terça-feira, 4 de julho de 2017

O Que Sabemos - Texto - Humberto Fonsêca


 
Fotografia: Humberto Fonseca
 
O Que Sabemos?

 Ontem, hoje, amanhã... O que será mesmo, o que faremos,? O que entendemos, o que conheceremos? Será que estaremos plenos de sentido e sentimento para saber o que sentimos, ou apenas, o que queremos?

 Frase confusa e complexa, não fico perplexo no meio da luta e dos sonhos, arquitetando as naturalidades "insociáveis"... Ao assumir o nosso levante diante das quedas, nos tornamos neutros ou puramente sóbrios sobre nossas dores, encontrando remédio para curar feridas passadas, pois se formos observar, as dores atuais e pesadelos que nos ocorreram em passadas noites se esvoam a cada amanhã, não mais machucam, não mais assustam, mas invariavelmente se juntam as antigas passagens conhecidas, cada ser humano sabe as próprias trincheiras mentais, melancolias habituais, e constrangimentos íntimos, que de alguma maneira ou outra precisam ser destruídos.

 A luta do dia a dia contra a tristeza, como arrasá-la, destruí-la, devastá-la, conduzi-la ao inferno de seus próprios mártires, pois sofrimento nenhum é escola, sofrimento nenhum é vantagem, sofrimento nenhum  é aprendizado, sofrimento nenhum é paz de espírito. 

 Cansei destes que dizem que a vida ensina, que o mundo ensina, que apanhar para aprender ensina, será porque as criações nunca se uniram? Porque as gerações nunca se uniram? As diferenças nunca se uniram? As igualdades nunca se uniram? Ou você acha que vou falar de amor porque estou amando? Que vou falar de dor porque estou sofrendo? Que vou falar de sujeira enquanto sou a pureza? Que vou falar de derrota enquanto sou a vitória? Acha mesmo que vou entrar nesse jogo de fé e migalhas?

 A escrita, a minha poesia, não é argumento ou produto para entretenimento, a arte que vos apresenta vem de tantas sabedorias, de tantas vivências, de tantos experimentos, que estas ciências nefastas nunca conhecerão a palavra pura, a ciência pura na dialética escrita,  quebrando esse amontoado de regras, "não sei se me conduzo entre moças que vive contando os dias, ou se estou diante de homens que se entredevoram-se por desejos improváveis", é porque de alguma maneira hoje em dia, aquilo que é para verdadeiramente sentir e saber, viver e desejar, quando se sente, enoja-se. Quando se sente, tem-se medo, seja ele de enfrentar as dificuldades, seja ele por  crescer diante das batalhas, seja ele diante de um amor, "que de certa maneira, torna o sábio tolo, e o tolo sábio", o homem quando encontra o fenômeno natural " dos tempos", pois, é preciso entender que não existe apenas fenômenos de causas naturais, mais os fenômenos dos tempos, dos encontros, dos acertos, das contas, do passado, daquilo que estamos transgredindo no presente, imaginando que não haverá catástrofes no futuro, está é a capacidade desta poesia, viajar na temporalidade dos sentidos, nos vãos dos olhos, nos escaninhos das ruas, na informação traficada sem droga alguma, além de suas virtudes, só assim encontramos a barreira entre; eu, você, e minha escrita... Minhas obras são labirintos para tua virtude, para encontrar as tuas correntes, para libertar a tua mente, não a tua alma, mas de certa maneira, é impossível sonhar com quem só tem pesadelos.

  É preciso viver aquilo que se deseja falar. É preciso falar daquilo que se quer aprender. É preciso não precisar para ter. A poesia retorna ao neologismo, simbolizando o paradigma, esmiuçando as entrelinhas, (ou achas que não sei o que estou escrevendo?). Sabes leitor, (leitora especial), a coragem é uma brisa que pode ser roubada, a coragem é um momento que pode ser superada, tanto pela esperança como pela covardia, é preciso saber que também existem dois lados para a coragem, é preciso coragem para dar sabedoria as virtudes, é com a sabedoria que temos o entendimento, é com o entendimento que conhecemos os fatos, chegamos aos sábios, mas sem a coragem necessária, trivial, virtuosa, não saberemos ter gratidão ao vencer as batalhas contra as trevas, já que nossas coragens andam quase enlatadas e vendidas em supermercados, nesse meu processo de produção artesanal, a teoria crítica instrumental, tecendo palavra por palavra, buscando rima por rima, o único encontro desejado, é do raciocínio puro, da linguagem verbal inconsciente, na portabilidade para destruir o ego e rancores, vemos tropas de âmagos em um único ser humano, vemos regras e regras de métodos acabados dos quais conhecem os resultados e sentidos, dos quais, sem a coragem necessária e entendida nunca poderíamos chegar a estes primórdios de debates rebeldes incansáveis sobre um tema que ousam não esquecer, que ousam lembrar, que ousam questionar, mais que de alguma maneira, não conseguem provar diante da coragem. Será porquê não conhecem a coragem? Ou porque não conhecem ou aceitam a verdade? Ou será que é necessário ter justiça para conhecer a coragem? Nosso país já nos demonstra que a justiça não tem coragem.

