mau se via, maltrato, mescalina de água fria, por uma altitude de quem não imaginava-se mais estar por uma breve sombra de relapsos instantâneos, vagarosamente orgia as vozes de deusas ensandecidas com suas lágrimas de penhor e brutalidade, imergindo na imersão da minha uretra, quando te pinto de quatro me olhando.
  E se as métricas falassem? o que ela tem haver com isso? seus ângulos, conchavadas, oitavadas e bissextas, é setecentista dentro do meu fantoche malvado. seja a tela branca. deixe que eu coloro. expressão surrealista não tenho eu, se vedes verdade mergulha nesta mentira. (meu decassílabo obstante censurado com faixa e tapa sexo), eu só vejo aquilo que me pode ser apreciado, não reedito as visões. são únicas. estas palavras além de verdadeiras podem ser mudadas... não é? mas não mude... não determino o ritmo, nada de Camões, de lusitanos nos basta a memória, mas o conjunto da criação tem todo um aparato visual que pode-lhe cair do corpo. não verso com dez sílabas.
 Se os protestos da mente tomassem conta do que mais nos serviria o pensar. a mim muito mais me convém a construção métrica do universo, se podemos realmente medir isso a sei lá quantas cargas-d 'água inflacionária de tua quintessência cosmológica dessa gravidade com energia negra sedutora. medieval. rubrica de energia osciladas há meu ver quase morto...
 O cheiro atemporal que me vagueia escurece as quase vistas que ainda me restam, o éter em mim surgi disparando a uma perspectiva sincrônica, "momentos raros, rarefeitos"...

 
Mastigar Poesia - (As Métricas II)

mastigar poesia,

comer o tempo,

suprir'as-supras'renais,

debaixo dos pinheiros...

 

         o mundo é lindo,

               o limite é limitado,

                     presente de imitação,

                           é o que dá e o que se faz.

 

                                                                      se o sereno,

                                                                      que se fez sem sol,

                                                                      tomar o ar,

                                                                      vaporiza.

  teu mar encantado,

  em  praia da Barra,

  nas pedras magnéticas,

  poderosas, ondas magnéticas,

  donas de silêncio,

  pertencentes do remoto,

  tão calma,

  e sombria,

  era,

  a tua voz surgindo das ondas.

 

                                   [sou cego,

                                    quando vejo o celeste].

 

                  tua divinez,

                             imersiva,

                                  transitória,

                                   me capta.

                                   ao branco do'luar...

 no entardecer de um sonho.

 

 __ me vinhas assim:

  "Descalça, de vestido, sobre a areia a segurar o colo, (eu tentava olhar pra baixo e não conseguia), tinha um foco de luz, era como uma imagem "olho de peixe", onde só tinha o centro como fonte reveladora das lembranças, e era tu o fundo esplanado, de cor rosada, pele de pitanga, saputí'morena a desaflorar, a correr, a rir, não sei pra quem, não sei pra onde, mas estavas feliz... essa parte que visualizei do seu vestido era linda, em V, bem decotado, com ombros aparecendo, no aperto do tomara-que-cai, mas que não caía'nunca..."

...do qual me fez recordar um poema, que aqui mofava nas escrituras velhas, composições que não mostro, que são poesias muito indiferente a tudo que me pertence por esses espaços porque acredito ser elas a minha condutora na escrita, me refazendo nessas métricas.

 

Praia Da Ilusão (As Métricas III)

 

                                Sempre que tenho tempo,

                                        Desligo-me dele.

                                             Durmo acordado,

                                                   Levanto deitado,

                                                       Ando parado.

 

                    Na praia da ilusão,

                             Um louco lúcido,

                                    Com papel e caneta...

                                                         Não vê sol,

                                           Seco-me na chuva,

                                   Não ouço o trovão.

                  ... vejo raios apagados.

 

                                      O maremoto é uma onda,

                                                 Não existe lixo algum,

                                                                   Com o beijo...

                                                           Volto dessa ilusão.

__ Foi um sonho...?

Preciso dormir de novo.

 

Humberto Fonseca

 

 

Tintura  - (As Métricas IV)

 

se tu pintas a cara...                  

porquê serás... há..                              

Si tu me vem porque tardar...?                    

É o que há...si...há...              

  {e como há...}                                     

em meu pequeno ver,                                

tuas cores sombreiam,                                          

as minhas nascentes expostas...                              

e como não me vê finjo que não a vejo.                        

pois já estamos de olho um no outro,                            

num faz tempo naum!                                                    

é recente a coisa...                                                          

as chaves trincadas pelo verso,                                      

quebra as trovas que busquei no inferno...                     

por que, para que, o que há além dos céus.                    

se não me vedes o quanto olho.                                      

sustente-se em paredes quebradas,                                 

esquinas partidas,                                                            

bem mais do que agora,                                                

minhas meninas sempre foram das ruas.            

que algum anúncio se faça,

como o enigma que tenho descoberto,

eu já o descobri... e o que tu fazes?

é de um todo para ti,

ou já seria de nós?

