Humberto Fonsêca

sábado, 2 de setembro de 2017

Conclusão do Curso - Educaç]ao Patrimonial - Instituto Federal de Santa Catarina - IFSC - Garopaba - A Dignidade Das Expressões


 
A  Dignidade  Das   Expressões

  Assimilar tudo que foi empreendido por estas aulas sobre patrimônio material e imaterial, é uma possível ambientação de conflitos e conhecimentos que fortalecem o saber e a relação de estar no mundo. Minhas visões sociais “quase sempre absurdas e de mudanças radicais”, empregadas pela ação e atuação de coletivos das periferias, onde a cultura nos foi tomada a força pela burguesia, popularizada pela mídia, manipulada pelos nossos antecessores, e que diante de um contexto contemporâneo “poucos são os escritores, historiadores, pesquisadores, que desvelam os níveis intelectuais e acadêmicos da nossa cultura, pois de certo modo, a própria periferia compreende a cultura local como cultura de massas, cultura que; ao ser empreendida pelos próprios moradores, acaba sem ter o devido conhecimento da grandeza que é o estudo sobre Educação Patrimonial”, e aos formadores de opiniões, artistas, coletivos que se organizam, associações, entre outras manifestações locais, alguns acabam por minimizar o impacto que podemos relacionar, a construção histórica dos povos, pois, ao não estudarem e conhecerem suas  vertentes, e raízes, para destruir os conceitos impostos pela burguesia elitista, temos que praticar além dos saberes e fazeres, uma luta constante para a criação de registros, estudos, documentos, arquivos, constituir assim, e impor uma capacidade educacional, "pois se as lutas se constituem a partir da educação", temos que impor a institucionalização das ações  diante das diversidades sociológicas que nos foram impostas.

  • "Introjetam uma percepção de marginalização cultural, ao não saberem identificar ou não conseguirem reconhecer suas tradições culturais no conjunto mais amplo dos valores sociais de identidade social a serem enaltecidos e preservados pela categoria de patrimônio cultural"
Janice Gonçalves

  Com a Educação Patrimonial,  minha postura foi observar e confrontar um artista da periferia, dividir meus conhecimentos, minhas indignações políticas, minhas resoluções coletivas, ao ingressar nesses conceitos acadêmicos, culturais históricos, sociais,  e as diferentes  questões documentais sobre patrimônio material e imaterial, as diferentes visões institucionais e ideológicas,  as diretrizes e entendimentos sobre o que é patrimônio, seja ele, cultural, natural, monumentos, móvel, imóvel, conjuntos arquitetônicos, vestígios arqueológicos, questões de territórios imemoriais, os regionalismos, interferências de relações, entre toda diversidade sobre o nosso país como nos são apresentados, é um confronto do qual este poeta, não se senti herói tampouco questionador, e da qual a luta pela educação apenas iniciou-se.

  • "Se realmente a existência precede a essência, o homem é responsável pelo que é. Desse modo, o primeiro passo do existencialismo é o de pôr todo homem na posse do que ele é, de submetê-lo a responsabilidade total de sua existência"
Jean-Paul Sartre

  As metodologias de alto conhecimento e nível social escolar, é um dos maiores contrapontos do qual posso citar,  empreender nossos “instintos autodidatas” aos continuados estímulos metodológicos é uma árdua batalha para amplo debate na educação, salvo pois, que uma pessoa da qual estuda Educação Patrimonial, já tem algum sentimento e interesse para conhecer melhor qualquer forma de organização artística e social.

  A cultura é tudo que está ao nosso redor, ela sobrepõe ao ser humano, pois deste, exige atenção, respeito, estudo, nos instruí a empatia, nos conduz a se colocar no lugar do outro e internalizar as possibilidades de conhecimentos dos mais variados estilos e povos.  Desde que atestado uma das frases da qual recordo o professor Viegas;          “patrimônio é um campo de disputa”.

  • "Se o patrimônio é visto como legado, compreender quem o legou, como, em que circunstâncias e com que objetivos é fundamental para pensá-lo historicamente"
Janice Gonçalves

  Da expressão de que tudo pode ser patrimonializado, cabe ao educador a sensibilidade para exercer as referências e chegar as conclusões históricas que lhe faz empreender ou designar um registro dos patrimônios culturais e imateriais.