  No livro a Arte da Guerra de Sun Tzu, diz: "Existe alguns exércitos que não devem ser enfrentados, e algumas posses que não devem ser conquistadas". Complexo se formos analisar a atual sociedade que vivemos, que podemos transferir essa frase para o sentido dos desejos materializados e poderes pessoais dos quais parecem não serem questionáveis, as pessoas parecem desejar aquilo que não podem ter, querem ter aquilo que não conhecem, desejam o sabor da dominação ao invés do poder da contemplação, é difícil entender estas doses de dominação disfarçada de desejos. É preciso neutralizar esses ressentimentos rancorosos disfarçados de desejos e sabedoria... Voltando a frase, será que você está pronto para conhecer tudo que deseja? Ou tu achas que alguns sentimentos são como pacotes de bolachas recheadas que não mudam de sabor? Estou falando isso porque estamos diante de uma sociedade que empacotou o "sentimento-objeto", antes tínhamos na filosofia o sujeito-objeto, do qual para os próprios filósofos, críticos da sabedoria humana dizem ser quase quase inseparável, só através de métodos, de fenomenologias, ontologias,éticas, quem sabe a teoria dos símbolos, entre outras constantes para conhecimento da sabedoria humana. Nesta separação entre o real,  material e o espiritual, temos uma sociedade baseada em produção de pacotes de sentidos, sentimentos, deveres, e poderes, como se isso nunca fosse modificado, daí, vemos que mesmo após produzirem, venderem, ainda assim, não suportam seus próprios sabores, por isso a pergunta desta frase, dessa metodologia entre o viver, o saber, o poder, e essa repressão incalculada e soberba que nos rodeiam, como se precisássemos dos que eles precisam, como se desejássemos o que eles desejam, como se fôssemos fazer como eles fazem, e haja luta nesta produção artesanal para fugir das cópias, dos plágios, das copiações, das inumeráveis perseguições de pessoas sem criatividade alguma em meio a toda burocracia institucional de suas obras enfadonhas. 

  Por onde ando, a mesma conversa, as mesmas dores, os mesmo boatos, os mesmo passados, as mesmas lamúrias, as mesmas, mesmas, mesmas, futuinhas... E você começa analisar que não vivem o presente, não curtem o presente, não desenham o futuro, não acreditam ou apostam no futuro, não imaginam o que poderiam ser futuro, não lutam para escrever o futuro, nunca viveram tempo algum além do passado, projetam o mesmo passado para o futuro, são como deuses, reis e rainhas, senhores que não podem se desprender de suas historiazinhas chatas, melancólicas, sofridas, perseguidas, e extremamente chatas, se crucificam no próprio passado, como se fosse impossível errar, como se fossem perfeitos, como se nunca estivessem errados para viver a situação atual , se pegam em "dores imortais", que nem mesmo os imortais das artes e literaturas poderiam descrever, pois parecem nunca ter fim.

  Lembra (leitora especial), que tinha te informado sobre um texto que estava me remoendo? Aqui está depois de tantas noites e conversas vivenciadas, como te adoro leitora minha... Perdoe-me por tanta clareza textual, dissertativa, ao narrar o que me parece ser neste momento incontestável.