"o silêncio me emociona e faz-se criador dos sonhos",                

teus delírios ainda dormem,                     

na minha distância.                           

se te usam endividada,                                

em sinopses,                                        

serás meu roteiro.                                           

vedes que lustro e não dou brilho?                                            

vedes que limpo ao invés de passar pano?                                                

vedes que além do certo falo e faço muito bem o errado?                       

o pecado é nossa folha de divertimento,           

e se tu não sabes, porquê te escondes?              

a moralidade, e a ética, enfim...               

se acaba quando imaginamos, apenas isso, imagina...       

o amor.

 
Ao Pôr-do-sol... - (As Métricas V)

  Esse meu hoje poderia tê-lo dado as emoções. mas quanta razão me barra. me ofende. porque impulsiona não mais ser justo que emotivo? onde deveríamos estar sem pele para ter um coração encourado. posso arrancar este tamborim que com seus ventríloquos me dizem boas e falsas histórias. a minha pele quase se sufoca de não mais sentir tanta razão emotiva. meus poros se fecham ao mundo. me faz respirar por dentro. sentir meu próprio ar. porque não preciso de sinais vitais marcados para orientar meu viver, morro quando der e vivo o quanto puder. não quero latifúndios de vida, vidas e mais vidas sem que as possa viver. __ e vocês acham que seu silêncio me tumultua? será mesmo que este espaço está querendo resposta? a solução aqui não vem do óbvio, mas é digna e justa quando se empunha contra as armadas deploráveis que se apresentam com suas manjedouras e copos de leite, todos tem fome, todos tem sede. até os espinhos da rosa. entende; "eu não me ofereço diante de olhos que não querem que eu antes de tudo seja o feliz". e muitos pasmam e admiram-se. porque sei muito como o homem é covarde consigo. de como ele se entrega e envereda ao sofrimento do proibitivo. "não é preciso mais essência, já vende em frascos", e a camomila nada mais é que saquinho na água quente, ainda existe chá por estes lados pra acalmar a minha alma. dona dos devaneios... quantas falas, quantas prosas, quanta luta sofrida temos despistado de nosso serzinho não? háháhá amanhã tem mais dia, amanhã tem mais noite, e eu sigo rido da vida porque a tristeza já encontrou seu lar em um pedaço do meu coração.

  Encontrei um lugar onde posso selar esse pacto de humanidade que não mais mede a consequência da mente. pra que medir aquilo que se pipoca em caras alheias. quem tem face que não se curve. que não se dobre. porque os baldes de poesias nesta manhã sobe. no veio puxado a mão, desta alma enegrecida sem ver sermão, "porquê os homens não atacam", não tomam conta, não fazem deste mundo seu quintal? falem diabos, como abraçar o mundo com dois braços? ou falarei como (Nietzsche "porque escrevo livros tão bons?") __ só pode ser pela recusa do mundo. os nobres serão sempre os atordoados? ou será mesmo, que quem se entreva na vida só ganha a morte. há minha alma canta entre os vales, sinto a prosa pegando as curvaturas dos montes, se deixando espraiara sobre o sereno, o vento sul agora leva as nuvens para as montanhas do homem adormecido, é lindo seu acordar pelo amare-azul transcendente, de lírio-claro e borda-cinza, sem moldura, em um céu que não sei quem criou. nada tenho contra as religiões, contra os sermões, acredito eu que tudo que tenha vindo até agora no mundo nosso resultado, "congratulations", nada foi feito em vão. seja um penico ou mimeógrafo, o homem é que não sabe mais onde enfiar a cabeça para tecer sua majestosa mente, meu coração só bate, não clama, não chama, expulsa tudo que há de velho nesse instante. "ainda revivem sim, às memórias", estas são dom humano de maior estima, é nossa gaveta, armário e amplidão dentre os escuros mentais, pode ter de tudo em cada uma dela... engraçado quando se escreve vorazmente, nem faz dois minutos que estou no raciocínio e veja o que já transladei, informação conexa-dexa-condensada partida em um por todos e todos por um.

 
Humberto Fonsêca

 
Ao Corpo, Medida em Métricas - (As Métricas VI)
 
(Ao Corpo...)

 

                                                        poeta que se diz poeta não o é,

                                                                se faz ante ela como dela se desfaz,

                                                                         poeta e poetisa não sabe romantizar,

                                                                                  é que o poeta não sabe amar.

ele vai entre sinos,

sonetos'sentidos,

do coração a seca folha,

nos ares esvaído.

 

                                     tão nobre,

                                     es tu o culto'puto,

                                     das damas pervertidas,

                                     e moças'acabrunhadas..

                                                                                                  quem não amou na vida,

                                                                                                  na morte é que não ama,

                                                                                                  de melancolia,

                                                                                                  os doces arranham.

 se vieres de prosa e rima,

a palavra sem mistério saiu-se endorfina,

do que me valem os céus,

do que me vale os vales.

                                                  te ditas perseguido,

                                                       nas trovas do largado,

                                                          se não fores vivo mais,

                                                              renova os teus falados.

                                               
                               o presente, um ébrio ar,

                                    te persegues em ditados,

                                          sentes tua fala alma viva,

                                                nesses corpos en'versados.    