  Conhecer os elementos de territorialidade, as finalidades sociais, atrelar conhecimentos, se permitir antever os impactos culturais ou até mesmo o resgate do que está sendo perdido por falta de inventários ou ações sociais, é uma das capacidades que cabe ao educador patrimonial, exercer dentro do campo de seu próprio conhecimento, uma investigação cada vez mais centrada nos fatos perceptíveis, visando o materialismo histórico, sobre o que pode contribuir para que cada ato de registro tenha uma importância no contexto ao estudar uma localidade, uma arte, uma cultura, uma expressão popular, um conjunto de obras arquitetônicas, as simbologias e referências, ou efetivar uma atividade para solidificar os conhecimentos dos envolvidos, sejam eles pessoas, sejam eles bens materiais ou imateriais.

  Temos a função de uma inovação interdisciplinar, já que "fazer história é produzir história; o olhar da história parte do presente", pois; as memórias coletivas e históricas incluem elementos mais amplos do que afirmam o caráter social da memória e a linguagem. Até mesmo a linguagem é reducionista  a produção cultural, a memória é um objeto de luta pelo poder travada entre classes, grupos e indivíduos.

  • "A história dos registros sempre valorizaram as elites."
Viegas Fernandes da Costa
 
 A questão do patrimônio nos remete sempre ao questionamento das entidades ou elefantes brancos culturais brasileiros, uns em plena efetividade, outros em plena destruição e esquecimento, a questão do patrimônio mostrou-se no curso como um conjunto distinto da qual a elite expressa seus interesses políticos econômicos.

  Compreendemos com a Educação Patrimonial, que a comunidade tem que ser ouvida, quem a articula, quem com elas interagem, quem as protegem, e principalmente, quem as produzem. As interatividades sociais e patrimoniais se constituem como campo de disputas políticas e simbólicas.

   É fundamental que possamos conhecer e resgatar nossas histórias neste período de mudanças culturais tecnológicas, da qual poderia chamar de "ciência tecnológica cultural", pois somos experimentos dos produtos globalizados e sistematizados para compreender saberes e fazeres passageiros, estamos dia após dia perdendo a capacidade de compreender a cultura nacional, são sítios arqueológicos e construções destruídos sem nenhum respeito a memória social, em uma constante internacionalidade artística eufórica e passageira, o país exibe uma capacidade de criação impulsionada por diversos agentes de formas impressionantes, expressando, criando, relativizando diversos tipos de artes e ações, mais significativamente no campo do estudo e socialização das atividades sobre os saberes e fazeres.

  • "Estudar exige disciplina. Estudar não é fácil, porque estudar é criar, e recriar é não repetir o que os outros dizem. Estudar é um dever revolucionário".
Paulo Freire

  Estamos empobrecidos na constituição de melhorar os equipamentos patrimoniais de relevância histórica para o país e os habitantes dos quais possam fazer uso para compreender a temporalidade, os materiais e técnicas, as formas e objetos, as relevâncias dos espaços territoriais, os respeitos as diferentes comunidades, supomos que com o exercício da Educação Patrimonial, podemos ser um agente conciliador, principalmente por difundir e compactuar atividades diferenciadas sobre uma complexa deficiência acadêmica, ao abranger uma capacidade educacional sobre patrimônio social construtiva.

  • "Conservação de monumentos e obras de arte vem do respeito e do interesse dos próprios povos"
IPHAN