 A frase de Sun Tzu, nos ensina a se preparar para essas posses, para estes exércitos, para estes conflitos, para estas guerras, principalmente por nos apresentar aquilo que "não queremos para nós, não podemos desejar aos outros". É preciso se preparar para recusar, para não querer, para subjugar estes hostis que nos ofertam vivências cadenciadas de putrefações, onde a nossa pureza sensorial e emocional parecem precisar de vacinas, remédios, antídotos, nosso corpo e espírito é uma só unidade, enquanto nossa mente é uma infinidade de confusões, desdobramentos, simulações, ilusões e realidades, quando estas poderem ser conquistadas, desejadas ou derrotadas, podem causar este inerente atrito entre o corpo e a alma. O nosso corpo pode não estar com uma doença, mas basta pensamentos ruins para que este enfraqueça, basta que nossa mente adoeça para que a paranoia ataque nossa alma, para que enfraqueçamos como grandes produtores de uma realidade diferente e como seres humanos, estamos de alguma maneira em meio a esta unidade que nos interliga entre a natureza, as energias terrestres e a vivência da nossa existência, o ser humano parece esquecer que ainda é humano, que um simples espinho o leva as profundeza de sua consciência ao inflamar e doer insuportavelmente, assim são as dores, somos fracos e carnais, somos treinados e perdemos, somos inteligentes e burros, pois a necessidade de aprendizado diária é violenta, somos produtos descartáveis de uma sociedade que nunca será igualitária, somos os meios que justificam os fins, somos nós a sabedoria desta existência violenta, somos esta violenta e existente realidade mortificada, da qual perscruta para mim desde muitos tempos uma simples realidade, da qual antes de realizar alguma mudança em nossos conhecimentos, é preciso manter a dignidade, honra, lealdade, sempre unidas, juntas, harmoniosamente contestando as futuinhas de nossas operantes atrizes dos desejos inseparáveis, pois de alguma maneira, esses passados, presentes e futuros, não estão sendo modificados, por causa simples, a constante busca de realizações de desejos, dos quais destroem os planos que realmente poderiam um dia fazer bem estar ao corpo, a alma, ao nosso viver, e principalmente, nos trazer paz e alegria em contentar-se com nossas realizações ao invés das burradas do passado.

 O que sabemos sobre nós mesmos é sempre contraditório e conciliador, teorizar a capacidade humana em meio a controles e táticas é uma busca de adestramento, uma luta comportamental que não deixa os seres humanos crescerem intelectualmente por não suportar as evoluções do próprio conhecimento, 

 O que entendemos com a falsidade? Como ajudar uma pessoa que em sua meta de objetivo só consegue alcançar a culpabilidade. Preconceituosa, imperdoável, sem espaço para que as mudanças aconteçam, onde sua alma e coração continua obstruída, na mentira cega da própria existência, fingida de tantas mentiras, como se uma mentira fosse pouca, constrói mentira insublimes, pois nunca conseguiremos entender o porque dessas mentiras, o porque de culpar os outros, o porque de não abrir espaço para o perdão, nesse rastro de uma culpa interior sem fim, parece realmente dever mais que a todos, deve a si mesmo primeiramente, deve-se perdoar para objetivar o perdão dos outros, deve mudar, erradicar a mentira da vida, livrar-se dos princípios que a educaram, "pois vemos que existe uma educação com essa mesma tipologia, é uma rede construída de mentiras, pois se derrubar uma, todas caem", por isso a necessidade desenfreada e irrevogável de manter esse estado abominável, se a honra está no levantar, vemos uma busca constante de manter-se arrastando, de estar sempre buscando um fator externo que não a interiorize, e se já chegou a este estado emocional pode ter certeza de que a atingimos, de que a derrubamos com suas instruídas superstições, de que é impossível se esconder com as mesmas desculpas, e principalmente com as mesmas culpas. Se o estado de tempo e espaço não muda por causa de nossas observações, pelo contrário em nossas costas continua a mudança do regresso, é na arte de regredir que vemos essas instruções sendo aplicadas, como se todos tivessem que viver o que alguns amargorosos continuam cantando como modo de vida e menorização do estado humano.

  Eis a luta consciente, onde percebe-se os planos, a busca pela falha, é manter o controle emocional, espiritual, intelectual, desejam as aberturas das falhas humanas, desejam que sucumbimos a raiva e ira para ser esquartejado em vulgaridades preconceituosas, manifestadas de desejos incapazes, pois se realizam de nossas dores, nunca de nossas vitórias. Vamos mantendo a postura diante de tantas observações sem sentidos, de tantos desenhos mal feitos, de tantos retratos que não sintonizam sobre nossas ondas magnéticas, onde a perturbação pessoal é quem faz oscilar os resultados dos quais já nos parecem positivos, se você está passando por alguma vivência parecida, mantenha a calma, a paciência, exercite sua virtude, e pratique o perdão, é a lei do desapego contra o absurdo preconceituoso, só assim para nos mantermos livres das almas imundas, desses sebosos negociantes de desejos,  apodrecedores de sonhos, maturadores da miséria, infernizadores da paz, se desejam sufocar-nos com suas dores, é porque já não suportam a verdade que os sufocam.