 

(Medida em Métricas)

 

   Desta Vez,

   O método,

   Sente-se,

   Em pele.                                A manhã,

                                                 Ainda alva,

                                                 Já está escura.

                                                                                          E, e pode ser,

                                                                                          As grandes,

                                                                                          Serem as miúdas,

                                                                                          Completando a panela.
O dia este,

Meu e teu,

É de nós,

Um além qualquer.                         O que digo para mim,

                                                           Tão só teu,

                                                           Por isto estou,

                                                           A quem sou.

                                                                                                 Tome de meu partido,

                                                                                                  Migalhas, soletração,

                                                                                                  Partidos quebrados,

                                                                                                 Em sonhos que se levantam.
Ontem falei do silêncio,

Agouro agora o passado,

Porque o silêncio morto,

Jaz revoltado.                              A cura,

                                                    Da espécie,

                                                    Pode estar nos espinhos.
              Sei que tua alma morre,

             A cada dia que o corpo levanta,

             Sôfregas e esfregas em arte,

             Te espamas sem gozo.

                            O dom de viver,

                            É sabedoria da alma,

                            Em minutos estaremos mortos,

                             Nos versos dessa cabala.                   

                                                                   "Que imagem",

                                                                    Teus olhos me fez,

                                                                    E tudo que vi,

                                                                   Foi do nunca ou talvez.
Enquanto as almas clamam,

O meu corpo canta,

Pois sabe que depois de nós,

Restará nada de ninguém.  
                                                     Até as melhores lembranças são apagadas,

                                  Esquecidos pela vida aguardaremos a morte,

                                  Não te feches, a brecha que me deste transpassou,

                                                    Tudo que espero é porque estou...
      De longe,
      A ninar o vento,
      O tempo,
      Passando em teus cabelos.             

                                                             Ainda que não sinta,

                                                            Ou até quando tu não podes,

                                                            Amarra-me com teus pelos...

                                                            Para vedes o sacodes.

Levanta poeira,
Destruições de lastros,
Noites cheias...

                                                                       As almas quebraram o céu,

                                                    Tem algum corpo que não queime,

                                        Sobre o ar do sereno,

                      Na luz do sol...

  Tu me deste o que falar pelos olhos.

 

Humberto Fonseca

 

U1m traço, Os Inimigos do Céu - (As Métricas VII)

(U1m traço)

 Comecei __________ vendo,                                                               
Sem fazer ______ aos seres,                                                                  
______ por sempre,                                                                                   
Anda'junto _____ homotipia.

 Não queira completar as lacunas que não conhece,
O óbvio não se aprimorou,
Vilosidades de primores secundários.

       Seja bem vinda,

           Em Alma,

                Em des'prazer,

                     O viés de tuas costas.

                          Aos meu olhos,

                              Espaduas seminua,

                                  Ao desejo...

                                                    Lamento os metros,

                                                    Toco o milímetro,

                                                    E o teu grande miúdo.                            

                       Chora alegre,                         Seu ar,

                      Feita'verbo,                            Só seu,

                      Na exordia,                             Séfora,

                      Muda transfusão.                  Sem mim.

                                       Lapídeas transversais,

                                     Objetos limpos,

                               Do mercado negro,

                        Foram ao sol...

                                     E não sei se eras,

                                          Se eras tu mesmo,

                                               Que e faz imaginar,

                                                   O amor de Dalí.

                                                         Ó Gala.

(Os Inimigos Do Céu)

     Abriram.                                                                            

           Alfa'refutável,

                  Eram. mas não eram.                                                           

                          Lânguido'binários,

                               Se foi ninguém sabe,      

                                      Nem sei por onde ando,

                                              Sei que diz...                         

                                              A retroz. 

                                              Metracidades'matrizes,

                                              Ambulantizada,

                                              Ferro e fogo,

                                              Como lhe pede a carne.

                                              Agora bem sei,

                                              Mas se soubesse...               

Estaria aqui'nunca.                                                                              

Já saímos de onde andamos.

Rebuscado sobre olhos,

         A fio pavios,

              Sorado, sorvado de pele,

                   Tocando nada mais que a alma.

                                        Destoada solidão toma posse,

                                    In'nascensa, obra mútua,

                              Os pincéis que aqui trabalham...

                         E as tomadas,

                 Cada uma com cada'quadra,

        Nada morre onde tudo nasce,

 Tombamos.                                                

                                   Se reluzisse,

                                          Se brilhasse,

                                  Ao qual'escuro.                             

   Pretexto comum,

        Bala em vácuo,

             No semblante.

                                    Cáia-morto,

                                          Cáia-káia-cáia!

                                                  Perambular sem alma,

                                                           É ser inofensivo.

 

            

Preâmbulos,                              

             Amargura,      

                    Não é só de poetas,

                                     Vem dos céus.

                                            Compacto fosse,

                                            Concreto,

                                            Base,

                                            Em tudo que se move.

                                                       Rituetas,

                                                       Milharias.

                                                       É a gran'ganância,

                                                       Feita.


Humberto Fonseca

    "poeta-prosa narrador, experimental caótico da neutralidade"