 
 Com o impacto cultural através do turismo, sendo este um padrão estético, os patrimônios naturais, onde os ecossistemas, paisagens, formações geológicas, e a memória com relação a natureza, das comunidades que tem o conhecimento dos recursos naturais, podemos estudar através da Educação Patrimonial, elaborar junto a comunidade uma preservação de conhecimentos e tradições, podemos construir com  os melhores usos de ações e recursos, principalmente, buscar coibir com a educação os abusos pelas transformações causados pelas populações, onde a urbanização se aplica a vigor e a valorização e desvalorização dos ambientes torna-se presente, onde temos enfim, uma constante luta pela informação sobre a conservação do patrimônio natural.
  Ao educador patrimonial, o seu protesto, pode ser feito através da formação de redes, grupos de estudos, conhecedores das culturas locais, dos saberes históricos, com a concentração de pessoas e os arranjos dos estudos, o respeito pela biodiversidade e seus entes que podem pensar formas de melhorar uma área que sofre degradações, seja por causa de exploração turística, seja pela falta de especialização de uma comunidade ou região em termos técnicos e científicos que estimulem a capacidade populacional de interagir para proteger suas diversidades, temos unidades de conservação sendo invadidas, áreas protegidas sendo devastadas, ambientes naturais sendo explorados, das quais vejo uma falta de respeito e um plano diretor ineficiente, que deveria constituir-se com ações, ser efetivo para reduzir as degradações causadas por fatores como os que podem ser visivelmente perceptíveis na região de Imbituba e Garopaba, dos quais cito; "Distribuição Ecológica, Racismo ambiental, Dumping Ecológico, Divida Ecológica, Invasões Ecológicas, Ambientalismo da Pobreza", precisamos questionar essa falta de sensibilidade com a natureza e a rápida especulação imobiliária que está devastando a biodiversidade e todo ecossistema consolidados há milhares de anos.
  • "Talvez porque as escolas sejam ruins; talvez porque os pais não se sintam educadores; ou talvez porquê eles passem muito tempo na frente da televisão assistindo a lixo - exatamente como no Brasil."
Gilberto Dimenstein
  Pois temos como elementos da paisagem, onde é visível ações que; a cultura é o agente, a natureza é o meio, a paisagem cultural é o resultado.
  A maior luta para o Educador Patrimonial é certamente uma constante identificação das diferentes paisagens, sejam elas construídas ou naturais, todos os contextos elencados são objetos de observação, estudo, percepção, uma resolução contínua de atributos e conhecimentos socializados, a tempo, história, espaço, valores, tipos de utilização, periodização em comportamentos, onde as identidades além de serem preservadas e registradas, são devidamente respeitadas,  todo consenso de memorialização e organização das ações humanas deixam traços significativos ao modo evolutivo humano social e cultural, industrial, tecnológico, científico.
  Assim como os indígenas não eram considerados brasileiros no tempo do império, hoje podemos distinguir as comunidades, lutar por suas historicidades, cabe ao educador patrimonial, uma efetiva ação de inclusão, todo conflito é inerente de uma sociedade pluralista, convencional e conciliadora, as sociedades se constituem de diferenças culturais, sociais, ideológicas, e deve-se reconhecer aos contextos e pessoas sensibilizadas com a Educação Patrimonial, de que as classes excluídas, as minorias, através das políticas públicas e trabalhando seus inventários participativos, podem destruir o pensamento de que a riqueza é um principio de exclusão aos menos favorecidos. De que somente as elites burguesas conseguiram emplacar seus monumentos e arquivos pueris. Se estamos falando de riqueza cultural e imaterial, somos estritamente capazes de uma luta leal e direta por direitos e deveres.
  • "A sociedade não é uma simples some de indivíduos, e sim um sistema formado pela sua associação, que representa uma realidade específica com seus caracteres próprios. Sem dúvida, nada se pode produzir de coletivo se as consciências particulares não existires; mas essa condição necessária não é suficiente. É preciso ainda que as consciências estejam associadas, combinadas, e combinadas de determinada maneira, é desta combinação que resulta a vida social e, por conseguinte, é esta combinação que a explica".
Émile Durkheim
  Com as políticas públicas podemos efetivar preservação dos patrimônios culturais e imateriais, com a Educação Patrimonial podemos buscar os recursos técnicos, relacionar os impactos e relações ao estabelecer os conhecimentos e trocas de informação, todo espaço conduz uma consciência educativa, as instituições não foram constituídas para desconfigurar conhecimentos e falta de diálogo com a sociedade, o conhecimento e responsabilidade cultural e imaterial transforma as relações humanas, o tempo constitui assim, as formas de expressão e as relações construtivas e conflitantes.
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Texto composto como trabalho sobre as aulas ministradas pelo professor Viegas Fernandes da Costa, grande mestre da história e memória catarinense.
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Texto Para Conclusão do Curso de Educação Patrimonial -  IFSC -  Instituto Federal de Santa Catarina
Aluno: Humberto Fonsêca 
   Professor: Viegas Fernandes da Costa
 

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