"O ego não deve ir a guerra, um campo de batalha não é espaço para ressentimentos". Sun Tzu


Nessa construção de sentidos contra opressões temos as arquiteturas, arquétipos, e micronésimos estados de espíritos sendo subjulgados para libertarem-se de nossas vidas, pois a vida não necessita de tanta essência para ser sentida,  a vida não necessita de tanto segredo para ser exercida, a vida não necessita de tantas picuinhas para ser explicita, a vida não necessita de tantas abreviaturas para que não tenhamos sua longevidade, a vida não pode ser sufocada em meio as nossas contradições pessoais, é como se não observássemos, é como se não tivéssemos olhos, é como se nossa sabedoria nada exerce, é como se nossas experiências de nada valem, é como se nossas vidas estivessem prontas em um roteiro, é como se a vida não mais pudesse ser desprogramada, é como se eles tivessem controle sobre todos os descontrolados, por isso a decência, sabedoria, calma, paciência, nada de instruções, apenas esperar esse momento passar, pois até a mais longínqua das iras, encontra em algum momento a sua paz. Ou como dizem," o sossego de um doido, acaba quando ele encontra outro".

 

Humberto Fonsêca

sábado, 17 de junho de 2017

Série - As Métricas - Poesias - Humberto Fonsêca


Série - As Métricas - Poesias - Humberto Fonsêca
 
As Métricas

 Esses dias entre um passo e outro no emaranhado de desandas que passavam andando sobre um passo desandado, a infelicidade me motivou a vagar aos solos imaginários que não mais respeitavam minha consciência, andavam como se soubesse em qual rumo estaria a fresta do destino, mal cabia, mau se via, maltrato, mescalina de água fria, por uma altitude de quem não imaginava-se mais estar por uma breve sombra de relapsos instantâneos, vagarosamente orgia as vozes de deusas ensandecidas com suas lágrimas de penhor e brutalidade, imergindo na imersão da minha uretra, quando te pinto de quatro me olhando.
  E se as métricas falassem? o que ela tem haver com isso? seus ângulos, conchavadas, oitavadas e bissextas, é setecentista dentro do meu fantoche malvado. seja a tela branca. deixe que eu coloro. expressão surrealista não tenho eu, se vedes verdade mergulha nesta mentira. (meu decassílabo obstante censurado com faixa e tapa sexo), eu só vejo aquilo que me pode ser apreciado, não reedito as visões. são únicas. estas palavras além de verdadeiras podem ser mudadas... não é? mas não mude... não determino o ritmo, nada de Camões, de lusitanos nos basta a memória, mas o conjunto da criação tem todo um aparato visual que pode-lhe cair do corpo. não verso com dez sílabas.
 Se os protestos da mente tomassem conta do que mais nos serviria o pensar. a mim muito mais me convém a construção métrica do universo, se podemos realmente medir isso a sei lá quantas cargas-d 'água inflacionária de tua quintessência cosmológica dessa gravidade com energia negra sedutora. medieval. rubrica de energia osciladas há meu ver quase morto...
 O cheiro atemporal que me vagueia escurece as quase vistas que ainda me restam, o éter em mim surgi disparando a uma perspectiva sincrônica, "momentos raros, rarefeitos"...

 
Mastigar Poesia - (As Métricas II)

mastigar poesia,

comer o tempo,

suprir'as-supras'renais,

debaixo dos pinheiros...

 

         o mundo é lindo,

               o limite é limitado,

                     presente de imitação,

                           é o que dá e o que se faz.

 

                                                                      se o sereno,

                                                                      que se fez sem sol,

                                                                      tomar o ar,

                                                                      vaporiza.

  teu mar encantado,

  em  praia da Barra,

  nas pedras magnéticas,

  poderosas, ondas magnéticas,

  donas de silêncio,

  pertencentes do remoto,

  tão calma,

  e sombria,

  era,

  a tua voz surgindo das ondas.

 

                                   [sou cego,

                                    quando vejo o celeste].

 

                  tua divinez,

                             imersiva,

                                  transitória,

                                   me capta.

                                   ao branco do'luar...

 no entardecer de um sonho.

 

 __ me vinhas assim:

  "Descalça, de vestido, sobre a areia a segurar o colo, (eu tentava olhar pra baixo e não conseguia), tinha um foco de luz, era como uma imagem "olho de peixe", onde só tinha o centro como fonte reveladora das lembranças, e era tu o fundo esplanado, de cor rosada, pele de pitanga, saputí'morena a desaflorar, a correr, a rir, não sei pra quem, não sei pra onde, mas estavas feliz... essa parte que visualizei do seu vestido era linda, em V, bem decotado, com ombros aparecendo, no aperto do tomara-que-cai, mas que não caía'nunca..."

...do qual me fez recordar um poema, que aqui mofava nas escrituras velhas, composições que não mostro, que são poesias muito indiferente a tudo que me pertence por esses espaços porque acredito ser elas a minha condutora na escrita, me refazendo nessas métricas.

 

Praia Da Ilusão (As Métricas III)

 

                                Sempre que tenho tempo,

                                        Desligo-me dele.

                                             Durmo acordado,

                                                   Levanto deitado,

                                                       Ando parado.

 

                    Na praia da ilusão,

                             Um louco lúcido,

                                    Com papel e caneta...

                                                         Não vê sol,

                                           Seco-me na chuva,

                                   Não ouço o trovão.

                  ... vejo raios apagados.

 

                                      O maremoto é uma onda,

                                                 Não existe lixo algum,

                                                                   Com o beijo...

                                                           Volto dessa ilusão.

__ Foi um sonho...?

Preciso dormir de novo.

 

Humberto Fonseca

 

 

Tintura  - (As Métricas IV)

 

se tu pintas a cara...                  

porquê serás... há..                              

Si tu me vem porque tardar...?                    

É o que há...si...há...              

  {e como há...}                                     

em meu pequeno ver,                                

tuas cores sombreiam,                                          

as minhas nascentes expostas...                              

e como não me vê finjo que não a vejo.                        

pois já estamos de olho um no outro,                            

num faz tempo naum!                                                    

é recente a coisa...                                                          

as chaves trincadas pelo verso,                                      

quebra as trovas que busquei no inferno...                     

por que, para que, o que há além dos céus.                    

se não me vedes o quanto olho.                                      

sustente-se em paredes quebradas,                                 

esquinas partidas,                                                            

bem mais do que agora,                                                

minhas meninas sempre foram das ruas.            

que algum anúncio se faça,

como o enigma que tenho descoberto,

eu já o descobri... e o que tu fazes?

é de um todo para ti,

ou já seria de nós?

"o silêncio me emociona e faz-se criador dos sonhos",                

teus delírios ainda dormem,                     

na minha distância.                           

se te usam endividada,                                

em sinopses,                                        

serás meu roteiro.                                           

vedes que lustro e não dou brilho?                                            

vedes que limpo ao invés de passar pano?                                                

vedes que além do certo falo e faço muito bem o errado?                       

o pecado é nossa folha de divertimento,           

e se tu não sabes, porquê te escondes?              

a moralidade, e a ética, enfim...               

se acaba quando imaginamos, apenas isso, imagina...       

o amor.

 
Ao Pôr-do-sol... - (As Métricas V)

  Esse meu hoje poderia tê-lo dado as emoções. mas quanta razão me barra. me ofende. porque impulsiona não mais ser justo que emotivo? onde deveríamos estar sem pele para ter um coração encourado. posso arrancar este tamborim que com seus ventríloquos me dizem boas e falsas histórias. a minha pele quase se sufoca de não mais sentir tanta razão emotiva. meus poros se fecham ao mundo. me faz respirar por dentro. sentir meu próprio ar. porque não preciso de sinais vitais marcados para orientar meu viver, morro quando der e vivo o quanto puder. não quero latifúndios de vida, vidas e mais vidas sem que as possa viver. __ e vocês acham que seu silêncio me tumultua? será mesmo que este espaço está querendo resposta? a solução aqui não vem do óbvio, mas é digna e justa quando se empunha contra as armadas deploráveis que se apresentam com suas manjedouras e copos de leite, todos tem fome, todos tem sede. até os espinhos da rosa. entende; "eu não me ofereço diante de olhos que não querem que eu antes de tudo seja o feliz". e muitos pasmam e admiram-se. porque sei muito como o homem é covarde consigo. de como ele se entrega e envereda ao sofrimento do proibitivo. "não é preciso mais essência, já vende em frascos", e a camomila nada mais é que saquinho na água quente, ainda existe chá por estes lados pra acalmar a minha alma. dona dos devaneios... quantas falas, quantas prosas, quanta luta sofrida temos despistado de nosso serzinho não? háháhá amanhã tem mais dia, amanhã tem mais noite, e eu sigo rido da vida porque a tristeza já encontrou seu lar em um pedaço do meu coração.

  Encontrei um lugar onde posso selar esse pacto de humanidade que não mais mede a consequência da mente. pra que medir aquilo que se pipoca em caras alheias. quem tem face que não se curve. que não se dobre. porque os baldes de poesias nesta manhã sobe. no veio puxado a mão, desta alma enegrecida sem ver sermão, "porquê os homens não atacam", não tomam conta, não fazem deste mundo seu quintal? falem diabos, como abraçar o mundo com dois braços? ou falarei como (Nietzsche "porque escrevo livros tão bons?") __ só pode ser pela recusa do mundo. os nobres serão sempre os atordoados? ou será mesmo, que quem se entreva na vida só ganha a morte. há minha alma canta entre os vales, sinto a prosa pegando as curvaturas dos montes, se deixando espraiara sobre o sereno, o vento sul agora leva as nuvens para as montanhas do homem adormecido, é lindo seu acordar pelo amare-azul transcendente, de lírio-claro e borda-cinza, sem moldura, em um céu que não sei quem criou. nada tenho contra as religiões, contra os sermões, acredito eu que tudo que tenha vindo até agora no mundo nosso resultado, "congratulations", nada foi feito em vão. seja um penico ou mimeógrafo, o homem é que não sabe mais onde enfiar a cabeça para tecer sua majestosa mente, meu coração só bate, não clama, não chama, expulsa tudo que há de velho nesse instante. "ainda revivem sim, às memórias", estas são dom humano de maior estima, é nossa gaveta, armário e amplidão dentre os escuros mentais, pode ter de tudo em cada uma dela... engraçado quando se escreve vorazmente, nem faz dois minutos que estou no raciocínio e veja o que já transladei, informação conexa-dexa-condensada partida em um por todos e todos por um.

 
Humberto Fonsêca

 
Ao Corpo, Medida em Métricas - (As Métricas VI)
 
(Ao Corpo...)

 

                                                        poeta que se diz poeta não o é,

                                                                se faz ante ela como dela se desfaz,

                                                                         poeta e poetisa não sabe romantizar,

                                                                                  é que o poeta não sabe amar.

ele vai entre sinos,

sonetos'sentidos,

do coração a seca folha,

nos ares esvaído.

 

                                     tão nobre,

                                     es tu o culto'puto,

                                     das damas pervertidas,

                                     e moças'acabrunhadas..

                                                                                                  quem não amou na vida,

                                                                                                  na morte é que não ama,

                                                                                                  de melancolia,

                                                                                                  os doces arranham.

 se vieres de prosa e rima,

a palavra sem mistério saiu-se endorfina,

do que me valem os céus,

do que me vale os vales.

                                                  te ditas perseguido,

                                                       nas trovas do largado,

                                                          se não fores vivo mais,

                                                              renova os teus falados.

                                               
                               o presente, um ébrio ar,

                                    te persegues em ditados,

                                          sentes tua fala alma viva,

                                                nesses corpos en'versados.    

 

(Medida em Métricas)

 

   Desta Vez,

   O método,

   Sente-se,

   Em pele.                                A manhã,

                                                 Ainda alva,

                                                 Já está escura.

                                                                                          E, e pode ser,

                                                                                          As grandes,

                                                                                          Serem as miúdas,

                                                                                          Completando a panela.
O dia este,

Meu e teu,

É de nós,

Um além qualquer.                         O que digo para mim,

                                                           Tão só teu,

                                                           Por isto estou,

                                                           A quem sou.

                                                                                                 Tome de meu partido,

                                                                                                  Migalhas, soletração,

                                                                                                  Partidos quebrados,

                                                                                                 Em sonhos que se levantam.
Ontem falei do silêncio,

Agouro agora o passado,

Porque o silêncio morto,

Jaz revoltado.                              A cura,

                                                    Da espécie,

                                                    Pode estar nos espinhos.
              Sei que tua alma morre,

             A cada dia que o corpo levanta,

             Sôfregas e esfregas em arte,

             Te espamas sem gozo.

                            O dom de viver,

                            É sabedoria da alma,

                            Em minutos estaremos mortos,

                             Nos versos dessa cabala.                   

                                                                   "Que imagem",

                                                                    Teus olhos me fez,

                                                                    E tudo que vi,

                                                                   Foi do nunca ou talvez.
Enquanto as almas clamam,

O meu corpo canta,

Pois sabe que depois de nós,

Restará nada de ninguém.  
                                                     Até as melhores lembranças são apagadas,

                                  Esquecidos pela vida aguardaremos a morte,

                                  Não te feches, a brecha que me deste transpassou,

                                                    Tudo que espero é porque estou...
      De longe,
      A ninar o vento,
      O tempo,
      Passando em teus cabelos.             

                                                             Ainda que não sinta,

                                                            Ou até quando tu não podes,

                                                            Amarra-me com teus pelos...

                                                            Para vedes o sacodes.

Levanta poeira,
Destruições de lastros,
Noites cheias...

                                                                       As almas quebraram o céu,

                                                    Tem algum corpo que não queime,

                                        Sobre o ar do sereno,

                      Na luz do sol...

  Tu me deste o que falar pelos olhos.

 

Humberto Fonseca

 

U1m traço, Os Inimigos do Céu - (As Métricas VII)

(U1m traço)

 Comecei __________ vendo,                                                               
Sem fazer ______ aos seres,                                                                  
______ por sempre,                                                                                   
Anda'junto _____ homotipia.

 Não queira completar as lacunas que não conhece,
O óbvio não se aprimorou,
Vilosidades de primores secundários.

       Seja bem vinda,

           Em Alma,

                Em des'prazer,

                     O viés de tuas costas.

                          Aos meu olhos,

                              Espaduas seminua,

                                  Ao desejo...

                                                    Lamento os metros,

                                                    Toco o milímetro,

                                                    E o teu grande miúdo.                            

                       Chora alegre,                         Seu ar,

                      Feita'verbo,                            Só seu,

                      Na exordia,                             Séfora,

                      Muda transfusão.                  Sem mim.

                                       Lapídeas transversais,

                                     Objetos limpos,

                               Do mercado negro,

                        Foram ao sol...

                                     E não sei se eras,

                                          Se eras tu mesmo,

                                               Que e faz imaginar,

                                                   O amor de Dalí.

                                                         Ó Gala.

(Os Inimigos Do Céu)

     Abriram.                                                                            

           Alfa'refutável,

                  Eram. mas não eram.                                                           

                          Lânguido'binários,

                               Se foi ninguém sabe,      

                                      Nem sei por onde ando,

                                              Sei que diz...                         

                                              A retroz. 

                                              Metracidades'matrizes,

                                              Ambulantizada,

                                              Ferro e fogo,

                                              Como lhe pede a carne.

                                              Agora bem sei,

                                              Mas se soubesse...               

Estaria aqui'nunca.                                                                              

Já saímos de onde andamos.

Rebuscado sobre olhos,

         A fio pavios,

              Sorado, sorvado de pele,

                   Tocando nada mais que a alma.

                                        Destoada solidão toma posse,

                                    In'nascensa, obra mútua,

                              Os pincéis que aqui trabalham...

                         E as tomadas,

                 Cada uma com cada'quadra,

        Nada morre onde tudo nasce,

 Tombamos.                                                

                                   Se reluzisse,

                                          Se brilhasse,

                                  Ao qual'escuro.                             

   Pretexto comum,

        Bala em vácuo,

             No semblante.

                                    Cáia-morto,

                                          Cáia-káia-cáia!

                                                  Perambular sem alma,

                                                           É ser inofensivo.

 

            

Preâmbulos,                              

             Amargura,      

                    Não é só de poetas,

                                     Vem dos céus.

                                            Compacto fosse,

                                            Concreto,

                                            Base,

                                            Em tudo que se move.

                                                       Rituetas,

                                                       Milharias.

                                                       É a gran'ganância,

                                                       Feita.


Humberto Fonseca

    "poeta-prosa narrador, experimental caótico da neutralidade"